Com gasolina racionada e apagões frequentes, um mecânico cubano chamado Juan Carlos Pino decidiu adaptar seu Fiat Polski de 1980 para funcionar com carvão vegetal. O sistema, montado com sucata, imita geradores a gás usados na Segunda Guerra e virou saída prática em meio às sanções e à crise energética.
O mecânico Juan Carlos Pino não apresentou um carro “diferente” por hobby: ele respondeu a um problema que vem moldando a rotina cubana, onde a falta de combustível e os apagões se tornaram parte do cotidiano. Ao trocar gasolina por carvão vegetal, ele tentou manter o básico funcionando: mobilidade, trabalho, deslocamento.
A adaptação chama atenção porque recupera uma lógica antiga em pleno cenário moderno. Quando o combustível some, a criatividade deixa de ser curiosidade e vira estratégia, e a oficina vira o lugar onde o improviso precisa dar resultado na prática, com o motor ligado e o carro andando.
Uma gambiarra que começa no tanque de propano

O mecânico construiu o dispositivo com sucata e itens reaproveitados. No centro da solução está um tanque de propano convertido, onde o carvão vegetal é queimado; a vedação foi improvisada com a tampa de um transformador, numa tentativa de manter o sistema fechado e funcional.
-
Mel de abelhas sem ferrão pode custar até R$ 600 o litro e surpreende com sabores que lembram madeira, frutas cítricas e até queijo
-
Mulher afirma ter identificado uma coincidência técnica nos últimos torneios da FIFA e agora aposta em um possível campeão da Copa do Mundo
-
Chevrolet anuncia a oportunidade de você ganhar um carro zero, saiba como concorrer gratuitamente a um Sonic RS 2026 pelo WhatsApp
-
Terremoto ou tsunami: qual destrói mais? Entenda as diferenças e por que um pode ser ainda mais perigoso
A filtragem também foi adaptada com o que havia disponível: uma jarra de leite de aço inoxidável, preenchida com roupas velhas, foi usada como filtro. A lógica é simples: transformar o que existe em casa e na oficina em peças que substituem componentes industriais, sem a promessa de perfeição, mas com a exigência de funcionamento.
A tecnologia antiga que voltou por necessidade, não por nostalgia

Juan Carlos Pino contou que aprendeu a base da técnica com o tio, também mecânico, que lhe ensinou o essencial sobre geradores a gás usados na época da Segunda Guerra Mundial. Ele diz que a ideia sempre chamou sua atenção, mas ficou guardada por anos porque não havia motivo concreto para aplicá-la.

A mudança veio com a crise: com combustível escasso, ele decidiu verificar se o carvão existia e era fácil de obter na região. Não se trata de “voltar ao passado” por escolha estética; trata-se de adaptar o passado para sobreviver ao presente, quando o abastecimento falha e a gasolina passa a ser racionada.
O carro na rua, a multidão curiosa e o impacto real do improviso
Quando o mecânico mostrou o sistema, moradores curiosos se reuniram em volta do carro enquanto ele explicava o funcionamento. A cena revela algo além do motor: a rua vira plateia porque, em um contexto de escassez, qualquer solução prática ganha peso coletivo.
Um morador que parou a motocicleta para observar mais de perto disse que a invenção o deixou sem palavras. A reação não é só ao “carro com carvão”, mas ao que ele representa: um limite sendo testado, com gente tentando entender até onde dá para ir quando o abastecimento normal deixa de ser garantido.
Entre racionamento e apagões, o que essa adaptação expõe sobre Cuba
O pano de fundo é uma economia pressionada por sanções e por restrições no fornecimento de combustível, cenário no qual a escassez se repete e, segundo o relato, se agrava quando há corte no petróleo venezuelano e ameaças de tarifas a quem forneça combustível ao país. Nesse ambiente, apagões se tornam frequentes e a gasolina passa a ser rigidamente controlada.
O próprio mecânico resume a ambiguidade do que criou: ele afirma preferir gasolina por ser mais conveniente, mas admite que teria dificuldade de remover o tanque ligado ao carvão porque se apegou ao dispositivo “como se fosse um filho”. Esse detalhe humaniza a história: não é só engenharia improvisada, é também orgulho, esforço e identidade, num lugar onde soluções improvisadas podem virar parte da vida.
A adaptação de um mecânico para fazer um carro rodar com carvão não resolve a crise energética de um país, mas revela como a crise reorganiza prioridades: o que era impensável vira alternativa, e o improviso deixa de ser exceção. Ao mesmo tempo, a engenhosidade convive com limites práticos e dúvidas sobre segurança, eficiência e durabilidade, que só a experiência cotidiana consegue responder.
Com informações do canal da Reuters.
E você: se estivesse no lugar desse mecânico, faria uma adaptação parecida para continuar trabalhando e se deslocando, ou acha que esse tipo de improviso é um sinal de que a situação passou do aceitável? O que mais te surpreende nessa solução: a criatividade, os materiais usados ou o fato de uma tecnologia antiga voltar com força?


A criatividade. Que continue buscando soluções.
quantos kilometros por kg de carvao sera q faz? KKKK
O preço que uma sociedade tem que pagar para manter um governo retrógrado, ditatorial e falido, continuem assim, cada um têm o governo que merece.
Eu diria: o que um **** (Trump) faz com os países que não seguem sua cartilha. Pior é que temos vendilhões aos montes no nosso Brasil.