Reportagem revela como grupos criminosos controlam fornecedores, impõem compras obrigatórias e influenciam os preços de produtos básicos consumidos diariamente pela população.
Centenas de comerciantes do Rio de Janeiro relatam viver sob o controle de traficantes e milicianos, que passaram a interferir diretamente na compra e distribuição de produtos essenciais. Mercados, padarias, barbearias e outros estabelecimentos afirmam ter perdido a liberdade de escolher seus fornecedores.
Investigação exibida pelo Fantástico, após dois meses de apuração, mostrou que empresas indicadas por organizações criminosas passaram a monopolizar a venda de diversos itens. Comerciantes ouvidos pela reportagem afirmam que a ordem é simples: comprar dos fornecedores determinados ou enfrentar consequências.
Controle avança sobre alimentos, gás e materiais de construção
Produtos básicos do cotidiano estão entre os principais alvos do esquema. Relatos apresentados na reportagem citam a comercialização de farinha, ovos, alho, cebola, carvão, água, gás e materiais de construção.
-
Alta dos juros nos EUA, para conter a inflação local, deve acentuar a ‘fuga’ do capital estrangeiro da bolsa brasileira, além de valorizar o dólar ante o real, pressionando, com isso, também, os preços na economia brasileira
-
Exército, Marinha e Força Aérea do Brasil ligam sinal de alerta após bloqueio de R$ 4,363 bilhões na Defesa; crise ameaça projetos estratégicos, Gripen, modernização militar e expõe desgaste de José Múcio dentro do governo Lula
-
O banco dos BRICS mira a Índia e prepara emissão inédita em rúpias que pode movimentar até US$ 500 milhões, reduzir a dependência do dólar em projetos de infraestrutura e abrir o mercado de capitais indiano para investidores de países emergentes
-
Pela primeira vez em sete anos o presidente chinês Xi Jinping desembarca na Coreia do Norte para uma visita de dois dias e dá a Kim Jong-un o palco perfeito para mostrar ao mundo que tem o apoio de uma superpotência
Cobranças paralelas também fazem parte da rotina dos comerciantes. Proprietários de estabelecimentos afirmam que precisam pagar taxas para manter as portas abertas. O resultado, segundo os depoimentos, é um cenário de prejuízo constante.
Monitoramento realizado durante a investigação acompanhou centros de distribuição e depósitos. Autoridades policiais informaram que algumas empresas investigadas são apontadas como ligadas a organizações criminosas que atuam em diferentes regiões da cidade.

Fornecedores concorrentes enfrentam bloqueios e ameaças
Domínio territorial imposto por facções e milícias também afeta empresas que tentam atuar nas comunidades. Caminhões de fornecedores concorrentes são impedidos de acessar determinadas áreas.
Motoristas relatam ameaças de roubo e até incêndio dos veículos caso insistam em realizar entregas. Comerciantes afirmam que, muitas vezes, recebem apenas um aviso informando que, dali em diante, somente uma empresa específica poderá fornecer mercadorias.
Regiões da Zona Oeste registraram situações semelhantes envolvendo a venda de frango assado. Proprietários de estabelecimentos relataram que deixaram fornecedores tradicionais e passaram a comprar exclusivamente de distribuidores indicados pelos grupos criminosos.
Monopólio provoca aumento de preços para consumidores
Reflexos do esquema chegam diretamente ao bolso da população. Dados apresentados pela reportagem mostram que, em algumas localidades, o preço do frango assado saltou de R$ 10 para R$ 40 após a entrada dos grupos criminosos nesse mercado.
Especialistas entrevistados destacaram que a redução da concorrência favorece a cobrança de preços acima dos valores normalmente praticados. Consumidores acabam absorvendo parte dos custos impostos pelo monopólio ilegal.
Farinha de trigo aparece entre os principais focos das investigações. Equipes do Fantástico registraram movimentações nas empresas Evolução, localizada em Campo Grande, e Fênix, situada em Madureira.
Comerciantes afirmam que eram obrigados a adquirir farinha em quantidades superiores às necessárias. Relatos apontam que produtos vendidos normalmente por cerca de R$ 70 chegavam ao comércio por valores entre R$ 100 e R$ 110.
Impactos alcançam até mesmo o tradicional pão francês, cujo preço final acaba pressionado pelos custos adicionais enfrentados pelas padarias.
Empresas investigadas negam relação com facções criminosas
Representantes da empresa Evolução afirmaram ao Fantástico que não poderiam comentar as imagens registradas pela reportagem por não terem acesso ao material. A defesa classificou as acusações como especulações.
Posicionamento da empresa Fênix informou que não existe qualquer vínculo, participação ou associação com facções criminosas ou organizações ilícitas. A empresa também declarou permanecer à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Morte de comerciante e operação policial ampliam investigações
Caso investigado pela polícia ganhou repercussão após a morte do comerciante Rafael Oliveira Braga, ocorrida em março do ano passado. Investigações apontam que ele teria se recusado a comprar farinha de uma distribuidora ligada ao esquema.
Polícia Civil realizou, na última quarta-feira, o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão relacionados às empresas investigadas.
Fiscalizações encontraram produtos fora da validade em um dos depósitos vistoriados. Um homem foi preso em flagrante durante a operação.
Equipes policiais também identificaram condições inadequadas de armazenamento em outro local. Alimentos estavam próximos a fezes de animais, conforme registrado durante a ação.
Controle da distribuição fortalece caixa financeiro do crime
Investigações apontam que o controle sobre a venda de produtos representa uma importante fonte de arrecadação para facções e milícias.
Recursos obtidos por meio desse sistema abastecem o chamado caixa de guerra, utilizado para compra de armas e manutenção do domínio territorial em diversas regiões da cidade.
Sensação de impotência aparece em diversos relatos reunidos pela reportagem. Comerciantes afirmam que trabalham sob pressão constante e sem perspectivas de recuperar a autonomia de seus negócios.
Diante desse cenário, até onde o avanço do crime organizado sobre atividades econômicas essenciais pode impactar a rotina de comerciantes e consumidores no Rio de Janeiro?

Seja o primeiro a reagir!