Projeto Reciclar em Montenegro quer fazer a reciclagem virar renda para catadores, melhorar a coleta seletiva, envolver moradores e dar mais estrutura a famílias que vivem do material reaproveitado no Rio Grande do Sul
O Projeto Reciclar em Montenegro foi aprovado pela Lei de Incentivo à Reciclagem e entra em uma nova fase para fortalecer o trabalho de catadores no Rio Grande do Sul.
A iniciativa beneficia diretamente 28 famílias de catadores no Bairro Estação e impacta mais de 1.000 moradores da comunidade. As informações foram divulgadas por Global Communities Brasil, organização responsável pela publicação do projeto.
A proposta chama atenção porque trata a reciclagem como algo que vai além da separação do lixo. Ela envolve renda para famílias, educação ambiental, estrutura para cooperativa e uma coleta seletiva mais forte dentro da cidade.
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Como a Lei de Incentivo à Reciclagem pode transformar imposto em apoio direto aos catadores
A Lei de Incentivo à Reciclagem foi criada pela Lei nº 14.260, de 8 de dezembro de 2021. A regra permite que empresas destinem parte do Imposto de Renda para projetos aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente.
Na prática, uma empresa pode apoiar uma iniciativa de reciclagem sem criar um custo extra, desde que esteja dentro das regras da lei. O imposto que já seria pago passa a ajudar um projeto com impacto social e ambiental.
No caso do Projeto Reciclar, essa aprovação abre caminho para captar recursos em 2026. O dinheiro poderá reforçar a estrutura da cooperativa e melhorar as condições de trabalho de quem vive da coleta e da separação de resíduos.
As 28 famílias de catadores ganham mais força com sede, equipamentos e organização
As 28 famílias beneficiadas fazem parte de uma realidade comum em muitas cidades brasileiras. São pessoas que trabalham com materiais recicláveis, muitas vezes com pouca estrutura, mas que ajudam a reduzir o lixo e movimentam a economia local.
O projeto foi criado em 2021 e atua com inclusão produtiva, economia circular, gestão correta dos resíduos e autonomia dos cooperados. Em palavras simples, a ideia é fazer o material descartado virar renda de forma mais organizada.
Ao longo de cinco anos, o projeto mobilizou R$ 6,5 milhões em investimentos. A publicação feita em 2 de março de 2026 pela Global Communities Brasil, organização responsável pela divulgação do projeto, registra que os recursos foram destinados à capacitação dos catadores, à legalização da cooperativa, à compra de equipamentos, ao acompanhamento técnico e à construção da sede da Cooperativa Estação Reciclar, já inaugurada em fevereiro de 2026.
O que muda com a nova fase do Projeto Reciclar em Montenegro
Global Communities Brasil, organização responsável pela publicação do projeto, detalhou que a nova fase prevê maquinário, veículos, capacitação contínua, apoio à gestão e fortalecimento de parcerias locais.
Entre os itens previstos estão prensas, esteiras, empilhadeira, caminhão, triciclos, balanças e EPIs. EPI é o equipamento de proteção individual, usado para proteger o trabalhador durante a coleta, separação e manuseio dos materiais.
Com essa estrutura, a cooperativa poderá atender até 60 cooperados e fazer a gestão de até 780 toneladas de resíduos por ano. Esse número mostra como uma iniciativa local pode ganhar escala quando recebe estrutura adequada.
Educação ambiental faz a coleta seletiva sair do discurso e chegar dentro das casas
A reciclagem só funciona melhor quando os moradores entendem o que separar, por que separar e como entregar o material corretamente. Por isso, o projeto também atua com educação socioambiental.
Em 2025, mais de 500 crianças foram alcançadas por atividades educativas no espaço Reciclarte. A proposta é ensinar desde cedo que o lixo separado corretamente pode voltar para a cadeia produtiva e ainda gerar renda para famílias da própria cidade.
Desde 2023, a cooperativa realiza coleta solidária porta a porta em condomínios, residências, escolas e comércios. Esse trabalho ajuda a reaproveitar materiais que poderiam terminar em aterros sanitários.
Empresas do Lucro Real podem apoiar a reciclagem sem custo adicional
Empresas tributadas pelo Lucro Real podem apoiar o Projeto Reciclar por meio da Lei de Incentivo à Reciclagem. A regra permite destinar até 1% do Imposto de Renda devido para a iniciativa.
Para quem não conhece esse tipo de mecanismo, a ideia é simples. Parte do imposto que a empresa já pagaria pode ser direcionada a um projeto aprovado, com impacto direto em catadores, cooperativa, coleta seletiva e educação ambiental.
O projeto recebe patrocínio da John Deere, apoio do Sicredi Ouro Branco, da Prefeitura de Montenegro e da Braskem, além de parceria com a Fundação Banco do Brasil. Essa rede de apoio ajuda a explicar como a reciclagem ganhou força dentro da cidade.
O que outras cidades médias podem aprender com Montenegro
Montenegro mostra que a reciclagem pode ser uma política local de renda e inclusão. Em vez de tratar catadores como trabalhadores invisíveis, o projeto coloca essas famílias no centro da solução.
A experiência também deixa uma lição simples para outras cidades médias. Coleta seletiva não depende apenas de caminhão ou lixeira. Ela precisa de educação, organização, equipamentos e valorização de quem trabalha com o material reciclável todos os dias.
Quando uma cooperativa tem sede, capacitação e apoio, o lixo deixa de ser apenas problema urbano. Ele passa a ser uma oportunidade de trabalho, renda e cuidado ambiental.
O Projeto Reciclar em Montenegro une 28 famílias de catadores, mais de 1.000 moradores, educação ambiental e incentivo fiscal em uma mesma estratégia. A aprovação pela Lei de Incentivo à Reciclagem torna possível ampliar essa estrutura em 2026.
Se alcançar até 60 cooperados e a gestão de até 780 toneladas de resíduos por ano, a iniciativa pode transformar a forma como a cidade enxerga o lixo. Mais do que separar resíduos, o projeto mostra que reciclar também pode significar dar dignidade a quem vive desse trabalho.
Você acha que toda cidade média deveria ter uma cooperativa estruturada para transformar reciclagem em renda para famílias locais? Comente e compartilhe esta história.


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