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Em meio à escassez de combustível, mecânico cubano adapta carro antigo para rodar com carvão, usando sistema inspirado em tecnologias da Segunda Guerra e criando alternativa improvisada para driblar crise energética no país

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 20/03/2026 às 16:36
Assista o vídeomecânico em Cuba adapta Fiat Polski com carvão vegetal e técnica da Segunda Guerra para driblar escassez de combustível e apagões.
mecânico em Cuba adapta Fiat Polski com carvão vegetal e técnica da Segunda Guerra para driblar escassez de combustível e apagões.
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Com gasolina racionada e apagões frequentes, um mecânico cubano chamado Juan Carlos Pino decidiu adaptar seu Fiat Polski de 1980 para funcionar com carvão vegetal. O sistema, montado com sucata, imita geradores a gás usados na Segunda Guerra e virou saída prática em meio às sanções e à crise energética.

O mecânico Juan Carlos Pino não apresentou um carro “diferente” por hobby: ele respondeu a um problema que vem moldando a rotina cubana, onde a falta de combustível e os apagões se tornaram parte do cotidiano. Ao trocar gasolina por carvão vegetal, ele tentou manter o básico funcionando: mobilidade, trabalho, deslocamento.

A adaptação chama atenção porque recupera uma lógica antiga em pleno cenário moderno. Quando o combustível some, a criatividade deixa de ser curiosidade e vira estratégia, e a oficina vira o lugar onde o improviso precisa dar resultado na prática, com o motor ligado e o carro andando.

Uma gambiarra que começa no tanque de propano

O mecânico construiu o dispositivo com sucata e itens reaproveitados. No centro da solução está um tanque de propano convertido, onde o carvão vegetal é queimado; a vedação foi improvisada com a tampa de um transformador, numa tentativa de manter o sistema fechado e funcional.

A filtragem também foi adaptada com o que havia disponível: uma jarra de leite de aço inoxidável, preenchida com roupas velhas, foi usada como filtro. A lógica é simples: transformar o que existe em casa e na oficina em peças que substituem componentes industriais, sem a promessa de perfeição, mas com a exigência de funcionamento.

A tecnologia antiga que voltou por necessidade, não por nostalgia

Juan Carlos Pino contou que aprendeu a base da técnica com o tio, também mecânico, que lhe ensinou o essencial sobre geradores a gás usados na época da Segunda Guerra Mundial. Ele diz que a ideia sempre chamou sua atenção, mas ficou guardada por anos porque não havia motivo concreto para aplicá-la.

A mudança veio com a crise: com combustível escasso, ele decidiu verificar se o carvão existia e era fácil de obter na região. Não se trata de “voltar ao passado” por escolha estética; trata-se de adaptar o passado para sobreviver ao presente, quando o abastecimento falha e a gasolina passa a ser racionada.

O carro na rua, a multidão curiosa e o impacto real do improviso

Quando o mecânico mostrou o sistema, moradores curiosos se reuniram em volta do carro enquanto ele explicava o funcionamento. A cena revela algo além do motor: a rua vira plateia porque, em um contexto de escassez, qualquer solução prática ganha peso coletivo.

Um morador que parou a motocicleta para observar mais de perto disse que a invenção o deixou sem palavras. A reação não é só ao “carro com carvão”, mas ao que ele representa: um limite sendo testado, com gente tentando entender até onde dá para ir quando o abastecimento normal deixa de ser garantido.

Entre racionamento e apagões, o que essa adaptação expõe sobre Cuba

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O pano de fundo é uma economia pressionada por sanções e por restrições no fornecimento de combustível, cenário no qual a escassez se repete e, segundo o relato, se agrava quando há corte no petróleo venezuelano e ameaças de tarifas a quem forneça combustível ao país. Nesse ambiente, apagões se tornam frequentes e a gasolina passa a ser rigidamente controlada.

O próprio mecânico resume a ambiguidade do que criou: ele afirma preferir gasolina por ser mais conveniente, mas admite que teria dificuldade de remover o tanque ligado ao carvão porque se apegou ao dispositivo “como se fosse um filho”. Esse detalhe humaniza a história: não é só engenharia improvisada, é também orgulho, esforço e identidade, num lugar onde soluções improvisadas podem virar parte da vida.

A adaptação de um mecânico para fazer um carro rodar com carvão não resolve a crise energética de um país, mas revela como a crise reorganiza prioridades: o que era impensável vira alternativa, e o improviso deixa de ser exceção. Ao mesmo tempo, a engenhosidade convive com limites práticos e dúvidas sobre segurança, eficiência e durabilidade, que só a experiência cotidiana consegue responder.

Com informações do canal da Reuters.

E você: se estivesse no lugar desse mecânico, faria uma adaptação parecida para continuar trabalhando e se deslocando, ou acha que esse tipo de improviso é um sinal de que a situação passou do aceitável? O que mais te surpreende nessa solução: a criatividade, os materiais usados ou o fato de uma tecnologia antiga voltar com força?

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Virgilio
Virgilio
24/03/2026 12:59

A criatividade. Que continue buscando soluções.

guilherme antunes
guilherme antunes
23/03/2026 16:22

quantos kilometros por kg de carvao sera q faz? KKKK

Última edição em 3 meses atrás por guilherme antunes
Softsdelphi
Softsdelphi
23/03/2026 02:56

O preço que uma sociedade tem que pagar para manter um governo retrógrado, ditatorial e falido, continuem assim, cada um têm o governo que merece.

Irani Rodrigues
Irani Rodrigues
Em resposta a  Softsdelphi
27/03/2026 17:07

Eu diria: o que um **** (Trump) faz com os países que não seguem sua cartilha. Pior é que temos vendilhões aos montes no nosso Brasil.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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