Calor acima de 50°C, perdas na lavoura e a aposta na retomada da pitaya em SC, com manejo ajustado, proteção das plantas e meta de colher 1 tonelada na nova safra em Itapiranga, no Extremo-Oeste catarinense.
Depois de perder cerca de 40% da produção de pitaya por causa do calor extremo no último verão, a produtora rural Dirce Hennig, de Itapiranga, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, reorganizou o manejo do pomar e reforçou a proteção das plantas.
Agora, ela estima colher cerca de 1 tonelada da fruta nesta safra, segundo informações divulgadas pelo portal ND Mais.
A propriedade reúne mais de 80 variedades de pitaya, entre plantas autoférteis e híbridos que dependem de polinização cruzada.
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Com a retomada do cultivo, a produtora afirma que o objetivo é recuperar parte do prejuízo registrado no ciclo anterior, mantendo a venda direta ao consumidor no sítio.
Temperatura ao sol e perdas antes da colheita
No verão passado, as temperaturas ao sol na área de cultivo teriam ultrapassado 50°C, de acordo com relato da produtora.
O efeito, segundo ela, foi imediato: parte dos frutos se perdeu ainda no pé, antes de chegar à colheita, e algumas plantas apresentaram queimaduras e abortamento, o que reduziu a produtividade.
Dirce, que tem 42 anos, disse ao ND Mais que o período foi o mais difícil desde o início do plantio.
O relato é apresentado como um marco para mudanças no manejo, especialmente nas áreas mais expostas ao sol.
Publicações técnicas da Epagri/Ciram apontam que, para a espécie Hylocereus undatus, temperaturas acima de 45°C são consideradas limitantes e podem levar à morte das plantas.
O mesmo material reúne recomendações de manejo e menciona que o sombreamento é um fator relevante no desenvolvimento do cultivo, com faixa de referência indicada no documento.
Sombrite na pitaya e ajustes no manejo do pomar
Para reduzir os danos, a produtora instalou sombrite, uma tela usada para diminuir a incidência direta de sol.
Segundo o ND Mais, a proteção passou a ser combinada com ajustes no manejo, voltados sobretudo às variedades mais sensíveis ao calor.
A reorganização incluiu a reavaliação de rotinas de cuidado ao longo do ciclo, com foco em preservar flores e frutos nas fases consideradas mais vulneráveis.
A estratégia, conforme a reportagem, foi adotada após as perdas do último verão.
Pomar com 700 pés e polinização manual noturna
O cultivo em Itapiranga tem cerca de 700 plantas, sendo aproximadamente 300 em fase produtiva, conforme o ND Mais.
A diversidade do pomar exige diferentes formas de condução, já que parte das variedades produz frutos por autofecundação e outra parte depende de cruzamentos.
Em espécies que exigem polinização cruzada, Dirce realiza polinização manual no período noturno.
De acordo com o relato publicado, a atividade começa após as 20h, quando as flores se abrem, e é tratada como essencial para buscar frutos maiores e com padrão de qualidade mais uniforme.
O manejo noturno é associado, no texto do ND Mais, ao curto período de abertura das flores, o que concentra o trabalho em uma janela específica.
No material técnico citado da Epagri, a polinização aparece entre os temas abordados para viabilizar a produção em condições comerciais.
Venda direta da pitaya e renda complementar no sítio
A história com a pitaya, segundo a produtora, começou por uma questão prática.
Para consumir a fruta, ela precisava percorrer mais de 20 quilômetros, o que motivou o plantio das primeiras mudas e, depois, a ampliação da área.
Com o aumento do número de variedades, a pitaya passou a gerar renda complementar para a família.
Ainda assim, a criação de suínos e a produção de leite continuam como as principais fontes de renda, enquanto a fruta entrou como uma atividade adicional, conforme descrito na reportagem.
O investimento inicial informado foi de cerca de R$ 5 mil, com uso de estruturas já existentes na propriedade.
Hoje, o quilo da pitaya é vendido por R$ 15, e as mudas também são comercializadas por valor equivalente, segundo a produtora ao ND Mais.
As vendas ocorrem diretamente no sítio, com procura associada à diversidade de cores e sabores disponíveis no pomar.
No texto, a pitaya é chamada de “fruta Instagramável”, expressão usada para descrever a aparência chamativa de algumas variedades.
Híbridos de pitaya, custo das mudas e meta de 1 tonelada
Mesmo após o prejuízo do último verão, a produtora manteve planos de expansão do cultivo.
Ela segue investindo em novas variedades e híbridos, e afirma que algumas mudas podem chegar a R$ 200 cada, já com frete incluído.
Além de comprar mudas, Dirce também tenta desenvolver cruzamentos próprios, segundo o ND Mais.
A ideia, conforme apresentado na reportagem, é ampliar a diversidade do pomar e melhorar o desempenho de algumas plantas, dentro do que o manejo permitir.
A projeção para a safra é colher cerca de 1 tonelada de pitaya.
A estimativa, segundo a produtora, se apoia no ajuste do manejo e no reforço de proteção contra insolação direta, após as perdas relatadas no ciclo anterior.
Ela também afirmou que, com manejo adequado, é possível colher pitaya em menos de um ano e que, em condições ideais, a produção pode começar a partir de sete meses após o plantio.
A informação foi apresentada como parte da experiência de campo relatada pela produtora.
Ao comentar o período de perdas, Dirce disse ao ND Mais: “Desistir nunca foi opção”.

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