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El Niño costeiro não é o El Niño clássico, mas já deixa uma pergunta no Brasil: o fenômeno pode alterar chuva, calor e inverno?

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 28/05/2026 às 01:58
Atualizado em 28/05/2026 às 02:00
Oceano agitado sob céu carregado ilustra o aquecimento do Pacífico Leste associado ao El Niño costeiro.
Mar agitado e nuvens densas representam os efeitos climáticos associados ao aquecimento das águas do Pacífico perto da América do Sul.
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Aquecimento intenso das águas do Pacífico na região Niño 1+2 perto do Peru e do Equador reforça projeções da MetSul, chama atenção da NOAA, aumenta temperaturas acima da média histórica e levanta dúvidas sobre possíveis reflexos climáticos no Brasil durante os próximos meses de 2026

O El Niño costeiro ganhou força em maio de 2026 no Oeste da América do Sul e passou a chamar atenção de meteorologistas por causa do aquecimento intenso das águas do Pacífico Leste.

O fenômeno avança junto aos litorais do Peru e do Equador, conforme projeções da MetSul Meteorologia, e ocorre na chamada região Niño 1+2, área usada no monitoramento oceânico.

Mapa climático mostra aquecimento intenso das águas do Pacífico próximo ao Peru e ao Equador durante avanço do El Niño costeiro em 2026.
Mapa climático mostra aquecimento intenso das águas do Pacífico próximo ao Peru e ao Equador durante avanço do El Niño costeiro em 2026. Imagem: NASA

Dados divulgados pela NOAA, agência de tempo e clima dos Estados Unidos, indicam anomalia de +2,1ºC pelo indicador tradicional ONI, valor compatível com El Niño costeiro de intensidade muito forte.

A marca também representa o maior aquecimento regional desde 29 de novembro de 2023, quando o Pacífico ainda sentia os efeitos do último episódio de El Niño.

Aquecimento acelerado coloca a região Niño 1+2 no centro das análises

A elevação recente impressiona porque, há cerca de um mês, a anomalia pelo ONI estava em +1,3ºC.

Segundo a MetSul Meteorologia, águas muito quentes avançaram do Pacífico Oeste abaixo da superfície e emergiram no Pacífico Leste, intensificando o aquecimento costeiro.

As projeções indicam que as águas próximas ao Peru e ao Equador ainda podem aquecer mais nas próximas semanas.

Durante o El Niño de 2023 e 2024, essa mesma área chegou a registrar +3,5ºC na semana de 19 de julho de 2023, maior pico recente da região.

Diferença entre ONI e RONI muda leitura sobre a intensidade do fenômeno

A NOAA passou a usar, em 2026, o indicador RONI, que oferece uma leitura complementar ao método tradicional.

O ONI compara a temperatura do mar com uma média climatológica fixa de 30 anos.

O RONI, por sua vez, compara o Pacífico com a média da temperatura dos oceanos tropicais globais.

Por esse critério, enquanto o ONI aponta +2,1ºC, o RONI indica +1,3ºC, classificando o evento como moderado.

A diferença ocorre porque o planeta está mais aquecido, e o Pacífico nem sempre se destaca tanto diante dos demais trópicos.

El Niño costeiro tem efeito regional e não deve ser confundido com o fenômeno clássico

Apesar do nome parecido, o El Niño costeiro não é o mesmo que o El Niño clássico.

O fenômeno clássico ocorre quando o aquecimento atinge, de forma persistente, o Pacífico Central e Leste em grande escala.

Esse padrão altera a circulação atmosférica tropical, enfraquece os ventos alísios e desloca áreas de chuva, provocando impactos em diferentes continentes.

No Brasil, o El Niño clássico costuma aumentar a chuva no Sul e favorecer períodos mais secos no Norte e no Nordeste.

O El Niño costeiro, por outro lado, tem alcance mais regional, pois o aquecimento fica concentrado perto do Peru e do Equador.

Costa do Peru já registra temperaturas acima da média histórica

O Senamhi, agência de clima do Peru, informa que o El Niño Costero já altera o clima da costa peruana neste ano.

Cidades como Lima, Tumbes e Piura registram temperaturas acima da média histórica durante o outono.

No Norte peruano, as máximas já chegam a 35ºC, enquanto as madrugadas também ficam mais quentes que o normal.

Meteorologistas locais alertam que o inverno de 2026 deve ser atípico na costa peruana por causa desse padrão.

No lugar do frio intenso e do nevoeiro frequente, a tendência é de mais calor, mais sol e pouca chuva.

Ondas Kelvin reforçam tendência de oceano mais quente até junho

Especialistas explicam que ondas Kelvin quentes previstas para maio e junho ajudam a sustentar o aquecimento do Pacífico.

Áreas do Norte peruano, como Tumbes e Piura, podem registrar garoa isolada e aumento da umidade.

O cenário principal, porém, aponta para um inverno mais quente e menos parecido com o padrão tradicional da costa peruana.

O avanço do El Niño costeiro reforça a atenção sobre o Pacífico Leste e seus impactos regionais na América do Sul.

O fenômeno começou em fevereiro de 2026, enquanto o El Niño clássico seria declarado em junho, segundo o texto-base.

Agora, o grande ponto de atenção é saber até onde esse aquecimento localizado poderá influenciar o clima da América do Sul nos próximos meses. O que você acha que pode pesar mais: o impacto regional imediato ou a possibilidade de novos reflexos climáticos até o inverno?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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