Parlamento húngaro aprovou, por unanimidade, uma redução nos salários e benefícios dos deputados em uma medida defendida pelo primeiro-ministro Péter Magyar.
Uma decisão política rara colocou a Hungria no centro das atenções na Europa.
Na segunda-feira, 8 de junho, parlamentares húngaros aprovaram por unanimidade um corte nos próprios salários e benefícios.
A proposta foi apresentada pelo partido governista Tisza, liderado pelo novo primeiro-ministro Péter Magyar.
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O governo afirma que a medida busca reduzir custos administrativos, diminuir privilégios e sinalizar uma nova postura diante das críticas à corrupção.
Segundo Magyar, a redução também deve ajudar a recompor os cofres públicos, que teriam sido esvaziados por anos de supostas práticas irregulares.
Corte salarial reduz ganhos de deputados em 40%
A votação contou com apoio total dos 189 deputados presentes na sessão.
O Parlamento húngaro possui 199 cadeiras.
Com a nova legislação, o salário-base mensal dos parlamentares será reduzido em 40% a partir do próximo mês.
O valor passará para cerca de 1,3 milhão de florins húngaros, aproximadamente R$ 22 mil brutos.
Mesmo após a redução, o salário continuará quase duas vezes acima da média nacional.
Durante o governo de Viktor Orbán, os ganhos dos deputados correspondiam a quase três vezes o salário médio do país.
Parlamentares com funções extras, como participação em comissões, ainda poderão receber valores maiores.
Benefícios também entram no corte
A mudança não atinge apenas os deputados.
O primeiro-ministro, o presidente do Parlamento e os integrantes de comissões parlamentares também terão os salários reduzidos.
O reembolso de contas de telefone celular será totalmente eliminado.
Auxílios destinados a aluguel de escritórios, moradia e contratação de funcionários também sofrerão cortes.
Segundo Magyar, a economia acumulada durante os quatro anos de mandato será equivalente a um ano inteiro de custos operacionais do Parlamento.
Péter Magyar acusa governo anterior de inflar salários
Péter Magyar acusava o antecessor Viktor Orbán de ter elevado salários para apaziguar deputados da oposição.
Na avaliação do novo premiê, a redução representa uma tentativa de demonstrar autocontenção na política.
Em entrevista à emissora privada RTL, Magyar afirmou que a medida envolve “humanidade, autocontenção e humildade”.
Na mesma ocasião, ele sugeriu que salários de prefeitos também deveriam ser reduzidos.
A proposta, porém, encontrou resistência entre alguns líderes locais.
Ex-aliado de Orbán virou crítico do antigo governo
Magyar tem perfil conservador e pró-União Europeia.
Até 2024, ele integrava o Fidesz, partido governista de Viktor Orbán.
O rompimento ocorreu após um escândalo envolvendo suspeita de encobrimento de abuso sexual em um abrigo para crianças.
Depois disso, Magyar denunciou corrupção sistêmica no governo.
Também criticou o domínio de uma pequena elite político-econômica sobre decisões importantes do país.
A entrevista viralizou e impulsionou sua projeção nacional.
Nas semanas seguintes, Magyar intensificou as críticas ao governo Orbán e iniciou a mobilização que levaria à criação do partido Tisza.
Corrupção teria gerado prejuízo bilionário
O custo da corrupção também entrou no centro do debate político húngaro.
Segundo estimativa de Ferenc Bíró, chefe do órgão anticorrupção do país, a corrupção sistêmica teria custado pelo menos 186 bilhões de euros à Hungria.
O cálculo considera os 16 anos de governo de Viktor Orbán.
A declaração foi dada ao grupo de jornalismo investigativo De Akciokozosseg.
O órgão anticorrupção foi criado em 2022 como parte das reformas adotadas para tentar liberar recursos da União Europeia.
Esses recursos estavam bloqueados devido a preocupações com o Estado de direito.
Investigação contra chefe anticorrupção aumenta tensão política
Em janeiro de 2025, investigadores realizaram uma operação de busca na sede do órgão anticorrupção.
Na ocasião, acusações de corrupção foram apresentadas contra Ferenc Bíró.
Em entrevista em vídeo publicada no domingo, Bíró afirmou que o então ministro da Justiça o orientou a não cumprir suas funções.
Segundo ele, o processo criminal atual ocorre porque houve recusa em obedecer à ordem.
Medida transforma privilégios políticos em debate nacional
O corte salarial aprovado na Hungria amplia a discussão sobre privilégios, gastos públicos e confiança nas instituições.
A decisão também reforça a estratégia de Péter Magyar de concentrar sua agenda em temas sensíveis para a população.
Entre eles estão inflação, baixos salários, precarização da saúde e combate à corrupção.
O governo agora tenta usar a redução dos próprios benefícios como símbolo político.
A medida ainda será observada pelos efeitos práticos sobre os cofres públicos e sobre a relação entre governo, Parlamento e sociedade.
Você acha que cortes nos salários de políticos ajudam a recuperar a confiança da população ou funcionam apenas como gesto simbólico? Deixe sua opinião!

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