Em Ponta Grossa, o Recicla PG transforma lixo reciclável em pontos no celular, incentiva o descarte correto de óleo de cozinha, cápsulas de café e eletrônicos, movimenta associações de reciclagem e mostra como uma política simples pode gerar economia de água, energia, árvores preservadas e redução de dióxido de carbono
E se uma lata, uma cápsula de café ou uma geladeira velha valessem pontos no celular? Em Ponta Grossa, no Paraná, o Recicla PG colocou essa ideia em prática e passou a tratar o processo de reciclagem como algo com valor dentro de um aplicativo.
O programa permite que moradores entreguem materiais recicláveis e recebam pontos. A lista inclui alumínio, plástico, óleo de cozinha, cápsulas de café, vidro, isopor, eletrônicos e eletrodomésticos grandes, como geladeiras, fogões e coifas.
As informações foram divulgadas por Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, órgão oficial da administração municipal no Paraná. Em 15 de abril de 2026, o programa completou um ano de funcionamento, e desde então registrou 2.024 pessoas cadastradas, 43,6 toneladas de materiais recicláveis destinados corretamente e 244 recompensas resgatadas.
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Como funciona o Recicla PG e por que o lixo reciclável virou pontos no celular
O Recicla PG funciona por meio de cadastro gratuito no aplicativo do programa. A pessoa separa os materiais aceitos, leva os resíduos até um ponto de entrega e recebe pontos conforme o tipo de item, o peso ou a unidade.

A lógica é simples. Aquilo que iria para o lixo comum passa a ter um destino correto e ainda gera pontuação para o morador. No primeiro ano, os itens mais resgatados foram material escolar, entretenimento e cultura e varejo e compras pela internet.
A prefeita Elizabeth Schmidt afirmou: “O Recicla PG mostra que é possível unir inovação com responsabilidade ambiental. Em apenas um ano conseguimos não somente ampliar a destinação correta dos resíduos, mas também envolver a comunidade em uma causa coletiva, que impacta diretamente a qualidade de vida em nossa cidade. Que seja próspero o Recicla PG”.
Além das recompensas, o programa fortalece associações de reciclagem, ajuda na geração de renda para famílias associadas e incentiva a separação correta dos resíduos dentro das casas.
Quanto vale cada tipo de resíduo no aplicativo de reciclagem
A tabela do Recicla PG mostra que os materiais não têm a mesma pontuação. O alumínio, como latinhas de refrigerante, cerveja e sucos, rende 312 pontos por kg, uma das maiores pontuações do programa.
O plástico duro, como baldes, bacias e cadeiras plásticas, vale 99 pontos por kg. As garrafas PET de refrigerante, água, óleo, detergente e sabão líquido valem 90 pontos por kg.
O óleo de cozinha sem restos de comida rende 80 pontos por kg. Já as cápsulas de café, feitas de plástico ou alumínio, valem 83 pontos por kg, detalhe que chama atenção por transformar um resíduo pequeno e comum em item com valor no aplicativo.

O plástico mole, como sacolas de supermercado e plástico bolha, vale 88 pontos por kg. Papel e papelão rendem 37 pontos por kg. Caixas cartonadas, sucata metálica e eletroeletrônicos pequenos valem 24 pontos por kg cada.
Até isopor, vidro e eletrodomésticos grandes entram na conta ambiental
O programa também aceita resíduos que muita gente tem dificuldade para descartar. O isopor, usado em embalagens, caixas, bandejas e proteção de eletrodomésticos, vale 60 pontos por kg.
O vidro, como copos, garrafas e potes de conserva, rende 10 pontos por kg. Materiais misturados, quando não há separação, valem 4 pontos por kg.
A parte mais curiosa está nos eletrodomésticos grandes. Geladeiras, fogões e coifas podem ser entregues por unidade e valem 75 pontos cada.
Todos os pontos ficam disponíveis na hora da entrega e têm validade de 12 meses. Assim, o morador consegue acompanhar o saldo e usar as recompensas dentro do próprio aplicativo.
Por que o óleo de cozinha é um dos resíduos mais importantes do Recicla PG
O óleo de cozinha aparece como um dos itens mais importantes porque o descarte errado pode causar grande impacto ambiental. No primeiro ano, o descarte correto de óleo evitou a contaminação de 8.676.750 litros de água.
Esse dado mostra por que jogar óleo na pia não é um detalhe pequeno. Mesmo uma quantidade aparentemente simples pode causar prejuízo quando vai parar no lugar errado.
A Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, órgão oficial da administração municipal no Paraná, também registrou 2.369.745 litros de água economizados no balanço ambiental do primeiro ano do programa.
A secretária municipal de Meio Ambiente, Carla Kritski, afirmou: “Mais do que a troca de materiais por pontos, o Recicla PG promove uma mudança de comportamento. A população passa a compreender melhor a importância da separação dos resíduos, do descarte correto e do cuidado com os espaços públicos, contribuindo para uma cidade mais limpa, organizada e sustentável”.
O que Ponta Grossa já economizou com lixo reciclável virando pontos
O primeiro ano do Recicla PG registrou resultados ambientais expressivos. Foram 463 árvores preservadas, 108.963 kWh de energia economizados e 109.098 kg de dióxido de carbono mitigados.
Na prática, esses números mostram que a separação do lixo em casa pode virar ganho coletivo. Quando o morador entrega o material correto, o resíduo deixa de ocupar espaço inadequado e ganha chance de reaproveitamento.
Entre os materiais mais reciclados, papel e papelão lideraram com 14.704 kg, o que representa 33,7% do total. Depois aparecem vidro, com 8.621 kg, eletroeletrônicos em geral, com 6.185 kg, e itens misturados, com 3.727 kg.
A CEO da SO+MA, Claudia Pires, afirmou: “Mais do que implantar um programa, o que construímos em Ponta Grossa, com o Programa Recicla PG, foi um ecossistema de transformação. O Município mostrou que, quando tecnologia, setor privado e poder público atuam juntos, o resultado vai além da reciclagem: gera renda para cooperativas, engaja a comunidade e fortalece a cultura da economia circular”.
O que não pode ser entregue no programa
Nem todo resíduo entra no Recicla PG. Lixo orgânico, materiais sujos, máscaras, medicamentos, cerâmica, pilhas, lâmpadas, madeira, inflamáveis, resíduos hospitalares e entulho de construção não são aceitos.
Essa regra existe porque a reciclagem depende da separação correta. Quando o material chega sujo ou inadequado, ele pode atrapalhar o trabalho das equipes e reduzir o aproveitamento dos resíduos.
Por isso, o ponto central do programa é simples. Separar melhor, descartar no local correto e acompanhar os pontos pelo aplicativo. O ganho aparece no celular, mas também chega ao meio ambiente e às associações que trabalham com reciclagem.
O caso de Ponta Grossa mostra como lixo reciclável virando pontos pode transformar um hábito comum em uma ação com impacto real. Uma lata, uma cápsula de café, uma garrafa, uma panela antiga ou uma geladeira velha passam a ter destino útil quando entram na rede certa.
Se uma cidade consegue fazer o lixo de casa virar pontos, economia ambiental e renda para quem recicla, o que ainda falta para esse modelo chegar a mais bairros do Brasil? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta publicação.

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