Outrora símbolos de estabilidade e uma boa aposentadoria garantida, grandes estatais do governo como Correios, Petrobras, Infraero, Serpro e Embrapa precisarão demitir para economizar bilhões e diminuir déficit de caixa
RIO DE JANEIRO, BRASIL – Em meio à orientação do governo federal para reduzir custos e gerar resultados, as empresas estatais devem reduzir ainda mais o número de funcionários em 2019. Uma pesquisa realizada pelo G1, com base em informações do Ministério da Economia e empresas, indica que o número de demissões no ano pode ser superior a 25.000.
Segundo Fernando Soares, secretário de Coordenação e Governança das Empresas do Estado (Sest) do Ministério da Economia, sete programas de demissão voluntária (PDVs) ou incentivado a aposentadoria de diferentes empresas já foram aprovados pelo governo neste ano.
O governo estima um total de 21.500 demissões ao longo do ano apenas com esses sete programas, o que poderia gerar uma economia de folha de pagamento de aproximadamente R $ 2,3 bilhões por ano.
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Este número não inclui os PDVs anunciados em abril pela Petrobras, que por lei não exigem a aprovação do governo para a liberação de programas de desligamento. Considerando também as esperadas 4.300 demissões na petroleira, o total esperado de demissões no ano nas empresas estatais chega a 25.800.
Entre as empresas estatais que já anunciaram PDVs ou incentivaram programas de aposentadoria estão Correios, Petrobras, Infraero, Serpro e Embrapa.
Os planos são destinados principalmente a trabalhadores mais velhos que estão se aproximando da idade de aposentadoria ou que já estão aposentados pelo INSS.
A redução do quadro de pessoal das empresas estatais vem ocorrendo de forma contínua desde 2015, em um processo iniciado no governo Dilma Rousseff.
De acordo com a secretaria, desde 2015, o número de cortes resultantes da implementação de programas de demissão voluntária chegou a aproximadamente 44.000.
Somente no ano passado, houve redução de 13.434 pessoas em empresas estatais que usam esse sistema. Segundo dados oficiais, as principais reduções foram na Caixa Econômica Federal (2.728), nos Correios (2.648) e no Banco do Brasil (2.195).
Embora o mercado aceite bem empresas estatais, elas foram criticadas por sindicatos e federações de trabalhadores.
A Federação Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telégrafos (Fentect) classifica o programa de desligamento nos Correios como “parte do projeto de sucateamento estatal para terceirização e privatização”.
Atualmente, existem 134 empresas estatais federais, das quais 88 são subsidiárias da Petrobras, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa, Correios e BNDES. Em 2016, havia 154.
Nos últimos dois anos, 20 empresas estatais foram privatizadas ou liquidadas, a maioria delas subsidiárias da Eletrobrás e da Petrobras.
O governo do Presidente Bolsonaro se comprometeu a reduzir significativamente o número de empresas estatais e defende a venda de vários deles, bem como de suas subsidiárias.

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