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Arqueólogos encontram 3 jarros enterrados sob casas antigas na França e descobrem até 40 mil moedas romanas de bronze e cobre do século III em bairro de 1.500 m² que foi destruído por incêndios

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 01/07/2026 às 11:43 Atualizado em 01/07/2026 às 11:45
Uma jarra contendo uma grande quantidade de moedas romanas foi encontrada durante uma escavação em uma vila francesa. Crédito: Simon Ritz/Inrap
Uma jarra contendo uma grande quantidade de moedas romanas foi encontrada durante uma escavação em uma vila francesa. Crédito: Simon Ritz/Inrap
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Em Senon, no nordeste da França, uma escavação de 1.500 m² revelou três jarros com moedas romanas do século III, um depósito estimado em até 40 mil peças, casas com hipocausto, ruas pavimentadas e marcas de incêndios que encerraram a ocupação do bairro

Um jarro enterrado sob o piso de antigas casas em Senon, no nordeste da França, revelou uma das grandes descobertas arqueológicas mais impressionantes da região: milhares de moedas romanas guardadas em recipientes de cerâmica, em um bairro que atravessou séculos de ocupação, incêndios e abandono.

A descoberta ocorreu durante uma escavação preventiva conduzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas da França, o Inrap. A área investigada tem 1.500 metros quadrados e fica sob a atual cidade de Senon, onde obras modernas levaram os arqueólogos a examinar o subsolo.

O trabalho revelou um antigo bairro que começou como assentamento gaulês, passou por intensa transformação romana e terminou soterrado após incêndios sucessivos. Entre os vestígios, três grandes recipientes de cerâmica chamaram atenção por conterem moedas de bronze e cobre do século III.

Jarro com moedas revela rotina financeira no fim do Império Romano

Os recipientes estavam afundados no chão, com os gargalos alinhados ao nível do piso. A disposição sugere que eles continuavam acessíveis dentro das casas, permitindo retirar ou acrescentar moedas ao longo do tempo.

Em um dos depósitos, a estimativa inicial aponta 38 quilos de moedas, algo entre 23 mil e 24 mil peças. Outro recipiente pode ter guardado até 19 mil moedas. Somados, os conjuntos podem ultrapassar 40 mil peças.

As moedas trazem imagens de governantes como Victorino, Tétrico I e Tétrico II, ligados ao chamado Império Gálico, uma estrutura política que se separou de Roma durante parte do século III.

A quantidade impressiona, mas os arqueólogos evitam tratar o achado apenas como tesouro escondido em uma emergência. A hipótese destacada é que os recipientes funcionassem como uma espécie de banco doméstico, usado para armazenar valores dentro da residência.

Essa interpretação ganhou força porque moedas foram encontradas grudadas do lado externo de dois recipientes. O detalhe indica que novas peças podem ter sido acrescentadas depois de os vasos já estarem enterrados, antes do fechamento das cavidades.

jarro barro
O piso de um hipocausto (um antigo sistema de aquecimento romano), feito de telhas reutilizadas, sobre uma adega abandonada, ilustra as reconfigurações do bairro durante a Antiguidade Tardia. Crédito: Simon Ritz/Inrap

Bairro antigo mostra como Senon cresceu antes e depois de Roma

Nas camadas mais profundas, a escavação encontrou fossas, valas e buracos de poste que sustentavam antigas construções de madeira e barro. Esses vestígios mostram que Senon já era densamente ocupada antes da conquista romana.

A fase mais antiga remonta ao período entre meados do século II a.C. e a época em que a região era ocupada pelos mediomátricos, povo celta cuja capital ficava em Divodurum Mediomatricorum, a atual Metz.

Com a chegada do domínio romano após as campanhas de Júlio César na Gália, o povoado entrou em nova etapa. Os arqueólogos identificaram mais de uma dezena de pequenas pedreiras de calcário, algumas com quase três metros de profundidade.

Essas áreas de extração ficavam atrás das casas e, depois, foram reaproveitadas para armazenamento ou usos domésticos. O calcário ajudou a sustentar um ciclo de construções que mudou a paisagem urbana por vários séculos.

No fim do século I, o bairro já tinha ruas pavimentadas, fileiras de casas de pedra, pisos de cal, fornos, adegas e sistemas de aquecimento por hipocausto. Os achados indicam moradores com alguma prosperidade, possivelmente artesãos ou comerciantes.

Incêndios encerraram a ocupação e esconderam os depósitos

Camadas de cinzas mostram que o bairro sofreu incêndios importantes. Um deles, no começo do século IV, marcou uma mudança decisiva. Foi nesse contexto, possivelmente entre 280 e 310, que os recipientes com moedas ficaram sob o piso.

Mesmo após a destruição, a população reconstruiu parte das casas. Adegas antigas foram reaproveitadas, e colunas quebradas ou pedras de templos acabaram incorporadas a novas paredes, sinal de que edifícios públicos já estavam abandonados.

A vida ainda continuou por cerca de meio século, até que outro incêndio atingiu a área por volta de meados do século IV. Desta vez, os habitantes não retornaram. As casas ruíram, os pátios foram cobertos por entulho e os depósitos desapareceram.

Com o passar dos séculos, pomares cresceram sobre o local. No século XVIII, a área já era usada como terra agrícola. A redescoberta só ocorreu agora, durante a expansão de uma propriedade particular.

Após a retirada das moedas, o conjunto passou por limpeza e análise numismática. Como a descoberta ocorreu em escavação preventiva, o sítio foi registrado digitalmente em 3D, depois preenchido novamente e devolvido ao proprietário.

Por que moedas antigas ajudam a entender uma cidade

Moedas antigas não revelam apenas valores ou rostos de governantes. Em uma escavação, elas ajudam a datar camadas, identificar períodos de circulação econômica e entender como as pessoas lidavam com dinheiro no cotidiano. Quando aparecem dentro de casas, oficinas ou áreas comerciais, podem indicar práticas de pagamento, poupança e organização doméstica. No caso de Senon, os jarros enterrados também mostram como objetos simples, como recipientes de cerâmica, podiam ganhar função financeira. Esse tipo de achado liga a arqueologia à vida prática: não mostra só grandes eventos, mas decisões comuns tomadas por moradores de uma cidade em transformação.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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