Nos Estados Unidos, Henry Ford e Thomas Edison desenvolveram em 1913 um protótipo de carro elétrico com mais de 100 anos de história para criar um modelo acessível ao público, investindo 1,5 milhões de dólares, mas o projeto foi interrompido e só décadas depois a marca retomou a eletrificação
Quando se fala em carro elétrico, muita gente pensa em tecnologia recente. Mas a verdade é que a Ford já trabalhava em um modelo movido a eletricidade há mais de 100 anos.
Em 1913, quando o automóvel ainda dava seus primeiros passos, Henry Ford e Thomas Edison uniram forças para desenvolver um veículo totalmente elétrico. O que parecia impossível para a época ganhou forma em um protótipo funcional.
O projeto ficou conhecido como Edison Ford, mesmo nunca tendo recebido um nome oficial. E quase mudou o rumo da indústria automotiva.
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A amizade entre Henry Ford e Thomas Edison que deu origem ao projeto elétrico
Antes de se tornar um dos maiores nomes da indústria, Henry Ford era apenas mais um funcionário das empresas de Thomas Edison. Em 1896, durante um evento da Detroit Edison Illuminating Company, Edison conheceu o Quadricycle, primeiro automóvel criado por Ford.
Impressionado, incentivou o jovem engenheiro a abrir sua própria empresa. A amizade cresceu e os dois se tornaram vizinhos e parceiros de ideias.
Edison já demonstrava interesse por veículos elétricos. Em 1901 fundou a Edison Storage Battery Company para comercializar baterias de níquel ferro voltadas ao setor automotivo.
A semente estava plantada.
O primeiro protótipo elétrico da Ford em 1913 e suas características técnicas

Com o sucesso do Model T lançado em 1908, que vendeu 15 milhões de unidades até 1927, Ford voltou a pensar nos elétricos.
Em 1913 surgiu o primeiro protótipo elétrico da marca. Era basicamente um chassi rolante, sem carroceria e sem volante tradicional. No lugar havia uma espécie de leme, semelhante ao de um barco.
As baterias da Edison ficavam sob o assento e o motor elétrico estava posicionado à frente do eixo traseiro.
Em 1914 surgiu um segundo protótipo, mais avançado e já pensado para produção. Ele utilizava peças do Model T como chassi, suspensão e eixo dianteiro, estratégia que poderia reduzir custos.
O motor passou para a parte dianteira e foi adicionada mais uma fileira de baterias para aumentar a autonomia.
Preço estimado entre 500 e 750 dólares e autonomia de até 160 km chamaram atenção
Thomas Edison chegou a afirmar que o novo carro elétrico custaria entre 500 e 750 dólares. Para comparação, o Model T variava entre 390 e 440 dólares.
Em valores atuais, isso representaria algo entre 13.700 e 20.500 euros, segundo estimativas.
A autonomia divulgada variava conforme o veículo de comunicação da época, podendo ser de 80 km ou até 160 km.
Pode parecer pouco hoje, mas no contexto de 1915 e 1916, quando não existiam autoestradas e as viagens eram majoritariamente urbanas, esses números eram considerados adequados.
O lançamento era esperado para 1915. Depois falava se em 1916. A expectativa só aumentava.

O problema das baterias de níquel ferro e o investimento de 1,5 milhões de dólares
O grande obstáculo foi técnico.
As baterias de níquel ferro desenvolvidas por Edison tinham alta resistência interna. Isso significava baixa capacidade de descarga de corrente em curtos períodos, além de densidade energética insuficiente para mover o carro de forma eficiente.
Elas também carregavam lentamente, embora fossem mais leves que as baterias de chumbo e suportassem muitos ciclos de carga.
Segundo o livro The Ford Century, a Ford chegou a adquirir 100 mil baterias da Edison para o projeto.
Um protótipo de demonstração chegou a utilizar baterias de chumbo para contornar o problema. Quando Henry Ford descobriu a substituição, ficou furioso.
O projeto já havia consumido 1,5 milhões de dólares, valor que hoje ultrapassaria 40 milhões de euros. Mesmo assim, foi encerrado.
Teorias apontaram pressão do magnata do petróleo John Rockefeller, mas não há comprovação de que esse tenha sido o motivo real.
O cancelamento não impediu avanços e a Ford voltou aos elétricos décadas depois
Apesar de o Edison Ford nunca ter chegado ao mercado, o projeto deixou marcas importantes.
Engenheiros envolvidos no desenvolvimento contribuíram posteriormente para a introdução do arranque elétrico e sistemas de iluminação elétrica nos automóveis da marca.
Décadas depois, a Ford voltou a investir em elétricos para produção. Em 1998 lançou a Ranger elétrica.
Mais recentemente, a ofensiva elétrica ganhou força com o Mustang Mach E, a F 150 Lightning e os furgões E Transit e E Transit Custom.
Na Europa, a montadora promete uma mudança total de paradigma até 2035, com produção de novos modelos elétricos em Colónia, Alemanha.
O primeiro elétrico pode ter ficado no passado, mas ajudou a moldar o futuro.
A história do Edison Ford mostra que a corrida pela eletrificação começou muito antes do que muitos imaginam e que decisões técnicas podem mudar completamente o rumo da indústria.
Você sabia que a Ford já tentava lançar um carro elétrico há mais de 100 anos? Deixe sua opinião nos comentários.

Hoje é muito fácil ser um gênio! Basta copiar os verdadeiros gênios do passado que usava todo seu intelecto e habilidades para inventar o futuro!!!