Criador do iPhone, Jony Ive afirma em entrevista à Autocar que não utilizaria touchscreen como interface principal em veículos, critica a necessidade de desviar o olhar da estrada e comenta a expansão de telas de até 55 polegadas em modelos de Mercedes e Cadillac, além de sua atuação no Ferrari Luce EV
O designer do iPhone, Jony Ive, declarou em entrevista à Autocar que não utilizaria touchscreen como controle principal em carros, apesar de ter popularizado a tecnologia com o iPhone, hoje presente em modelos com telas de até 55 polegadas.
iPhone e a popularização do touchscreen
Reconhecido por liderar o design do iPhone, Jony Ive ajudou a transformar o touchscreen em interface dominante em dispositivos eletrônicos. A proposta original era resolver um problema: criar uma interface única e versátil capaz de funcionar como máquina de escrever, câmera ou qualquer outra ferramenta.
Segundo ele, a equipe optou pela tela sensível ao toque no iPhone para consolidar múltiplas funções em um único sistema de uso geral. A solução impulsionou a adoção da tecnologia em telefones, tablets e até eletrodomésticos.
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Críticas ao uso do touchscreen como controle principal no carro
Apesar de ter ajudado a popularizar o touchscreen com o iPhone, Ive afirmou que não teria escolhido essa tecnologia como interface principal em automóveis. Ele declarou à Autocar que jamais teria utilizado o toque como controle central dentro de um carro.
Para o designer, o problema está na necessidade de olhar para a tela. Ele afirmou que essa exigência torna o touchscreen inadequado como interface primária em veículos, pois demanda atenção visual constante.
Montadoras ampliam uso de telas no painel
Nos últimos anos, diversas montadoras investiram fortemente em telas internas. A Mercedes equipou o GLB com um conjunto de três telas, enquanto a Cadillac adotou um painel com tela de 55 polegadas.
Ao mesmo tempo, outras fabricantes demonstram recuo. Um conceito da Hyundai foi desenvolvido após o questionamento sobre a real necessidade de telas nos carros, sinalizando uma revisão de estratégia em parte do setor.
Ferrari Luce EV combina tela central e botões físicos
Ive integrou a equipe de design do interior do recém apresentado Ferrari Luce EV. O modelo inclui uma tela central única, mas mantém botões e comandos físicos.
Segundo ele, o touchscreen do Luce é “muito cuidadoso” em sua concepção, porém a maioria dos controles é física. Esses comandos podem ser diferenciados pelo tato, permitindo uso sem que o motorista desvie o olhar da estrada.
Tecnologia como tendência e fator de estilo
Mesmo não sendo entusiasta de sistemas de infotainment baseados exclusivamente em tela, Ive explicou por que tantas montadoras adotam a solução. Ele comparou a tecnologia à moda, afirmando que designers tendem a incorporar o que há de mais atual.
Esse pensamento, segundo ele, contribui para que as telas se tornem cada vez maiores e mais numerosas nos painéis. Apesar das críticas, o especialista indicou que não espera uma mudança imediata nesse cenário.
Ao comentar a evolução do iPhone e das interfaces digitais, Ive reforçou que cada tecnologia surge para solucionar um problema específico. No caso automotivo, ele considera que o touchscreen como controle principal pode não ser a escolha mais adequada, mesmmo com sua ampla adoção no mercado atual.

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