Menor que o estado de Santa Catarina, os Emirados Árabes Unidos passaram do deserto à modernidade em 50 anos e hoje figuram entre as economias mais ricas e inovadoras do mundo.
Há pouco mais de meio século, o que hoje é conhecido como Emirados Árabes Unidos era um território quase esquecido no mapa. Um deserto árido, pontuado por aldeias de pescadores, tendas beduínas e pequenas comunidades que sobreviviam da coleta de pérolas e do comércio costeiro. Não havia rodovias, escolas ou energia elétrica e a expectativa de vida mal passava dos 50 anos. Hoje, esse território menor que o estado de Santa Catarina abriga uma das economias mais ricas e dinâmicas do planeta, com PIB superior a US$ 500 bilhões, arranha-céus de bilhões de dólares e índices de desenvolvimento humano comparáveis aos da Europa.
A transformação dos Emirados é uma das mais rápidas e impressionantes da história moderna. Em pouco mais de cinco décadas, o país saiu da pobreza extrema para o centro do capitalismo global — uma virada movida por petróleo, planejamento estratégico, educação, tecnologia e uma visão de futuro que poucos países em desenvolvimento conseguiram replicar.
Do deserto à descoberta do petróleo
A virada começou em 1958, com a descoberta de grandes reservas de petróleo na região de Abu Dhabi, seguida, anos depois, por achados em Dubai e Sharjah. Até então, o território era um conjunto de pequenos emirados sob proteção britânica, conhecidos como Estados da Trégua.
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Quando o Reino Unido anunciou o fim de sua tutela em 1971, sete desses emirados — Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Fujairah e, mais tarde, Ras al-Khaimah se uniram para formar um novo país: os Emirados Árabes Unidos (EAU). À frente do projeto estava Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan, governante visionário de Abu Dhabi e primeiro presidente da federação.
Zayed apostou em uma política ousada: usar a riqueza do petróleo para financiar o desenvolvimento humano. Nos anos seguintes, o país construiu infraestrutura moderna, escolas, hospitais e moradias, enquanto mantinha a população tribal integrada ao novo sistema político. O petróleo garantiu estabilidade financeira, mas foi o planejamento que sustentou o crescimento.
O salto para o futuro: Menor que o estado de Santa Catarina, os Emirados Árabes Unidos seguem em destaque
Com o avanço da urbanização, os Emirados entenderam cedo que depender exclusivamente do petróleo seria arriscado. A partir da década de 1990, Dubai liderou uma transição econômica baseada em serviços, turismo e inovação tecnológica. Sob a liderança de Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, a cidade passou por uma metamorfose arquitetônica e empresarial.
Foram erguidas ilhas artificiais em formato de palmeira, o aeroporto internacional mais movimentado do mundo e o Burj Khalifa, o arranha-céu mais alto já construído, com 828 metros de altura. O país investiu também em zonas econômicas especiais e atraiu sedes regionais de multinacionais com políticas tributárias favoráveis.
O resultado é que hoje, o setor não petrolífero representa mais de 70% do PIB dos Emirados Árabes. A economia se diversificou para áreas como logística, aviação, energia renovável, finanças e tecnologia. O Porto de Jebel Ali, em Dubai, é um dos maiores do planeta, e companhias como a Emirates Airlines se tornaram símbolos globais de luxo e eficiência.
Educação e inovação como legado
A revolução emiradense não se limitou à infraestrutura. Desde os anos 2000, o país investe pesadamente em educação de excelência e pesquisa científica. Universidades como Khalifa University e Mohammed bin Zayed University of Artificial Intelligence figuram entre as mais avançadas do Oriente Médio.
O governo lançou programas de incentivo à pesquisa em inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial. Em 2021, os Emirados entraram para a história ao se tornarem o primeiro país árabe a enviar uma sonda a Marte, a missão Hope, desenvolvida pela Agência Espacial dos Emirados.
Essas iniciativas refletem a estratégia chamada “Vision 2031”, um plano de longo prazo que busca tornar o país um polo global de inovação e sustentabilidade, reduzindo a dependência do petróleo.
Oásis de estabilidade no Oriente Médio
Em uma região historicamente marcada por conflitos, os Emirados Árabes se destacam como um oásis de estabilidade política e segurança. O país tem uma das menores taxas de criminalidade do mundo e abriga mais de 200 nacionalidades vivendo em harmonia.
Com uma população de cerca de 10 milhões de habitantes, sendo 89% estrangeiros, o país equilibra uma identidade árabe tradicional com um cosmopolitismo raro. Cidades como Dubai e Abu Dhabi se tornaram centros financeiros e culturais que rivalizam com Londres e Nova York.
Apesar disso, o crescimento acelerado também trouxe desafios. A forte presença de mão de obra estrangeira e as diferenças de renda entre cidadãos e imigrantes são temas recorrentes nos debates internos sobre equidade social. Ainda assim, o país segue sendo um modelo de governança pragmática e planejamento de longo prazo, rara combinação no cenário global.
De tenda a arranha-céu: o legado da transformação
Em apenas cinco décadas, os Emirados Árabes Unidos provaram que riqueza natural aliada à visão estratégica pode transformar o impossível em concreto. O país construiu não apenas prédios monumentais, mas um projeto nacional voltado à prosperidade e à inovação.
Hoje, o deserto que antes abrigava caravanas e tendas beduínas reflete o brilho metálico de torres de vidro e aço. E, no horizonte, a visão de uma nação que mesmo menor que o estado de Santa Catarina — alcançou uma das posições mais altas no ranking do desenvolvimento humano e econômico do planeta.
Enquanto o mundo enfrenta incertezas, os Emirados seguem firmes em sua rota de diversificação, com o mesmo lema de seu fundador Sheikh Zayed:
“O verdadeiro tesouro de um país não é o petróleo, mas seu povo.”

