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Primeira montadora do mundo a prometer 1.000 km reais com bateria de estado sólido já tem linha de produção montada, 50 carros rodando e data marcada para setembro de 2026

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 19/04/2026 às 06:15
SUV elétrico da Dongfeng com bateria de estado sólido e 1.000 km de autonomia
A Dongfeng promete ser a primeira montadora a entregar 1.000 km reais com bateria de estado sólido, com produção em massa marcada para setembro de 2026
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Com densidade de 350 Wh/kg, autonomia de 1.000 km, carregamento de 450 km em 5 minutos e produção marcada para setembro de 2026, a Dongfeng deu o passo que Toyota, BMW e Tesla ainda prometem — e já tem 50 carros rodando e 1,5 milhão de km percorridos

Enquanto as maiores montadoras do mundo ainda tratam a bateria de estado sólido como projeto de laboratório, uma fabricante chinesa já montou a linha de produção.

A Dongfeng Motor anunciou que vai iniciar a produção em massa de sua bateria de estado sólido com 350 Wh/kg de densidade energética em setembro de 2026.

Essa densidade significa, na prática, uma autonomia superior a 1.000 quilômetros com uma única carga.

O anúncio foi feito durante a World Power Battery Conference de 2025, e os números impressionam pela concretude: não são promessas de laboratório, são dados de uma frota real que já rodou 1,5 milhão de quilômetros em estradas chinesas.

Para comparação, a bateria de lítio convencional mais avançada do mercado tem densidade de 250-280 Wh/kg.

A Dongfeng está entregando 25% a 40% mais energia por quilo, o que muda completamente a equação dos carros elétricos.

Módulo de bateria de estado sólido sendo montado em fábrica chinesa
Linha piloto de 0,2 GWh já opera na China produzindo as baterias com 350 Wh/kg — quase o dobro das baterias de lítio líquido convencionais

A química por trás dos 350 Wh/kg

A bateria da Dongfeng não é uma evolução incremental — é uma mudança fundamental de arquitetura.

Ela utiliza um cátodo ternário de alta capacidade, um ânodo de silício-carbono e, no lugar do eletrólito líquido convencional, um eletrólito sólido de óxido-polímero.

A eliminação do eletrólito líquido é o que define uma bateria de “estado sólido” — e é também o que reduz drasticamente o risco de incêndio espontâneo que assombra as baterias de lítio atuais.

Com peso pouco superior a 500 quilos, o pacote atinge capacidade aproximada de 180 kWh.

Isso é suficiente para percorrer 1.000 km considerando eficiência média de 180 Wh por quilômetro — uma métrica realista para SUVs de médio porte.

Plataforma Mach Ultra-kV — 1.200 volts e motor de 30.000 rpm

A bateria sozinha não explica a autonomia.

A Dongfeng desenvolveu a plataforma “Mach Ultra-kV” com arquitetura de 1.200 volts — significativamente acima dos 400-800V usados pela maioria dos elétricos atuais.

O módulo de potência usa silício-carbeto (SiC) de 1.700V, desenvolvido internamente pela empresa.

O motor de alta velocidade gira a 30.000 rpm, extraindo cada watt disponível da bateria para maximizar o alcance real.

Dessa forma, não é apenas a bateria que entrega 1.000 km — é o sistema completo otimizado para eficiência.

450 km em 5 minutos — e o sistema é automático

A plataforma suporta carregamento a até 2 megawatts de uma única pistola de carregamento.

Na prática, isso significa 450 km de autonomia restaurados em apenas 5 minutos.

Para ter uma ideia, uma parada de banheiro numa rodovia leva mais tempo do que reabastecer o equivalente a São Paulo-Curitiba em autonomia.

Além disso, o sistema inclui carregamento automatizado e pagamento contactless integrado — o motorista não precisa sequer sair do carro.

A Dongfeng promete que cada segundo de carregamento recupera 2,5 km de autonomia — um número de marketing ambicioso, mas matematicamente compatível com a potência de 2 MW.

Estação de carregamento ultra-rápido de 2 MW
O sistema suporta carregamento a 2 MW — o equivalente a reabastecer São Paulo-Curitiba em 5 minutos, com pagamento contactless integrado

Funciona a menos 30 graus — onde baterias convencionais falham

Um dos maiores problemas dos carros elétricos é a perda dramática de autonomia no frio.

Baterias de lítio líquido convencionais retêm aproximadamente 60% da capacidade a -30°C.

Na prática, um carro que faz 400 km no verão passa a fazer apenas 240 km no inverno rigoroso.

A bateria da Dongfeng retém mais de 72% nas mesmas condições extremas.

São 12 pontos percentuais a mais — o que pode significar a diferença entre chegar ao destino ou ficar parado na estrada.

A bateria também passou em teste de câmara térmica a 170°C, bem acima do padrão chinês obrigatório de 130°C, demonstrando estabilidade térmica superior em cenários extremos.

Segurança: alerta 48 horas antes de qualquer problema

O pacote de bateria resiste a impactos de 1.500 joules — equivalente a uma queda de objeto pesado sobre o veículo.

Além disso, um sistema de monitoramento térmico em tempo real emite alerta de degradação com 48 horas de antecedência.

Na prática, o carro avisa o motorista dois dias antes de qualquer potencial problema térmico — tempo suficiente para ir a uma assistência com total tranquilidade.

Essa tecnologia de alerta precoce é possível porque o eletrólito sólido se comporta de forma mais previsível que o líquido, permitindo que sensores detectem alterações microscópicas na resist��ncia interna da bateria.

Veículo elétrico em teste de frio extremo a -30°C
Nos testes de frio extremo, a bateria de estado sólido manteve 72% de capacidade a -30°C — contra apenas 60% das baterias líquidas convencionais

De 2018 até hoje: 50 carros e 1,5 milhão de km nas estradas

A Dongfeng não está fazendo promessas vazias — ela tem resultados reais acumulados ao longo de 8 anos de desenvolvimento:

  • 2018: início da pesquisa em baterias de estado sólido
  • 2019: conclusão do primeiro sistema funcional de bateria
  • 2020: integração da tecnologia em um veículo real de demonstração
  • 2022: implantação da bateria no sedã Dongfeng E70 para testes em larga escala
  • 2022-2026: frota de 50 veículos de demonstração acumulou 1,5 milhão de quilômetros em 10 cidades de 6 províncias chinesas
  • Setembro 2026: início da produção em massa

A empresa já possui uma linha piloto de produção de 0,2 GWh em operação — prova de que a manufatura funciona, não apenas o protótipo.

Próxima geração: 500 Wh/kg com sulfeto

A Dongfeng não parou nos 350 Wh/kg.

A empresa já pesquisa uma bateria de próxima geração baseada em eletrólito de sulfeto, com densidade alvo de 500 Wh/kg.

Se alcançada, isso significaria autonomias superiores a 1.400 km com uma carga.

A vers��o com carregamento rápido da bateria atual de 350 Wh/kg está prevista para instalação piloto em veículos em dezembro de 2027.

A concorrência global — quem mais está na corrida

A Dongfeng não está sozinha.

Toyota promete baterias de estado sólido para 2027-2028, mas sem frota de demonstração comparável.

BMW e Volkswagen investem pesado com a QuantumScape, mas ainda estão na fase de protótipo.

Samsung SDI e LG Energy trabalham em baterias sólidas para múltiplos fabricantes.

Contudo, nenhuma delas tem 50 carros rodando há 4 anos com 1,5 milhão de km acumulados — e uma data de produção em massa marcada para daqui a meses.

Ressalvas

Setembro de 2026 ainda é uma data-alvo, não uma garantia confirmada.

Não há informação sobre quais modelos comerciais receberão a tecnologia ou se haverá distribuição fora da China inicialmente.

Os dados de autonomia e carregamento são baseados em condições ideais de teste, que podem divergir significativamente do uso real em trânsito urbano, com ar-condicionado e variações de temperatura.

Além disso, o custo da bateria de estado sólido não foi divulgado — e historicamente, baterias sólidas custam 2-3 vezes mais que as líquidas convencionais.

Ainda assim, o fato de a Dongfeng ter uma frota real com 1,5 milhão de km, linha piloto operante e data de produção marcada a coloca à frente de Toyota, BMW e Tesla na corrida mais importante da indústria automotiva — a bateria que vai tornar o carro elétrico definitivamente melhor que o a combustão.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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