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Do lixo do salão ao lago histórico: toneladas de cabelo humano são mergulhadas nos canais no México para capturar óleo, bactérias e metais pesados e depois ainda viram adubo que economiza água e melhora o solo por décadas ali

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 17/02/2026 às 19:37 Atualizado em 17/02/2026 às 23:58
Assista o vídeoEm Xochimilco, toneladas de cabelo limpam canais com água contaminada e depois reforçam o solo agrícola, unindo recuperação ambiental e cultivo local.
Em Xochimilco, toneladas de cabelo limpam canais com água contaminada e depois reforçam o solo agrícola, unindo recuperação ambiental e cultivo local.
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Em Xochimilco, toneladas de cabelo coletadas em salões são colocadas em redes submersas para absorver óleo, gorduras, coliformes fecais e metais pesados em canais pressionados pela urbanização; depois, o mesmo material passa a proteger hortaliças, reduzir evaporação e enriquecer o solo por anos, na produção local de comunidades agrícolas tradicionais.

As toneladas de cabelo que antes terminavam no lixo dos salões passaram a integrar uma estratégia ambiental em Xochimilco, no sul da Cidade do México, onde canais históricos sustentam cultivo e turismo, mas também acumulam contaminação causada por expansão urbana e atividades humanas ao longo de décadas.

No centro dessa iniciativa estão agricultores locais, organizações ambientais e profissionais de beleza que transformam descarte em insumo: o cabelo é submerso para capturar poluentes e, depois, reaproveitado na terra. A proposta combina descontaminação da água, apoio à agricultura tradicional e redução de desperdício urbano em um mesmo ciclo.

Xochimilco entre patrimônio agrícola e pressão ambiental

Xochimilco mantém vivas as chinampas, ilhas artificiais de origem pré-hispânica onde moradores continuam cultivando flores e hortaliças.

Esse sistema agrícola depende diretamente da qualidade da água, porque os canais não são apenas paisagem: eles estruturam o transporte, a irrigação e a produtividade local.

Com o avanço da mancha urbana, a dinâmica mudou. Produtos químicos, bactérias e resíduos se tornaram parte da rotina dos canais, pressionando espécies endêmicas e limitando o potencial produtivo das áreas de cultivo.

A frase do agricultor Agustín Galicia resume esse efeito: se a água estivesse em melhores condições, a produção poderia ser maior.

Como o cabelo entra na água e captura contaminantes

A operação funciona com coleta de fios em salões e preenchimento de redes finas que são submersas por cerca de dois meses.

Nesse período, o material atua como barreira de retenção para contaminantes presentes na água. O cabelo deixa de ser resíduo passivo e vira ferramenta de intervenção ambiental.

Segundo os responsáveis pela iniciativa, a aderência natural dos fios favorece a captura de óleo, gorduras, hidrocarbonetos, coliformes fecais e metais pesados.

O método não aparece como solução isolada para toda a crise, mas como uma resposta prática para reduzir parte da carga poluente enquanto outras medidas estruturais não avançam no mesmo ritmo.

Da filtragem à terra: a segunda vida do material

Depois de cumprir a primeira etapa nos canais, o cabelo retorna à produção agrícola. Em vez de descarte final, ele é aplicado como composto ao redor das hortaliças, em um uso que conecta limpeza da água e manejo do solo no mesmo território.

É um modelo de reaproveitamento em cadeia curta, com impacto local direto.

Os resultados relatados incluem redução de evaporação direta em 71%, menor demanda de água para irrigação e incorporação gradual de nutrientes ao solo.

A expectativa indicada pelos envolvidos é de melhoria de qualidade do terreno no horizonte de 10 a 20 anos, o que reforça o caráter de médio e longo prazo da iniciativa.

Quem sustenta a iniciativa no dia a dia

No campo, agricultores como Agustín Galicia, de 74 anos, mantêm o cultivo em chinampas há décadas e convivem com os efeitos concretos da água contaminada.

O deslocamento pelos canais em embarcações simples, com motores proibidos por causa da poluição, mostra que a logística local já impõe limites e exige soluções adaptadas ao território.

Na cidade, a participação dos salões fecha parte do ciclo. Rebecca Serur, fundadora de uma rede de salões, reuniu mais de 100 quilos de cabelo em 2025, mostrando escala urbana de coleta para abastecer o projeto.

A articulação entre setor de beleza, organização ambiental e agricultura tradicional cria um fluxo contínuo de material que antes era descartado sem aproveitamento.

O que essa experiência revela sobre economia circular real

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A força do caso está em transformar um passivo cotidiano em recurso técnico com duas funções: filtrar contaminantes e apoiar o manejo agrícola.

Não se trata de promessa abstrata de sustentabilidade; trata-se de uma cadeia operacional visível, com etapas definidas, atores identificáveis e efeitos observáveis no território.

Ao mesmo tempo, a experiência expõe limites importantes. Sem controle mais amplo da poluição urbana, o cabelo sozinho não resolve a degradação dos canais.

A iniciativa ganha potência quando é integrada a políticas de saneamento, fiscalização ambiental e proteção das áreas produtivas. Em outras palavras, o método funciona melhor como parte de um pacote de soluções, não como resposta única.

Xochimilco mostra que toneladas de cabelo podem deixar de representar lixo e passar a cumprir papel técnico em dois pontos críticos: água contaminada e solo agrícola pressionado.

A experiência também recoloca uma pergunta central para grandes cidades: o que hoje é descarte pode virar insumo ambientalmente útil quando há coordenação entre comunidades, setor privado e organizações locais?

No seu bairro, o cabelo cortado em salões ainda é tratado apenas como rejeito? Você apoiaria um projeto que usasse esse material para recuperar água e fortalecer a produção de alimentos? E, na prática, qual etapa você acha mais desafiadora: coleta urbana, tratamento nos canais ou aplicação agrícola no solo?

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Martadurval Costa
Martadurval Costa(@martadurvalcostagmail-com)
Member
18/02/2026 20:36

Claro.

Hercìlia Nascimento
Hercìlia Nascimento(@hercilianascimento536)
Member
18/02/2026 17:33

Cê loko que noia é essa?

Última edição em 4 meses atrás por Hercìlia Nascimento
RodolphoBaggio
RodolphoBaggio
18/02/2026 16:07

Em que momento que cabelos contaminados com metais pesados e coliformes fecais podem ser usados na compostagem de hortaliças???
Essa I.A. delirou …

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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