Aquecimento intenso das águas do Pacífico na região Niño 1+2 perto do Peru e do Equador reforça projeções da MetSul, chama atenção da NOAA, aumenta temperaturas acima da média histórica e levanta dúvidas sobre possíveis reflexos climáticos no Brasil durante os próximos meses de 2026
O El Niño costeiro ganhou força em maio de 2026 no Oeste da América do Sul e passou a chamar atenção de meteorologistas por causa do aquecimento intenso das águas do Pacífico Leste.
O fenômeno avança junto aos litorais do Peru e do Equador, conforme projeções da MetSul Meteorologia, e ocorre na chamada região Niño 1+2, área usada no monitoramento oceânico.

Dados divulgados pela NOAA, agência de tempo e clima dos Estados Unidos, indicam anomalia de +2,1ºC pelo indicador tradicional ONI, valor compatível com El Niño costeiro de intensidade muito forte.
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A marca também representa o maior aquecimento regional desde 29 de novembro de 2023, quando o Pacífico ainda sentia os efeitos do último episódio de El Niño.
Aquecimento acelerado coloca a região Niño 1+2 no centro das análises
A elevação recente impressiona porque, há cerca de um mês, a anomalia pelo ONI estava em +1,3ºC.
Segundo a MetSul Meteorologia, águas muito quentes avançaram do Pacífico Oeste abaixo da superfície e emergiram no Pacífico Leste, intensificando o aquecimento costeiro.
As projeções indicam que as águas próximas ao Peru e ao Equador ainda podem aquecer mais nas próximas semanas.
Durante o El Niño de 2023 e 2024, essa mesma área chegou a registrar +3,5ºC na semana de 19 de julho de 2023, maior pico recente da região.
Diferença entre ONI e RONI muda leitura sobre a intensidade do fenômeno
A NOAA passou a usar, em 2026, o indicador RONI, que oferece uma leitura complementar ao método tradicional.
O ONI compara a temperatura do mar com uma média climatológica fixa de 30 anos.
O RONI, por sua vez, compara o Pacífico com a média da temperatura dos oceanos tropicais globais.
Por esse critério, enquanto o ONI aponta +2,1ºC, o RONI indica +1,3ºC, classificando o evento como moderado.
A diferença ocorre porque o planeta está mais aquecido, e o Pacífico nem sempre se destaca tanto diante dos demais trópicos.
El Niño costeiro tem efeito regional e não deve ser confundido com o fenômeno clássico
Apesar do nome parecido, o El Niño costeiro não é o mesmo que o El Niño clássico.
O fenômeno clássico ocorre quando o aquecimento atinge, de forma persistente, o Pacífico Central e Leste em grande escala.
Esse padrão altera a circulação atmosférica tropical, enfraquece os ventos alísios e desloca áreas de chuva, provocando impactos em diferentes continentes.
No Brasil, o El Niño clássico costuma aumentar a chuva no Sul e favorecer períodos mais secos no Norte e no Nordeste.
O El Niño costeiro, por outro lado, tem alcance mais regional, pois o aquecimento fica concentrado perto do Peru e do Equador.
Costa do Peru já registra temperaturas acima da média histórica
O Senamhi, agência de clima do Peru, informa que o El Niño Costero já altera o clima da costa peruana neste ano.
Cidades como Lima, Tumbes e Piura registram temperaturas acima da média histórica durante o outono.
No Norte peruano, as máximas já chegam a 35ºC, enquanto as madrugadas também ficam mais quentes que o normal.
Meteorologistas locais alertam que o inverno de 2026 deve ser atípico na costa peruana por causa desse padrão.
No lugar do frio intenso e do nevoeiro frequente, a tendência é de mais calor, mais sol e pouca chuva.
Ondas Kelvin reforçam tendência de oceano mais quente até junho
Especialistas explicam que ondas Kelvin quentes previstas para maio e junho ajudam a sustentar o aquecimento do Pacífico.
Áreas do Norte peruano, como Tumbes e Piura, podem registrar garoa isolada e aumento da umidade.
O cenário principal, porém, aponta para um inverno mais quente e menos parecido com o padrão tradicional da costa peruana.
O avanço do El Niño costeiro reforça a atenção sobre o Pacífico Leste e seus impactos regionais na América do Sul.
O fenômeno começou em fevereiro de 2026, enquanto o El Niño clássico seria declarado em junho, segundo o texto-base.
Agora, o grande ponto de atenção é saber até onde esse aquecimento localizado poderá influenciar o clima da América do Sul nos próximos meses. O que você acha que pode pesar mais: o impacto regional imediato ou a possibilidade de novos reflexos climáticos até o inverno?

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