Cenário histórico no mercado de biocombustíveis
O mercado brasileiro de etanol deve registrar em 2025/26 o primeiro déficit em 14 anos, conforme estimativa da Veeries.
A diferença entre produção e consumo deve ficar negativa em 890 milhões de litros até o fim da safra 2025/26.
No Centro-Sul, maior região produtora, o superávit deve cair para 2 bilhões de litros, o mais baixo desde 2016/17.
Produção abaixo do esperado e alta nos preços
O déficit — o primeiro desde 2011, quando houve forte quebra na safra de cana — não significa desabastecimento, segundo Fabio Meneghin, sócio da Veeries.
No entanto, a oferta mais apertada deve manter os preços elevados.
Em setembro de 2025, o etanol hidratado subiu 4% no Brasil, enquanto a gasolina variou apenas 0,6%, de acordo com a ANP.
Como resultado, a participação do etanol hidratado caiu para 30,8%, abaixo dos 32% registrados no mesmo período de 2024.
Impacto da safra de cana e avanço do milho
A alta do etanol reflete sucessivas frustrações na safra de cana-de-açúcar.
A produção deve encerrar 2025 com pelo menos 2 bilhões de litros a menos que o esperado, equivalente a um mês de consumo.
Em relação à safra anterior, a redução pode atingir 3 bilhões de litros.
Por outro lado, o etanol de milho cresceu acima do previsto, somando 9,1 bilhões de litros em 2025.
Esse crescimento representa um avanço de 1 bilhão em relação ao ciclo anterior.
Mesmo assim, esse aumento não cobre o déficit deixado pelo biocombustível de cana.
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Importações em alta e reação do mercado
Com o aperto entre oferta e demanda, as importações de etanol se tornaram mais atrativas.
Entre abril e agosto de 2025, o Brasil importou 150 milhões de litros, volume superior à média dos últimos cinco anos.
Apesar disso, Meneghin aponta que o impacto é limitado.
O espaço para ampliar o mix alcooleiro nas usinas é reduzido.
Além disso, o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina passou de 27,5% para 30% em agosto de 2025.
Esse fator contribuiu para a pressão nos preços.
Perspectivas para 2026/27
O déficit projetado pode se prolongar até março de 2026.
No entanto, a antecipação da moagem da próxima safra pode reduzir os impactos.
Segundo a Veeries, a produção total de etanol deve crescer 15% em 2026/27, alcançando 41,8 bilhões de litros.
A produção de cana deve recuperar os 2 bilhões de litros perdidos em 2025, chegando a 28,3 bilhões de litros.
Esse crescimento representa alta de 8%.
Já a oferta de etanol de milho deve avançar 35%, atingindo 13,2 bilhões de litros.
Nesse cenário, o market share do etanol hidratado pode se aproximar novamente dos 35% no consumo nacional.
