Empresa brasileira Tellescom avança na indústria de chips com projeto no Rio Grande do Sul e parceria internacional para expandir a microeletrônica nacional.
A indústria brasileira de microeletrônica ganhou um novo capítulo em 2026. A empresa brasileira Tellescom iniciou negociações com parceiros internacionais para instalar uma fábrica de encapsulamento de semicondutores no Rio Grande do Sul, voltada principalmente para a indústria automotiva. O projeto surgiu a partir da Missão Semicondutores Sudeste Asiático 2026, coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo informações do MCTI no dia 27 de maio, a iniciativa reforça a aproximação do Brasil com cadeias globais de alta tecnologia e pode ampliar a participação nacional em um mercado estratégico para setores como inteligência artificial, mobilidade elétrica, telecomunicações, equipamentos médicos, defesa e sistemas espaciais. Além disso, o acordo fortalece a cooperação internacional em pesquisa, inovação e formação de profissionais especializados.
Tellescom avança em um dos setores mais estratégicos da economia global
Os semicondutores estão presentes em praticamente todos os dispositivos eletrônicos modernos. De smartphones e computadores a satélites e veículos conectados, esses componentes são essenciais para o funcionamento da economia digital.
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Por esse motivo, governos e empresas em todo o mundo vêm ampliando investimentos no setor. A entrada de uma empresa brasileira em uma etapa relevante dessa cadeia produtiva representa uma oportunidade para reduzir dependências externas e aumentar a competitividade industrial do país.
A iniciativa liderada pela Tellescom também demonstra o interesse crescente do Brasil em ocupar posições mais estratégicas dentro da indústria global de chips.
Tecnologia e semicondutores ganham protagonismo na agenda do governo brasileiro
A missão internacional aconteceu entre os dias 24 de abril e 9 de maio de 2026. Ao longo de pouco mais de duas semanas, uma delegação composta por 16 representantes do governo, da academia e da indústria visitou importantes polos tecnológicos de Singapura, Filipinas e Malásia.
O objetivo foi aproximar o ecossistema brasileiro de algumas das principais referências mundiais em microeletrônica, pesquisa aplicada e inovação tecnológica.
Entre os principais resultados da missão estão:
- Negociações para implantação de uma fábrica de encapsulamento de chips no Brasil;
- Novas oportunidades de cooperação em computação quântica;
- Ampliação de programas de capacitação profissional;
- Fortalecimento de acordos em pesquisa e desenvolvimento;
- Aproximação com empresas e instituições líderes do setor de semicondutores.
Grupos da Malásia ajudam a abrir caminho para nova fábrica no Rio Grande do Sul
A etapa final da missão ocorreu na Malásia, considerada um dos principais centros mundiais de encapsulamento de semicondutores e testes eletrônicos.
Foi nesse ambiente que avançaram as negociações envolvendo a empresa brasileira Tellescom e grupos da Malásia para a instalação da futura unidade industrial no Rio Grande do Sul.
A escolha dos parceiros não é por acaso. A Malásia ocupa uma posição estratégica na cadeia global de chips e abriga operações de diversas multinacionais da indústria eletrônica.
A expectativa é que a parceria contribua para a transferência de conhecimento, desenvolvimento de competências técnicas e integração do Brasil a mercados internacionais de maior valor agregado.
Encapsulamento de semicondutores: a etapa que transforma chips em produtos utilizáveis
Embora seja menos conhecida pelo público em geral, a fase de encapsulamento de semicondutores é fundamental para que os chips possam ser utilizados em equipamentos eletrônicos.
Após a fabricação dos circuitos integrados, os componentes precisam ser protegidos contra impactos físicos, umidade, calor e outros fatores que podem comprometer seu funcionamento.
Entre as principais funções do encapsulamento estão:
- Proteção dos circuitos eletrônicos;
- Dissipação de calor;
- Conexão elétrica com outros componentes;
- Aumento da durabilidade dos chips;
- Preparação para uso industrial e comercial.
Por se tratar de uma etapa estratégica, países que dominam esse processo conseguem agregar mais valor à cadeia produtiva da microeletrônica.
Rio Grande do Sul pode se tornar novo polo nacional de microeletrônica
A escolha do Rio Grande do Sul fortalece a posição do estado como um possível centro de desenvolvimento tecnológico nos próximos anos.
Além de possuir uma base industrial diversificada, a região conta com universidades, centros de pesquisa e empresas capazes de contribuir para a formação de mão de obra especializada.
A chegada de uma fábrica de encapsulamento de semicondutores também pode estimular novos investimentos em inovação, logística, engenharia e desenvolvimento de fornecedores locais.
Na prática, isso significa a criação de um ambiente mais favorável para o crescimento de toda a cadeia ligada à tecnologia avançada.
Singapura apresentou ao Brasil tecnologias de ponta e investimentos bilionários
A primeira etapa da missão aconteceu em Singapura, país responsável por cerca de 11% do mercado global de semicondutores.
Durante a agenda, os representantes brasileiros visitaram o Centre for Quantum Technologies (CQT), ligado à National University of Singapore (NUS), onde conheceram um processador quântico supercondutor de 10 qubits operando a temperaturas criogênicas de apenas 13 milikelvin.
A delegação também esteve no National Quantum Computing Hub e participou de reuniões com a Singapore Semiconductor Industry Association (SSIA) e com a agência de pesquisa A*STAR.
Outro destaque foi a apresentação do plano RIE 2030, estratégia nacional que prevê investimentos de aproximadamente 37 bilhões de dólares de Singapura em pesquisa e desenvolvimento entre 2026 e 2030.
Cooperação com Filipinas amplia oportunidades para a indústria brasileira
Nas Filipinas, a agenda foi marcada pela realização do primeiro Diálogo Brasil-Filipinas sobre Semicondutores e Microeletrônica.
O encontro reuniu representantes governamentais, universidades e empresas dos dois países para discutir formas de ampliar a cooperação tecnológica e industrial.
Durante a visita, também foi firmado um memorando de entendimento entre a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi) e a Semiconductor and Electronics Industries in the Philippines Foundation.
Além disso, a delegação visitou a Universidade das Filipinas em Diliman e participou de reuniões com o Departamento de Ciência e Tecnologia das Filipinas, ampliando o intercâmbio de conhecimento entre os dois países.
Tellescom participa de movimento que fortalece pesquisa e formação de talentos
Além dos acordos industriais, a missão também gerou oportunidades para pesquisadores, estudantes e profissionais da área tecnológica.
Entre os encaminhamentos anunciados estão a ampliação do programa CI-Inovador no Sudeste Asiático e a divulgação de bolsas internacionais voltadas para pesquisadores brasileiros.
Outro destaque foi o lançamento do ChampionChip eXperience Malaysia, iniciativa baseada em tecnologia desenvolvida pelo Centro Wernher von Braun.
O programa prevê a capacitação de 300 engenheiros malásios em design de circuitos integrados, reforçando a colaboração internacional em áreas ligadas aos semicondutores.
O que essa iniciativa representa para o futuro da tecnologia brasileira
A negociação conduzida pela Tellescom com grupos da Malásia vai além da instalação de uma nova fábrica. Ela simboliza um avanço importante para a inserção do Brasil em um setor considerado essencial para a economia do século XXI.
Ao trazer uma estrutura de encapsulamento de semicondutores para o Rio Grande do Sul, o país amplia suas possibilidades de participação em cadeias globais de valor, fortalece sua base tecnológica e cria condições para atrair novos investimentos em inovação.
Em um cenário de crescente demanda por chips para inteligência artificial, mobilidade elétrica, telecomunicações e sistemas avançados de computação, iniciativas como essa podem contribuir para posicionar o Brasil de forma mais relevante em uma indústria que movimenta centenas de bilhões de dólares todos os anos.
Com informações de MCTI.

