O eletroposto analisado combina recarga rápida, carregador de 60 kW e demanda de motoristas elétricos para buscar R$ 21,6 mil por mês em cenário forte. A simulação mostra investimento de R$ 171 mil, custo da energia, manutenção, conveniência próxima e risco de ponto vazio.
O eletroposto virou tema de análise em um vídeo do empreendedor Mateus Avelar, que visitou um ponto de recarga rápida em Patos de Minas, Minas Gerais, e depois fez simulações sobre um carregador de 60 kW. A conta mostra como motoristas elétricos podem sustentar até R$ 21,6 mil por mês em receita bruta no cenário forte.
De acordo com vídeo publicado pelo canal Matheus Avelar no YouTube, a análise foi feita a partir de conversas com donos de eletropostos, pesquisas de mercado e observação do uso real no local. O estudo considera um modelo urbano, voltado principalmente a motoristas de aplicativo, profissionais que rodam muito durante o dia e pessoas que passam pela cidade precisando de recarga rápida para continuar viagem.
Carregador rápido muda a lógica da recarga urbana

O eletroposto mostrado no vídeo funciona com recarga rápida, diferente da recarga residencial lenta. Segundo a explicação apresentada, o carregador de 60 kW consegue repor energia em velocidade suficiente para atender quem não pode esperar muitas horas.
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Esse detalhe é decisivo para motoristas de aplicativo. Quem trabalha com carro elétrico durante o dia não pode depender apenas da carga feita em casa, porque a bateria pode acabar antes do fim da jornada. Nesse caso, a recarga rápida vira ferramenta de trabalho, não apenas conveniência.
Ponto cheio pode transformar demanda em faturamento
No local visitado, o apresentador destacou que costuma ver carros carregando com frequência, especialmente em horários de maior movimento. Um motorista ouvido no vídeo afirmou que usa o ponto porque trabalha com aplicativo e precisa recuperar autonomia rapidamente para continuar rodando.
O relato também mostra que, quando há dois veículos carregando, um terceiro precisa esperar. Esse tipo de fila indica demanda reprimida de motoristas elétricos, mas também reforça que o sucesso de um eletroposto depende diretamente do ponto, do fluxo de carros elétricos e da falta de alternativas rápidas por perto.
Investimento inicial foi estimado em R$ 171 mil
Na simulação financeira, o custo total para instalar um eletroposto urbano de 60 kW foi estimado em cerca de R$ 171 mil. Esse valor inclui o equipamento, a infraestrutura elétrica, reforço de rede, cabeamento, quadros de proteção, aterramento, base de concreto, sinalização, iluminação, câmeras, projeto elétrico, aprovações e mão de obra especializada.
Na prática, o carregador de 60 kW é o centro do investimento, mas ele depende de infraestrutura adequada para operar com segurança. Sem rede preparada, cabeamento correto e proteção elétrica, o eletroposto pode enfrentar problemas técnicos e perda de receita.
O equipamento aparece como o item mais caro da conta. Também entram gastos com adequação elétrica, tecnologia de gestão e estrutura mínima para operar com segurança. A análise deixa claro que não basta comprar o carregador: o ponto precisa estar preparado para receber alta demanda de energia.
Energia barata é o centro da conta
O vídeo considera um preço de venda ao cliente final de R$ 2 por kWh abastecido. Para o custo da energia comprada, a simulação usa R$ 0,84 por kWh, valor estimado com base em desconto na conta de luz dentro do grupo B.
Essa diferença cria uma margem bruta de R$ 1,16 por kWh vendido. No entanto, essa margem ainda precisa pagar taxas de cartão, plataforma, impostos, aluguel do ponto, internet, seguro, gestão e manutenção preventiva. Por isso, o lucro real do eletroposto depende muito do custo da energia.
Cenário mediano prevê R$ 14,4 mil de receita bruta
No cenário considerado mediano, o eletroposto opera 4 horas por dia. Com essa ocupação, a receita bruta mensal estimada chega a R$ 14,4 mil. Depois do custo de energia, calculado em R$ 6.048, a margem bruta ficaria em R$ 8.352 antes das demais despesas.
Após taxas de cartão, plataforma, impostos, aluguel do ponto, internet, seguro, gestão e manutenção preventiva, o lucro líquido projetado cai para R$ 3.276 por mês. Nesse cenário, o payback simples estimado é de 4,4 anos, ou cerca de 52 meses.
Cenário forte pode chegar a R$ 21,6 mil por mês
No cenário mais otimista, o carregador de 60 kW funciona 6 horas por dia. A receita bruta mensal sobe para R$ 21,6 mil por mês, enquanto o custo de energia passa a R$ 9.072. A margem bruta estimada fica em R$ 12.528 antes das demais despesas.
Com os mesmos custos fixos e variáveis, o lucro líquido projetado chega a R$ 6.264 por mês. A diferença de apenas 2 horas a mais de uso diário reduz o payback para cerca de 27 meses, mostrando como a ocupação do equipamento muda completamente a atratividade do negócio.Fce
Renda passiva existe, mas não é automática
O eletroposto é apresentado como um negócio de renda passiva recorrente, mas o próprio vídeo alerta que a operação não deve ser tratada como investimento sem risco. A demanda de motoristas elétricos ajuda, mas o carregador ainda exige manutenção, gestão, monitoramento e boa escolha de ponto.
O risco principal está em instalar a estrutura onde a demanda não se sustenta. Se o ponto não tiver motoristas elétricos suficientes, fluxo comercial ou necessidade real de recarga rápida, o carregador pode ficar ocioso e alongar muito o prazo de retorno.
Usina solar pode melhorar a margem do negócio
Uma das sugestões apresentadas é combinar eletroposto com usina solar. A lógica é simples: se o investidor produz parte da própria energia, pode reduzir o custo de aquisição e aumentar a margem por kWh vendido.
Esse modelo híbrido cria uma ligação entre geração e consumo. O investidor não depende apenas da venda de energia para a rede ou de descontos na conta de luz, porque passa a ter um ponto de escoamento direto para a energia gerada. Quando bem estruturada, essa combinação pode fortalecer a viabilidade do eletroposto.
Conforto no local pode decidir a preferência do motorista
Outro ponto importante é a experiência do usuário. O vídeo alerta que um eletroposto isolado, sem conveniência, café, padaria, supermercado ou local de espera, pode perder força para concorrentes que ofereçam mais conforto.
A recarga leva tempo, mesmo quando é rápida. Por isso, o motorista tende a preferir lugares onde consiga comer, resolver algo ou esperar com segurança. Energia por energia, a comodidade pode ser o diferencial que fideliza o cliente.
Mercado ainda depende da evolução dos carros elétricos
A análise também aponta um risco de longo prazo: a tecnologia das baterias está evoluindo. Se, no futuro, os carros elétricos passarem a ter autonomia muito maior e recarga doméstica mais eficiente, a necessidade de alguns eletropostos urbanos pode mudar.
Isso não significa que o negócio não faça sentido hoje. Significa que o investimento precisa ser planejado com cautela, especialmente em cidades onde a frota elétrica ainda é pequena ou onde a demanda depende de poucos motoristas profissionais.
Você investiria em um eletroposto urbano como fonte de renda passiva ou acha que o risco ainda é alto enquanto o mercado de carros elétricos cresce no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.


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