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Impressão 3D não nasceu agora: tecnologia imaginada em 1945 começou com ficção científica, passou por metal líquido e hoje cria próteses, casas e peças industriais

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 03/07/2026 às 11:19 Atualizado em 03/07/2026 às 11:23
Impressora 3D industrial criando peça em laboratório tecnológico, com engenheiro acompanhando projeto digital
Impressora 3D produz peça complexa camada por camada, representando a evolução da manufatura aditiva na indústria moderna.
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Conheça a trajetória da impressão 3D, tecnologia que começou como conceito em 1945 e evoluiu para aplicações industriais, médicas e construtivas

A impressão 3D parece uma invenção recente, ligada a máquinas modernas, protótipos rápidos e peças feitas em escritórios ou fábricas.

No entanto, sua origem é muito mais antiga. A ideia apareceu em 1945, no conto Things Pass By, de Murray Leinster, que descrevia um braço mecânico criando objetos com material endurecido no ar.

Décadas depois, em 1971, Johannes F. Gottwald registrou a patente do Gravador de Metal Líquido, uma proposta que já imaginava a fabricação de objetos por camadas usando material liquefeito.

Assim, antes mesmo de se tornar uma tecnologia comercial, a manufatura aditiva já apontava para uma nova forma de produzir.

Impressora 3D de concreto construindo paredes em camadas em canteiro de obras, com operador acompanhando o processo.
Impressão 3D acelera a construção de estruturas em concreto.

Conheça a história da impressão 3D

A evolução da impressão 3D ganhou força a partir das tecnologias de jato de tinta desenvolvidas pela Teletype Corporation na década de 1960.

Inicialmente, esses sistemas serviam para impressão convencional. Porém, mais tarde, ajudaram a inspirar métodos capazes de depositar materiais sólidos ou líquidos em camadas sucessivas.

Em 1980, no Japão, Hideo Kodama descreveu processos com polímeros sensíveis à luz. Apesar disso, a pesquisa não avançou comercialmente na época.

Ainda assim, outras iniciativas surgiram rapidamente. Em 1982, a Raytheon registrou uma patente envolvendo metal em pó. Já em 1984, Bill Masters citou o termo impressão 3D em uma patente relacionada à fabricação automatizada por computador.

No mesmo período, a estereolitografia também passou a ser estudada. Logo depois, Chuck Hull construiu a primeira impressora 3D funcional.

Sua empresa, a 3D Systems Corporation, lançou em 1987 a SLA-1, primeira máquina comercial de estereolitografia do mundo.

A tecnologia permitia fabricar peças complexas camada por camada, com base em arquivos digitais. Dessa forma, protótipos passaram a ser produzidos em menos tempo.

Naquele momento, porém, as máquinas ainda eram caras. Além disso, os materiais disponíveis tinham limitações. Por isso, a impressão 3D ficou restrita, principalmente, a grandes fábricas e centros especializados.

Impressora 3D produzindo modelo de mandíbula em laboratório, representando avanços da manufatura aditiva na medicina.
Impressão 3D aplicada à criação de modelos médicos personalizados.

Como a impressão 3D chegou ao consumidor e à medicina

Entre 1999 e 2010, a impressão 3D demonstrou um potencial muito maior.

Na área médica, cientistas do Wake Forest Institute for Regenerative Medicine, nos Estados Unidos, imprimiram estruturas básicas de uma bexiga humana. O órgão foi revestido com células do próprio paciente, reduzindo riscos de rejeição.

Depois disso, outros avanços envolveram rim em miniatura, próteses complexas e vasos sanguíneos bioengenheirados.

Ao mesmo tempo, a tecnologia também se aproximou do público comum.

Em 2005, o projeto aberto RepRap, liderado por Adrian Bowyer, desenvolveu uma impressora capaz de produzir grande parte de suas próprias peças.

Poucos anos depois, em 2009, a MakerBot popularizou kits de impressoras 3D de mesa. Assim, a fabricação digital passou a atrair consumidores, investidores e empresas.

Atualmente, a manufatura aditiva está presente em setores como construção civil, arquitetura, design, medicina, energia, eletrônica, indústria automotiva e aeroespacial.

Na construção civil, por exemplo, a tecnologia permite criar paredes e estruturas com mais rapidez.

Em 2016, uma empresa chinesa imprimiu uma casa de dois andares em 45 dias. No mesmo ano, a Apis Cor imprimiu a estrutura de uma casa de 37 metros quadrados em apenas 24 horas.

Na arquitetura, a impressão 3D ajuda na criação de maquetes físicas a partir de projetos digitais. Já no design de produtos, acelera testes, ajustes e protótipos.

Com o avanço dos materiais, a tecnologia também passou a trabalhar com metais, cerâmicas, polímeros resistentes, superligas e até tecidos humanos.

Assim, a impressão 3D deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica. Hoje, ela representa uma ferramenta real para produzir peças, próteses, estruturas e soluções industriais.

Segundo a Lux Research, o mercado de impressão 3D poderia chegar a US$ 51 bilhões até 2030. Além disso, dados da Statista apontaram expansão relevante da manufatura aditiva entre 2020 e 2026.

Para Todd Spurgeon, da America Makes, os próximos avanços devem ganhar força na eletrônica, na medicina e no setor aeroespacial.

Portanto, a impressão 3D carrega uma trajetória longa, iniciada na ficção científica e consolidada na indústria. E, principalmente, segue como uma das tecnologias mais promissoras da fabricação moderna.

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Caio Aviz

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