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Um agricultor de Michigan segurou por 30 anos uma pedra pesada que usava só para escorar a porta do celeiro e, quando finalmente a levou a uma universidade, descobriu que era um meteorito de ferro de mais de 10 kg avaliado em US$ 100 mil

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 11/07/2026 às 14:21
meteorito de ferro de mais de 10 kg avaliado em US$ 100 mil
meteorito de ferro de mais de 10 kg avaliado em US$ 100 mil
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Ao comprar uma fazenda em Edmore, Michigan, em 1988, David Mazurek herdou uma pedra estranha que o antigo dono dizia ser um meteorito. Ele a usou como peso de porta por três décadas até levá-la a uma universidade e descobrir que valia uma fortuna.

Durante três décadas, o objeto mais valioso da propriedade passou despercebido segurando uma porta. Em Michigan, nos Estados Unidos, David Mazurek guardou por 30 anos uma pedra pesada e de aparência estranha que usava apenas como batente sem saber que se tratava de um meteorito de ferro de cerca de 10 quilos, mais tarde avaliado em US$ 100 mil. A rocha só chamou a atenção da ciência mais de 80 anos depois de cair na Terra.

Tudo começou de forma banal. Quando Mazurek comprou uma fazenda em Edmore, no interior do estado, em 1988, o antigo proprietário lhe mostrou a propriedade e uma pedra grande e esquisita que mantinha a porta de um galpão aberta. Segundo informações divulgadas pelo portal Science Alert, ao perguntar o que era aquilo, ouviu uma resposta surpreendente: o batente, na verdade, era um meteorito. Mazurek levou a peça consigo e a manteve como peso de porta pelos 30 anos seguintes.

Do batente de porta ao laboratório da universidade

Meteorito de ferro de Edmore (peso de porta)
Meteorito de ferro de Edmore (peso de porta)

Com o tempo, Mazurek percebeu que algumas pessoas ganhavam dinheiro encontrando e vendendo pequenos pedaços de meteoritos. Foi o empurrão que faltava: ele decidiu, enfim, mandar avaliar sua rocha gigante e a levou à Universidade Central de Michigan (CMU), onde a geóloga Mona Sirbescu examinou o objeto em 2018.

Para Sirbescu, aquele era um pedido rotineiro e quase sempre frustrante. “Durante 18 anos, a resposta foi categoricamente não; não se tratava de meteoritos”, contou.

Desta vez, porém, foi diferente. “Percebi imediatamente que se tratava de algo especial”, disse a geóloga. “É o espécime mais valioso que já tive em mãos em toda a minha vida, em termos monetários e científicos.”

A noite dos anos 1930 em que o céu “fez um barulho infernal”

A origem da pedra é uma história à parte. Segundo o relato repassado a Mazurek, na década de 1930 o antigo dono e o pai dele viram o meteorito despencar à noite sobre a propriedade e, nas palavras do próprio, o objeto “fez um barulho infernal” ao atingir o solo.

Na manhã seguinte, pai e filho encontraram a cratera aberta pelo impacto e desenterraram a rocha da vala recém-formada. Ela ainda estava quente, disseram.

E havia um detalhe generoso: como o meteorito fazia parte do terreno, passaria a pertencer a quem comprasse a propriedade foi assim que a pedra acabou nas mãos de Mazurek, junto com a fazenda.

Um dos maiores meteoritos de ferro já achados em Michigan

Fragmento de meteorito de ferro em laboratório
Fragmento de meteorito de ferro em laboratório

A análise revelou um exemplar e tanto. Apelidado de meteorito Edmore, o objeto é um grande meteorito de ferro-níquel, com um teor considerável de níquel cerca de 12%. Não é uma pedra qualquer: está entre os maiores já registrados no estado de Michigan.

O valor acompanhou a raridade. O Instituto Smithsonian verificou a autenticidade da rocha e estimou seu valor em cerca de US$ 100 mil.

Meteoritos costumam alcançar preços altos justamente pela escassez e pela importância científica, sendo disputados por museus, colecionadores e vendedores.

Vendido por US$ 75 mil com um pedaço para a ciência

No fim, Mazurek decidiu se desfazer do achado. Ele vendeu o meteorito por US$ 75 mil ao Planetário Abrams, da Universidade Estadual de Michigan, em uma negociação viabilizada por um doador a partir de 2019.

O gesto teve um lado científico. Mazurek prometeu destinar 10% do valor arrecadado ao departamento de ciências da Terra e da atmosfera da CMU, onde Sirbescu havia identificado a verdadeira natureza da rocha. Nada mal para um objeto que passou 30 anos fazendo o humilde trabalho de segurar uma porta.

Quantos “tesouros” passam despercebidos?

O caso Edmore alimenta uma pergunta inevitável: quantos objetos valiosos estão, neste momento, cumprindo funções banais em garagens, quintais e prateleiras?

A própria Sirbescu passou quase duas décadas dizendo “não” a pedras comuns o que mostra como é raro um achado assim, mas também como ele pode se esconder à vista de todos por gerações.

Isso não significa que toda rocha pesada seja uma fortuna espacial. Meteoritos de ferro costumam ser densos, atraídos por ímãs e marcados por pequenas depressões na superfície, como se tivessem sido moldados a dedo sinais que valem uma segunda olhada.

No caso de Mazurek, a curiosidade tardia transformou um simples peso de porta em uma história que rodou o mundo.

Uma pedra feia que escorou uma porta por 30 anos virou um meteorito de US$ 100 mil e um capítulo curioso na ciência de Michigan. A moral é simples: às vezes, o extraordinário está bem debaixo do nosso nariz, disfarçado de trivial.

Você já teve alguma “pedra estranha” em casa que valia a pena investigar ou levaria a sua para uma avaliação depois de ler isto? Conta pra gente aqui nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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