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“Encouraçados estavam mortos”, diziam os estrategistas: o USS New Jersey disparou projéteis de 1,2 tonelada a mais de 40 km de distância, manteve poder de fogo devastador mesmo na era dos mísseis e provou que a artilharia naval ainda podia decidir guerras modernas

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 19/02/2026 às 15:21 Atualizado em 19/02/2026 às 15:24
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“Encouraçados estavam mortos”, diziam os estrategistas: o USS New Jersey disparou projéteis de 1,2 tonelada a mais de 40 km de distância, manteve poder de fogo devastador mesmo na era dos mísseis e provou que a artilharia naval ainda podia decidir guerras modernas
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USS New Jersey disparava projéteis de 1,2 tonelada a mais de 40 km, atuou em combate real nos anos 80 e desafiou a era dos mísseis na guerra naval.

Durante décadas, analistas militares repetiram a mesma frase: encouraçados eram relíquias do passado. Depois da Segunda Guerra Mundial, porta-aviões e mísseis guiados pareciam ter selado o destino dos gigantes de aço. Mas em fevereiro de 1984, no litoral do Líbano, o USS New Jersey voltou a disparar seus canhões de 406 mm em combate real, provando que a artilharia naval pesada ainda tinha um papel que nenhuma outra plataforma substituía completamente. O que parecia obsoleto mostrou-se brutalmente eficaz.

O dia em que disseram que os encouraçados estavam mortos

O USS New Jersey (BB-62), da classe Iowa, foi comissionado em 1943. Naquela época, o mundo acreditava que batalhas navais ainda seriam decididas por canhões gigantescos trocando fogo a quilômetros de distância.

Mas o cenário mudou rápido. Porta-aviões dominaram o Pacífico. Depois vieram os mísseis antinavio, submarinos nucleares e guerra eletrônica. Navios enormes passaram a ser vistos como alvos grandes demais.

Ainda assim, o New Jersey não desapareceu. Foi reativado para a Guerra da Coreia, depois para o Vietnã e novamente nos anos 1980. Cada retorno parecia contrariar a lógica estratégica vigente.

Como os canhões de 406 mm lançavam projéteis de 1,2 tonelada a mais de 40 km

O coração do USS New Jersey eram seus nove canhões Mark 7 de 16 polegadas (406 mm), distribuídos em três torres triplas.

Cada disparo podia lançar um projétil perfurante de aproximadamente 2.700 libras, cerca de 1.225 kg. Em versões de alto explosivo, o peso era menor, mas ainda devastador.

“Encouraçados estavam mortos”, diziam os estrategistas: o USS New Jersey disparou projéteis de 1,2 tonelada a mais de 40 km de distância, manteve poder de fogo devastador mesmo na era dos mísseis e provou que a artilharia naval ainda podia decidir guerras modernas
“Encouraçados estavam mortos”, diziam os estrategistas: o USS New Jersey disparou projéteis de 1,2 tonelada a mais de 40 km de distância, manteve poder de fogo devastador mesmo na era dos mísseis e provou que a artilharia naval ainda podia decidir guerras modernas

O alcance máximo citado para esses disparos girava em torno de 23 a 23,6 milhas náuticas, algo próximo de 37 a 38 km, frequentemente arredondado para “mais de 40 km” em comunicações públicas.

A cadência chegava a cerca de dois disparos por minuto por canhão. Em plena operação, isso significava quase seis projéteis de quase uma tonelada sendo lançados por minuto a dezenas de quilômetros de distância.

Cada disparo gerava energia cinética e explosiva suficiente para destruir estruturas reforçadas, instalações costeiras e posições fortificadas.

Não era apenas fogo. Era impacto industrial aplicado ao campo de batalha.

Guerra no Líbano: o bombardeio que mostrou que o gigante ainda era temido

Em 1983 e 1984, o USS New Jersey foi enviado ao Mediterrâneo oriental durante a Guerra Civil Libanesa. Ali, voltou a usar seus canhões de 406 mm contra posições hostis em terra. Relatos da época descrevem disparos de 16 polegadas sendo empregados contra alvos no interior, em apoio às forças americanas e aliadas.

Foi um dos últimos usos em combate dos canhões de 16 polegadas de um encouraçado americano. O simbolismo foi enorme. Em plena era dos mísseis de cruzeiro e da guerra eletrônica, um navio projetado na década de 1940 ainda exercia pressão estratégica real.

Por que os mísseis não substituíram totalmente a artilharia pesada

Nos anos 1980, o USS New Jersey não era apenas um navio de canhões. Ele foi modernizado para operar também com mísseis de cruzeiro Tomahawk e mísseis antinavio Harpoon.

Essa combinação criou uma plataforma híbrida. Mísseis ofereciam alcance intercontinental e precisão guiada. Mas eram caros, limitados em quantidade e destinados a alvos estratégicos específicos.

Os canhões de 406 mm, por outro lado, podiam manter fogo contínuo por horas, com custo por disparo muito menor que o de um míssil. Em operações costeiras, essa persistência fazia diferença.

Enquanto aeronaves precisavam de janelas climáticas e reabastecimento, o encouraçado podia permanecer na costa, pronto para disparar novamente em minutos. Essa capacidade de presença constante foi o que manteve o navio relevante.

O que realmente matou os encouraçados

O fim da era dos encouraçados não veio por falha técnica. Veio por custo, logística e mudança doutrinária.

Manter um navio da classe Iowa exigia milhares de tripulantes, manutenção intensiva de sistemas a vapor e uma cadeia de suprimentos específica para munições gigantescas que já não eram produzidas em larga escala.

Além disso, a proliferação de mísseis antinavio modernos aumentou o risco para grandes navios próximos à costa. Gradualmente, a Marinha dos EUA optou por plataformas menores, mais versáteis e integradas a sistemas digitais modernos.

“Encouraçados estavam mortos”, diziam os estrategistas: o USS New Jersey disparou projéteis de 1,2 tonelada a mais de 40 km de distância, manteve poder de fogo devastador mesmo na era dos mísseis e provou que a artilharia naval ainda podia decidir guerras modernas
“Encouraçados estavam mortos”, diziam os estrategistas: o USS New Jersey disparou projéteis de 1,2 tonelada a mais de 40 km de distância, manteve poder de fogo devastador mesmo na era dos mísseis e provou que a artilharia naval ainda podia decidir guerras modernas

O USS New Jersey foi desativado definitivamente em 1991 e transformado em navio-museu. Mas a pergunta nunca desapareceu totalmente: existe hoje alguma plataforma que combine presença física, volume de fogo e impacto psicológico como um encouraçado de 16 polegadas?

O legado técnico do USS New Jersey na guerra naval moderna

O USS New Jersey representou o ponto máximo da artilharia naval pesada.

Ele cruzou três eras militares distintas:

  • a era dos duelos de canhões
  • a era dos porta-aviões
  • e a era dos mísseis guiados

Mesmo quando considerado obsoleto, mostrou que ainda era funcional. O que mudou não foi sua capacidade destrutiva, mas a forma como a guerra passou a ser travada.

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Hoje, navios modernos priorizam furtividade, sensores avançados e mísseis inteligentes. Mas nenhum deles dispara projéteis de mais de uma tonelada a dezenas de quilômetros com cadência repetitiva. A história do USS New Jersey revela algo incômodo para a teoria militar moderna:

Tecnologias consideradas superadas às vezes continuam úteis por mais tempo do que especialistas imaginam. E quando isso acontece, não é nostalgia. É engenharia aplicada à realidade do conflito.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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