Um praticante de parapente foi arrastado por uma nuvem de tempestade nas montanhas Qilian, na China, e atingiu 8.598 metros de altitude
O que era para ser um voo tranquilo e cheio de adrenalina virou um pesadelo nos céus da China. Um jovem praticante de parapente foi literalmente sugado por uma nuvem de tempestade nas montanhas Qilian, na divisa entre as províncias de Qinghai e Gansu, e acabou alcançando uma altitude absurda de 8.598 metros – o equivalente ao topo do Monte Everest.
E sim, ele sobreviveu para contar a história.
Um voo que quase terminou em tragédia
O jovem chinês, cujo nome ainda não foi divulgado pelas autoridades, decolou sem autorização formal, segundo o governo local, e foi pego por uma corrente ascendente violenta, típica das nuvens cúmulo-nimbo — aquelas mesmas que pilotos de avião são treinados a evitar a qualquer custo por causa da sua força destrutiva.
-
Bilionário diz que a habilidade mais valiosa ajudará a superar a eliminação de empregos causada pela IA, após temores de Bill Gates
-
Um holandês criou uma ‘caixa’ que faz árvores crescerem no deserto quase sem água e sem irrigação: o invento já levou mudas a dezenas de países e alcança até 90% de sobrevivência onde o plantio comum não passava de 10%
-
Armazém abandonado escondia uma coleção gigante de computadores raros, com mais de 2 mil artefatos das décadas de 1930 a 1980
-
Cientistas pedem que todos se preparem para um fenômeno sem precedentes no Ártico: o degelo está desencadeando uma transformação química alarmante em áreas preservadas, e os primeiros sinais já preocupam pesquisadores do mundo inteiro
A corrente o arrastou para o alto em poucos minutos. A temperatura despencou para -40 °C, o oxigênio ficou cada vez mais escasso e os sintomas clássicos de hipóxia e congelamento começaram a surgir: dor de cabeça, tontura, confusão mental e até as sobrancelhas cobertas de gelo.
Mesmo nessa condição extrema, o parapentista conseguiu ligar sua câmera e registrar tudo: tremendo de frio, com a voz fraca e cortada, ele pediu ajuda e descreveu o drama que vivia em pleno ar rarefeito. As imagens viralizaram na China e no mundo.
Assista ao vídeo publicado por veículos internacionais como o South China Morning Post e veja por que ele está sendo comparado ao caso de Ewa Wiśnierska, uma alemã que passou por uma situação parecida em 2007, também na China.
Debate sobre segurança nos esportes radicais volta à tona
O episódio reacendeu uma discussão antiga entre autoridades, instrutores e a comunidade de esportes radicais: até onde vai a liberdade individual em ambientes naturais de alto risco? Segundo a Associação Chinesa de Parapente, voos em regiões montanhosas com clima instável exigem não apenas autorização, mas equipamentos especiais como cilindros de oxigênio, roupas térmicas de alta proteção e um plano de voo formal.
O Ministério dos Esportes da China declarou que o caso está sendo investigado e que o praticante será responsabilizado por descumprir as normas. Já especialistas alertam que fenômenos como esse podem se repetir com frequência, principalmente durante as mudanças sazonais no clima do norte da Ásia.
Para entender melhor os riscos de hipoxia em grandes altitudes e como isso afeta o corpo humano, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA mantém um artigo detalhado sobre o tema.
O que diz o sobrevivente
Após ser resgatado e tratado para sintomas de congelamento, o parapentista se recupera bem e deu uma entrevista rápida a um canal chinês, onde afirmou:
“Eu achei que ia morrer lá em cima. Nunca mais voo sem estar 100% preparado, com equipamento certo e gente me monitorando.”
A declaração foi recebida como um alerta por parte dos praticantes iniciantes, mas ainda divide opiniões entre os mais experientes, que alegam que a imprevisibilidade da natureza faz parte da adrenalina do esporte.

