Gripen E contratado pela Ucrânia terá entregas só no fim da década, enquanto Gripen C/D prepara pilotos da Força Aérea Ucraniana. Em meio a mísseis e drones, o acordo sueco mira transição ocidental, bases dispersas e modernização de longo prazo.
O Gripen E virou aposta da Ucrânia para substituir caças de origem soviética e ampliar sua integração a padrões ocidentais. Antes da chegada dos novos caças, o Gripen C/D deve preparar a Força Aérea Ucraniana para operar em um cenário marcado por mísseis e drones.
Segundo o Cavok Brasil, em publicação de 2 de julho de 2026, o contrato foi assinado entre a Saab e a Administração de Material de Defesa da Suécia, a FMV. O pacote é avaliado em aproximadamente 24,6 bilhões de coroas suecas, cerca de US$ 2,5 bilhões, e inclui aeronaves, peças, treinamento, suporte logístico e assistência técnica.
Acordo bilionário marca troca gradual da frota soviética

A compra do Gripen E representa um passo importante na tentativa ucraniana de substituir, de forma definitiva, parte da frota de caças herdada da era soviética. Desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, a Ucrânia busca aeronaves ocidentais capazes de ampliar sua capacidade de defesa aérea, enquanto a Força Aérea Ucraniana tenta preservar poder de resposta em meio a mísseis e drones.
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O contrato não envolve apenas a entrega dos 16 caças. O pacote inclui peças de reposição, equipamentos de apoio, treinamento, suporte logístico e assistência técnica. Na prática, a Ucrânia não está comprando só aeronaves, mas uma estrutura completa para operar um novo sistema de combate.
Entregas começam só em 2029 e avançam até 2030
O ponto que mais chama atenção no acordo é o prazo. Os primeiros exemplares do Gripen E só devem chegar em 2029, com entregas concluídas ao longo de 2030. Isso significa que a aposta bilionária não terá impacto imediato no campo de batalha, mesmo em meio à pressão contínua de mísseis e drones.
Esse cronograma longo reflete fatores industriais e operacionais. A Saab já tem produção voltada para a Força Aérea Sueca e a Força Aérea Brasileira, além de atender outras demandas internacionais. Ao mesmo tempo, a Ucrânia precisará preparar centros de manutenção, simuladores, pilotos, mecânicos, estoques de peças e integração de armas.
Gripen C/D entram como ponte antes da versão E

Embora o Gripen E demore alguns anos para entrar em operação, Kiev deve começar a operar a família Gripen antes disso. Como parte da cooperação entre Suécia e Ucrânia, a Força Aérea Ucraniana deverá receber 16 caças Gripen C/D a partir de 2027.
Essas aeronaves funcionarão como etapa de transição. Pilotos e equipes de manutenção poderão se familiarizar com o Gripen C/D antes da chegada da versão mais moderna. A estratégia reduz riscos, antecipa treinamento e ajuda a Força Aérea Ucraniana a evitar a introdução direta de um caça novo sem experiência prévia.
Operação dispersa pesa em um país sob ataque
Uma das características mais relevantes do Gripen E é a capacidade de operar em cenários de alta intensidade. O caça sueco foi projetado para pousar e decolar em pistas curtas, rodovias e bases dispersas, reduzindo a dependência de grandes aeródromos fixos.
Esse ponto é especialmente importante para a Ucrânia, que enfrenta ataques de mísseis e drones contra infraestrutura militar e energética. Quanto mais dispersas forem as operações, menor a exposição de aeronaves e equipes a ataques concentrados contra uma única base aérea.
Caça sueco foi pensado para voltar rápido ao combate
Outro diferencial do Gripen E é o tempo reduzido entre missões. Pequenas equipes de solo conseguem reabastecer, rearmar e preparar a aeronave para novo voo em poucos minutos, uma característica associada à doutrina sueca desenvolvida durante a Guerra Fria.
Em um conflito prolongado, disponibilidade operacional pode ser tão importante quanto desempenho em voo. Uma aeronave que volta rapidamente à missão ajuda a manter pressão defensiva e reduz o tempo em solo. Para uma força aérea sob ameaça constante, cada minuto parado em base exposta pode aumentar o risco.
Versão E traz radar AESA, IRST e guerra eletrônica

O Gripen E representa uma evolução profunda em relação ao Gripen C/D. A aeronave incorpora o radar AESA Raven ES-05, capaz de rastrear múltiplos alvos simultaneamente, além do sensor infravermelho Skyward-G, conhecido como IRST, usado para detectar ameaças sem depender apenas de emissões de radar.
A versão também inclui suíte avançada de guerra eletrônica, arquitetura aberta para integração rápida de novos armamentos e motor General Electric F414G, com maior empuxo e desempenho. Esses recursos tornam o caça mais adaptável a um ambiente em que ameaças, sensores e armas mudam com rapidez.
Mais combustível e armas ocidentais ampliam o alcance
O Gripen E transporta cerca de 40% mais combustível interno que o antecessor, ampliando o raio de combate e reduzindo a dependência de reabastecimento em voo. Esse ganho pode ser relevante para um país que precisa defender áreas extensas e lidar com ameaças vindas de diferentes direções.
A aeronave também é compatível com uma ampla gama de armamentos ocidentais, incluindo mísseis ar-ar Meteor e IRIS-T, bombas guiadas de precisão e mísseis de ataque ao solo e antinavio. Com isso, a Ucrânia pode avançar na padronização gradual de seus arsenais conforme padrões da Otan.
F-16, Mirage 2000 e Gripen ampliam diversificação

Mesmo antes da chegada do Gripen E, a aviação ucraniana já passa por uma modernização ampla. O país opera caças F-16 fornecidos por aliados europeus e começou a receber Mirage 2000 franceses adaptados para missões de defesa aérea e ataque ao solo.
A entrada da família Gripen amplia essa diversificação. O desafio, porém, será administrar diferentes plataformas, cadeias logísticas, treinamentos, peças e armamentos. A vantagem é ganhar alternativas ocidentais; a dificuldade é manter a Força Aérea Ucraniana variada em plena guerra.
Saab ganha vitrine em mercado militar competitivo
Para a Saab, o contrato do Gripen E com a Ucrânia representa avanço comercial importante. A escolha reforça a presença internacional do caça em um mercado cada vez mais disputado, no qual países buscam renovar frotas sem assumir todos os custos de operação de aeronaves mais pesadas.
A combinação de menor custo operacional, elevada disponibilidade e tecnologia de última geração aparece como argumento central do programa. O caso ucraniano também funciona como vitrine, porque coloca o caça sueco associado a um cenário real de guerra de alta intensidade.
Compra muda o futuro, mas não resolve o presente
O Gripen E pode fortalecer a Ucrânia no fim da década, mas não muda de imediato o equilíbrio aéreo do conflito. Até 2029, Kiev continuará dependendo de caças já recebidos, sistemas de defesa aérea, drones, mísseis, treinamento acelerado e apoio externo para sustentar sua capacidade militar.
A decisão mostra uma aposta de longo prazo: preparar uma força aérea ocidentalizada enquanto a guerra ainda impõe urgências diárias. O contrato mira 2030, mas a pressão sobre a Ucrânia continua no presente, especialmente em um cenário no qual mísseis e drones seguem testando a defesa do país.
Você acha que o Gripen E pode mudar a força aérea da Ucrânia no longo prazo ou o prazo de entrega até 2030 reduz demais o impacto desse acordo? Comente sua opinião.
