A economia da Índia registrou crescimento de 7,8% no trimestre encerrado em dezembro, superando previsões do mercado, após revisão na metodologia do PIB, aumento do consumo interno, expansão do setor manufatureiro e adaptação das exportações diante de tarifas comerciais internacionais
A economia da Índia registrou crescimento de 7,8% no trimestre encerrado em dezembro, superando previsões de mercado e reforçando o desempenho econômico após revisões metodológicas promovidas pelo governo, segundo dados oficiais divulgados após atualização da série estatística nacional.
A economia da Índia apresentou expansão superior à estimada por economistas consultados pela Reuters, que projetavam crescimento de 7,2% entre outubro e dezembro. O resultado foi divulgado após alterações estruturais na forma de cálculo da produção econômica nacional.
No trimestre anterior, o crescimento havia sido inicialmente estimado em 8,2%, mas foi revisado para 8,4% na nova série estatística adotada pelo governo indiano.
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A projeção oficial para o crescimento do Produto Interno Bruto no ano fiscal de 2026 também foi elevada para 7,6%, acima da estimativa anterior de 7,4%.
Revisão metodológica altera medição da economia da Índia
As mudanças foram introduzidas em janeiro pelo Ministério de Estatística e Implementação de Programas da Índia, conhecido como MoSPI, que reformulou as séries relacionadas ao PIB, inflação e produção industrial.
Segundo comunicado oficial, o objetivo foi fortalecer a qualidade, a credibilidade e a relevância dos dados utilizados na formulação de políticas públicas.
Como parte da atualização, a economia da Índia passou a adotar o ano-base de 2012 para o ano fiscal de 2023, substituindo parâmetros anteriores considerados desatualizados.
De acordo com Alexandra Hermann, economista-chefe da Oxford Economics, os dados do PIB superaram tanto as expectativas da instituição quanto o consenso do mercado.
A economista afirmou ainda que a nova metodologia oferece melhor representação dos segmentos econômicos que registram crescimento mais acelerado.
Segundo Hermann, essa mudança indica que a trajetória de crescimento medida poderá se tornar estruturalmente mais elevada dentro da nova série estatística adotada.
Consumo e investimento sustentam expansão da economia da Índia
Os dados oficiais indicam que tanto o consumo privado quanto a formação bruta de capital fixo cresceram acima de 7,0% no atual exercício financeiro.
O Ministério de Estatística e Implementação de Programas destacou que o setor manufatureiro tem desempenhado papel central na resiliência econômica ao longo dos três anos fiscais consecutivos após a reavaliação da base de cálculo.
O desempenho industrial foi apontado como principal motor da estabilidade observada na economia da Índia durante o período recente.
Durante o trimestre encerrado em dezembro, houve aumento seletivo no consumo interno, impulsionado principalmente pela compra de ouro e automóveis durante a temporada de festividades.
Esse movimento contribuiu para sustentar a atividade econômica doméstica no período analisado.
Questionamentos anteriores sobre dados econômicos e resposta institucional
Em relatório divulgado no ano anterior, o Fundo Monetário Internacional manifestou preocupação com a precisão dos dados econômicos apresentados pelo governo indiano.
O organismo atribuiu classificação “C” às estatísticas econômicas do país, considerada a segunda mais baixa em sua avaliação.
O FMI apontou limitações relacionadas ao uso de ano-base desatualizado, referente ao período 2011/12, além da utilização de índices de preços no atacado e métodos únicos de deflação no cálculo da inflação.
Segundo o relatório, esses fatores poderiam provocar distorções na medição da atividade econômica real.
Saurabh Garg, secretário do MoSPI, declarou em entrevista à mídia local que a nova série do PIB deverá responder à maior parte das preocupações levantadas pelo Fundo Monetário Internacional.
De acordo com Garg, a expectativa é que futuras avaliações internacionais revisem a classificação atribuída às contas nacionais da Índia.
Tarifas dos Estados Unidos e impacto nas exportações
O trimestre de dezembro também marcou o primeiro período completo em que exportadores indianos enfrentaram integralmente o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
As exportações da Índia passaram a sofrer tarifas de 50% desde agosto do ano anterior. Posteriormente, os dois países firmaram acordo comercial provisório que reduziu a taxa para 18%.
O cenário comercial sofreu nova alteração após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que proibiu grande parte do regime tarifário implementado pelo presidente Donald Trump.
Após a decisão judicial, Washington passou a aplicar tarifa global de 10%, mantendo a possibilidade de elevação futura.
Apesar do ambiente externo mais restritivo, relatório econômico divulgado no mês anterior indicou que o crescimento da economia da Índia não foi prejudicado pela desaceleração das exportações destinadas ao mercado norte-americano.
Setores exportadores encontram mercados alternativos
Entre os principais produtos exportados pela Índia estão têxteis, produtos marinhos, pedras preciosas e joias, autopeças e artigos de couro.
Esses segmentos foram diretamente afetados pelas tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos.
Segundo dados divulgados pelo governo indiano, os exportadores conseguiram redirecionar parte relevante dessas vendas para mercados alternativos.
A diversificação dos destinos comerciais contribuiu para reduzir os efeitos negativos das restrições tarifárias sobre o desempenho econômico geral.
Os dados reforçam que a economia da Índia manteve ritmo de crescimento elevado mesmo diante de mudanças no comércio internacional e ajustes metodológicos internos.
O conjunto das revisões estatísticas, expansão do consumo doméstico e adaptação do setor exportador compôs o cenário registrado no trimestre encerrado em dezembro, consolidando o resultado acima das projeções iniciais do mercado.
