O principal instituto militar de Taiwan apresentou em Taipei três cães-robôs, um para reconhecimento, um para vigilância e um armado para apoio de fogo. Construídos sobre a plataforma da americana Ghost Robotics, eles podem patrulhar ilhas disputadas com a China, mas ainda não há compra confirmada.
Taiwan revelou suas mais novas máquinas de guerra autônomas em meio à tensão com a China: os cães-robôs. Na terça-feira (2), em Taipei, o principal instituto de pesquisa militar da ilha apresentou três versões dos quadrúpedes, uma para reconhecimento, uma para vigilância e uma armada, voltada ao apoio de fogo, com uma arma instalada na parte de cima da estrutura.
Os equipamentos são construídos sobre o Vision 60, robô quadrúpede da empresa americana Ghost Robotics, com sistemas desenvolvidos pelo próprio instituto, o NCSIST. Segundo Jen Kuo-kuang, vice-diretor de uma divisão de pesquisa do instituto, os militares de Taiwan já manifestaram interesse nos cães-robôs, embora nenhuma compra formal tenha sido fechada até agora.
As três versões dos cães-robôs de Taiwan

Cada um dos cães-robôs foi pensado para uma função diferente. A primeira versão é voltada para patrulha e vigilância, equipada com um sistema LiDAR tridimensional e câmeras de imagem térmica.
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Com isso, segundo o NCSIST, o robô consegue navegar sozinho, desviar de obstáculos, detectar fontes de calor e mapear o ambiente em tempo real, o que serve para a segurança de bases e o monitoramento noturno de instalações sensíveis.

A segunda versão é dedicada ao reconhecimento, com um sistema eletro-óptico que busca, identifica e rastreia alvos, enviando as informações para uma central inteligente de comando e controle. Já a terceira é a que mais chama atenção: a de apoio de fogo, que carrega uma estação de armas controlada remotamente nas costas.

Segundo o instituto, os sistemas de reconhecimento poderão, no futuro, se integrar a veículos terrestres não tripulados e a drones, formando uma espécie de rede de combate em três dimensões.
Por que Taiwan quer robôs para patrulhar ilhas no Mar do Sul da China
O destino pretendido para os cães-robôs ajuda a entender o projeto. A ideia é usá-los em ilhas controladas por Taiwan no disputado Mar do Sul da China, como os grupos que os taiwaneses chamam de Nansha, as Ilhas Spratly, e Dongsha, as Ilhas Pratas.
São postos avançados remotos e pouco povoados, guardados sobretudo pela Guarda Costeira, onde manter uma presença humana constante é difícil e arriscado.
Por isso, máquinas autônomas se tornam atraentes para tarefas de patrulha e inspeção. De acordo com Jen Kuo-kuang, os fuzileiros consideram que há necessidade premente desse tipo de apoio em praias e na linha costeira.
O movimento faz parte de um esforço maior de Taiwan para modernizar suas forças armadas e reforçar a dissuasão, em um momento em que, segundo autoridades da ilha, Pequim ampliou a presença de patrulhas e drones na região, alimentando o temor de uma futura invasão.
A plataforma americana e a cadeia não vermelha
Um ponto central é a origem da tecnologia. A base dos cães-robôs é o Vision 60, fabricado pela Ghost Robotics, uma grande fornecedora militar dos Estados Unidos, sobre a qual o NCSIST montou seus próprios sensores e sistemas de armas.
Segundo o instituto, optar por uma plataforma já consolidada acelera o desenvolvimento e ajuda a manter uma cadeia de suprimentos confiável, sem dependência de componentes chineses.
Esse cuidado tem nome: Jen Kuo-kuang falou em construir uma cadeia “não vermelha”, ou seja, livre de peças vindas da China, além de capacidade de produção local.
Vale notar que a Ghost Robotics, diferentemente de concorrentes como a Boston Dynamics, não proíbe que seus quadrúpedes sejam armados, o que explica por que os robôs da Ghost Robotics vêm aparecendo em programas militares pelo mundo.
Chips, guerra assimétrica e o que ainda não está decidido
O pano de fundo econômico é enorme. Taiwan é o maior fabricante de chips semicondutores do mundo, e um eventual conflito armado teria consequências econômicas difíceis de calcular para toda a cadeia global de tecnologia.
Os cães-robôs se encaixam na estratégia de guerra assimétrica da ilha, que busca usar tecnologias emergentes para compensar a diferença de tamanho em relação às forças da China.
Ainda assim, é preciso separar o anúncio do que de fato vai acontecer.
A versão de apoio de fogo coloca esses robôs em uma zona delicada, entre uma simples ferramenta de patrulha e uma arma autônoma, tema que gera debate ético e internacional.
E, por enquanto, apesar do interesse declarado dos militares, nenhuma compra ou implantação foi confirmada, de modo que os cães-robôs seguem na fase de protótipos demonstrados.
Pequim, vale lembrar, considera Taiwan parte de seu território, o que mantém a tensão sempre no horizonte.
Cães-robôs armados patrulhando ilhas em meio ao medo de uma invasão da China é o tipo de cena que parece ficção, mas já está sendo testada.
Conte nos comentários se você vê os cães-robôs como uma defesa inteligente ou como um passo perigoso rumo às armas autônomas.


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