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Em 1992, um homem que procurava um martelo perdido encontrou acidentalmente um tesouro romano antigo avaliado em milhões

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/01/2026 às 00:31
Tesouro romano achado em 1992 reúne 15.233 moedas e artefatos e esclarece circulação monetária na Britânia no fim do período romano.
Tesouro romano achado em 1992 reúne 15.233 moedas e artefatos e esclarece circulação monetária na Britânia no fim do período romano.
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Descoberto por acaso em um campo agrícola de Hoxne, no leste da Inglaterra, o tesouro romano com mais de 15 mil moedas, joias e utensílios revela padrões de circulação monetária, práticas de ocultação e instabilidade econômica na Britânia entre os séculos IV e V d.C

Em novembro de 1992, a busca por um martelo perdido em Hoxne, Suffolk, no Reino Unido, levou à descoberta acidental de um tesouro romano avaliado em £1,75 milhão, revelando um dos mais importantes conjuntos de ouro e prata do final do período romano na Grã-Bretanha.

Descoberta casual e comunicação às autoridades

O episódio começou quando o agricultor Peter Whatling perdeu um martelo em sua propriedade rural e pediu ajuda a um amigo para localizá-lo. Eric Lawes, jardineiro aposentado e detectorista amador, ofereceu-se para procurar o objeto no campo utilizando um detector de metais.

No dia 16 de novembro de 1992, durante a busca, Lawes encontrou diversos objetos metálicos enterrados, incluindo moedas antigas e colheres. Ao perceber o potencial histórico dos achados, ele interrompeu a escavação e comunicou imediatamente a polícia local e o serviço arqueológico responsável.

Essa decisão permitiu que arqueólogos profissionais assumissem o trabalho de escavação e registro. Ao não remover os objetos do local de forma indiscriminada, foi possível documentar com precisão a posição e o contexto de cada artefato encontrado no subsolo.

Importância arqueológica do Tesouro de Hoxne

A descoberta ficou conhecida como o Tesouro de Hoxne e passou a ser considerada um dos mais relevantes conjuntos de metais preciosos do final do período romano já encontrados na Grã-Bretanha. Em termos de valor monetário, ocupa o quinto lugar entre os dez maiores tesouros de ouro e prata datados entre os séculos II e VII d.C.

Os trabalhos arqueológicos revelaram um acervo composto por 15.233 moedas romanas, além de vasos de prata, joias de ouro, numerosas colheres e utensílios de higiene pessoal, estes últimos de menor valor econômico, mas relevantes para a interpretação histórica do conjunto.

A diversidade e a quantidade dos itens forneceram aos pesquisadores um panorama detalhado sobre práticas de acumulação, circulação monetária e uso de objetos de luxo no fim da presença romana na Britânia.

Estrutura do baú e materiais preservados

Durante a escavação, também foram identificados restos de madeira e outros materiais orgânicos associados ao conjunto. Esses vestígios permitiram determinar que os objetos estavam guardados em um baú de madeira, provavelmente de carvalho, com compartimentos ou subdivisões internas.

Os arqueólogos concluíram que o baú era preenchido com palha e tecido, usados como proteção para os objetos de metal. A preservação desses materiais orgânicos é considerada incomum e contribuiu para uma compreensão mais precisa da forma como o tesouro foi acondicionado.

Entre os itens individuais, destacou-se um cabo decorativo feito de prata e niello, esculpido na forma de uma tigresa, evidenciando o nível de sofisticação artística presente no conjunto.

Datação, contexto histórico e incógnitas

A análise das moedas indicou que o tesouro foi enterrado deliberadamente em algum momento do século V d.C. Algumas moedas puderam ser datadas após 407 ou 408 d.C., enquanto a maioria pertence a décadas anteriores, oferecendo dados sobre o tempo de circulação da moeda romana.

Essas informações ajudaram os arqueólogos a entender por quanto tempo as moedas romanas continuaram em uso na região após o enfraquecimento da administração imperial. Apesar disso, o motivo exato do enterro do tesouro permanece desconhecido.

Os nomes dos proprietários originais e as razões para esconder os objetos não puderam ser determinados. As hipóteses citadas nos estudos incluem condições instáveis no final do século IV e início do século V, mudanças no clima econômico ou até a possibilidade de o conjunto representar espólio de um roubo, sem conclusão definitiva.

Recompensa e destino do tesouro

Em 1993, o conjunto foi oficialmente declarado um achado valioso, caracterizado como itens depositados intencionalmente e não recuperados por seus proprietários. De acordo com a legislação vigente, o tesouro foi entregue à Coroa britânica.

Posteriormente, a Coroa vendeu o conjunto a museus pelo valor de mercado. O montante arrecadado foi repassado ao descobridor, Eric Lawes, que dividiu a quantia com o proprietário das terras onde ocorreu a descoberta.

Juntos, Lawes e Whatling receberam £1,75 milhão, encerrando um episódio que começou com a procura por um simples martelo perdido e resultou em um dos achados arqueológicos mais signficativos do período romano tardio na Grã-Bretanha.

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27/01/2026 10:58

Did he find his hammer?

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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