Caged Minas aponta retomada do emprego formal em janeiro com 7,4 mil vagas, impulsionadas por indústria e construção civil.
O emprego formal em Minas Gerais voltou a crescer em janeiro de 2026, após três meses consecutivos de retração.
Dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio do Caged Minas, mostram que o estado registrou saldo positivo de 7.425 vagas com carteira assinada.
O resultado foi impulsionado principalmente pelos empregos industriais e pela recuperação da construção civil, setores que retomaram contratações no início do ano.
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De acordo com o levantamento, Minas contabilizou 225.801 admissões e 218.376 desligamentos ao longo do mês.
Assim, o resultado reverte a forte perda registrada em dezembro, quando o estado eliminou 73.640 postos de trabalho formais.
O desempenho também supera os resultados negativos observados em novembro (-9.023) e outubro (-4.120).
Com isso, o início de 2026 traz sinais de recuperação gradual no mercado de trabalho mineiro, ainda que analistas apontem cautela na avaliação de uma tendência mais consistente.
Empregos industriais lideram recuperação do emprego formal em Minas
Entre os setores da economia, os empregos industriais foram o principal destaque no avanço do emprego formal no estado.
Em dezembro, a indústria havia registrado saldo negativo de 17.137 vagas, reflexo do encerramento de contratos temporários e ajustes de produção no fim do ano.
Já em janeiro, o setor apresentou forte reversão, criando 9.195 novas vagas formais.
O desempenho acompanha uma melhora moderada no número de empregados da indústria mineira em comparação com dezembro de 2025.
Segundo sondagem da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o movimento indica retomada gradual das atividades produtivas após o período de recesso de fim de ano.
Além disso, o avanço da indústria foi determinante para sustentar o saldo positivo geral do Caged Minas, reforçando o peso do setor na dinâmica do mercado de trabalho estadual.
Construção civil também impulsiona geração de emprego formal
Outro setor que contribuiu significativamente para o resultado foi a construção civil, que também apresentou recuperação no início de 2026.
Em dezembro, o segmento havia registrado déficit de 15.441 vagas formais.
Contudo, no primeiro mês do ano, o setor reverteu o cenário e passou a apresentar superávit de 4.243 postos de trabalho.
Dados do Caged Minas indicam que a construção civil encerrou 2025 com cerca de 335 mil trabalhadores com carteira assinada no estado.
Esse total representa uma leve queda de 1,28% em relação a 2024, quando o setor contabilizava 341.212 trabalhadores formais.
Entidades do setor avaliam que a retração anterior ocorreu principalmente por causa da queda de 7,28% nas obras de infraestrutura, segmento que exerce grande influência sobre o nível de contratações.
Comércio e serviços apresentam comportamento diferente no mercado de trabalho
Apesar da melhora geral no emprego formal, outros setores apresentaram comportamento mais moderado no início do ano.
O setor de serviços, que havia sido o maior responsável pelas demissões em dezembro, com 28.889 desligamentos, registrou em janeiro uma situação de relativa estabilidade.
Por outro lado, o comércio foi o único setor a ampliar o saldo negativo no período.
O resultado passou de -5.294 vagas em dezembro para -5.741 em janeiro, refletindo ajustes típicos após o período de contratações sazonais do fim de ano.
Mesmo assim, especialistas avaliam que o movimento faz parte do comportamento tradicional do mercado de trabalho.
Fatores sazonais ajudam a explicar recuperação do emprego formal
Segundo o economista e professor do curso de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, a forte mudança entre dezembro e janeiro está ligada, em grande parte, a fatores sazonais.
“A construção civil, em especial, tende a reagir rapidamente quando há carteira de obras ativa, enquanto a indústria ajusta estoques e retoma pedidos no início do exercício.
Além disso, uma base muito negativa em dezembro amplia o efeito estatístico da recuperação em janeiro”, explica o economista.
Ele destaca que o último mês do ano costuma concentrar demissões relacionadas ao encerramento de contratos temporários e ajustes orçamentários.
Já janeiro marca, tradicionalmente, a recomposição das equipes e a retomada das atividades produtivas.
Ainda assim, o especialista ressalta que é cedo para afirmar que houve uma mudança definitiva na tendência do mercado de trabalho mineiro.
Perspectivas para o mercado de trabalho ao longo de 2026
Apesar da recuperação do emprego formal, o cenário econômico ainda apresenta desafios para a geração de vagas ao longo de 2026.
A gerência de economia da Fiemg avalia que fatores como juros elevados, pressões fiscais, desaceleração da atividade econômica e o calendário eleitoral podem reduzir o ritmo de contratações ao longo do ano.
A previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça cerca de 1,82% em 2026, abaixo do desempenho registrado em 2025.
Esse crescimento mais moderado tende a impactar o dinamismo do mercado de trabalho.
No entanto, a indústria pode continuar exercendo papel relevante na sustentação das contratações.
“Em um contexto de maior moderação econômica, o desempenho industrial torna-se ainda mais relevante para sustentar o nível de ocupação, a renda e a dinâmica da atividade produtiva no estado”, afirma o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio.
Evolução recente do emprego formal em Minas Gerais
Os dados do Caged Minas mostram forte volatilidade no emprego formal nos últimos meses:
Setembro: 11.784 vagas;
Outubro: -4.120 vagas;
Novembro: -9.023 vagas;
Dezembro: -73.640 vagas;
Janeiro: 7.425 vagas.
A retomada observada no início de 2026 indica uma recomposição inicial do mercado de trabalho, especialmente impulsionada pelos empregos industriais e pela construção civil.
Ainda assim, especialistas alertam que a consolidação de uma tendência mais forte dependerá do desempenho da economia brasileira nos próximos meses.
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