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Novo EV da Fiat, de R$ 77 mil, trará releitura do 147 e consumo equivalente a 70 km/l

Escrito por HOMERO GOTTARDELLO
Publicado em 02/06/2026 às 11:59
Atualizado em 02/06/2026 às 12:01
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Um novo EV compacto, chamado pelo codinome de ‘E-Car’, é a grande aposta da Stellantis para devolver a Fiat ao seu lugar de direito no mercado europeu. Num primeiro momento, o modelo que será uma espécie de gêmeo da segunda geração do T03, da Leapmotor, será restrito à Europa. No entanto, nada impede que ele migre para outras regiões. O Brasil teria preferência, neste caso, já que é o segundo maior mercado da marca.

Em 2025, a Fiat vendeu mais de 530 mil carros de passeio e comerciais leves no país. Isso superou com folga as 144 mil unidades vendidas, na Itália, e as 118 mil, na Turquia. Por enquanto, sabe-se que seu lançamento está programado para 2028. Além disso, ele custará menos de 17 mil euros no Velho Continente, ficando na casa dos R$ 77 mil.

Projeções conseguidas por nossa reportagem com exclusividade mostram o exterior e o interior de um modelo inspirado em um dos clássicos italianos, o Fiat 127. Este deu origem ao 147 produzido no Brasil a partir do final dos anos 70. Com ele, a marca inaugurou a fábrica de Betim (MG).

A versão das imagens tem duas portas, se diferenciando do Leapmotor T03 atual, de quatro portas. Além de mantê-los apartados, evitando canibalização, o novo ‘E-Car’ reinventaria o 127 como opção de mobilidade individual. Assim, preserva a essência de um subcompacto que – quer queira, quer não – impactou nos costumes e nas vidas de muitos motoristas.

Visto de frente, ele lembra a primeira geração do Fiat 147 brasileiro, do qual poucos se lembram. No entanto, a maioria das pessoas lembra apenas do Spazio, de segunda geração, que trazia faróis trapezoidais envolventes, em substituição ao conjunto óptico quadradinho, original. Na traseira, as lanternas verticais (retangulares) do “primo” 500 dão lugar para uma peça horizontal que une ambas as pontas. Além disso, há duas luzes baixas dentro do parachoque.

Subcompactos e inflexão

Apesar de o segmento dos subcompactos, onde se inseriam o Ford Ka e o próprio Cinquecento, ter praticamente desaparecido, na Europa, e dos compactos estarem perdendo participação, a Fiat espera inflexionar esta curva. Dessa forma, pretende retomar a liderança entre os citadinos, no Velho Continente.

O grande mote do ‘E-Car’ será o alcance de até 400 quilômetros, sem necessidade de recarga do novo pacote de baterias LFP (fosfato de ferro-lítio). O motor atual de 95 cv (70 kW) não deve ser substituído.

Porém, o gerenciamento por inteligência artificial (IA) fará com que seu consumo de eletricidade, que hoje equivale a 66,6 km/l de gasolina, melhore para mais de o equivalente a 70 km/l. Além disso, os tempos de recarga também devem baixar sensivelmente.

Dos cerca de 55 minutos que, hoje, garantem 180 km de alcance adicionais, a recuperação de 15% para 80% da capacidade levará menos de 30 minutos. Assim, isso asseguraria mais 320 km de autonomia.

Interior enxuto

Por dentro, o acabamento promete materiais superiores aos usados, hoje, no Panda – eu, pessoalmente, acredito que esta melhoria se resumirá aos campos visual e táctil.

O painel de instrumentos da projeção que trazemos conta com uma tela única, dividida em quadro de instrumentos e central de infotainment, e um leiaute bastante limpo, sem botões – os comandos ficam no volante multifuncional e na tela frontal sensível ao toque. Até mesmo o seletor da transmissão foi eliminado do console central, que exibe um pequenino freio de mão – não se sabe se elétrico ou mecânico.

Não é preciso ser engenheiro de produção para perceber a economia em todos os detalhes. Mas há que se fazer justiça: diante de seus adversários diretos, que serão o novo Twingo EV, da Renault, e o futuro Volkswagen ID.1 (versão comercial do conceito ID. Every1), o Fiat ‘E-Car’ parece apto à missão de revalorar a marca. Isso eleva a percepção dos consumidores para além da economia e da eficiência.

Com dimensões bastante compactas, o novo EV não deve ultrapassar os 3,60 metros de comprimento, com uma capacidade volumétrica de até 220 litros no porta-malas – que cresce para uns 800 l com o encosto do branco traseiro rebatido. Em termos de performance, segue valendo aquilo que os donos de veículos elétricos já sabem: são modelos que aceleram rápido, mas não alcançam velocidades astronômicas. Aqui, é de se esperar um valor na casa de 11,5 s, para os 0 a 100 km/h, e uma velocidade máxima inferior a 140 km/h. Nada mal para um carrinho que, nunca é demais lembrar, terá um consumo de eletricidade equivalente a 70 km/l.

Leapmotor e Brasil

Na parte industrial, o ‘E-Car’ dará sobrevida à fábrica de Pomigliano (Itália), que tem capacidade instalada para produzir 300 mil automóveis por ano. Porém, segundo os sindicatos italianos, só produziu 135 mil unidades em 2025, a maioria deles Pandas.

O fim da produção do Citroën C4 na planta de Villaverde, em Madri (Espanha), também abre espaço para a alocação de outro produto da parceria com a Leapmotor, em 2028. Sobre a Leapmotor, é importante deixar claro que o controle da Stellantis se limita à participação acionária de 21% e dois assentos no seu Conselho de Administração (presidido pelo fundador da marca, Zhu Jiangming).

Já sobre a Leapmotor International (LPMI), que é a joint venture de que falamos, a Stellantis detém 51% das ações. Isso é uma participação majoritária que lhe dá direitos exclusivos para nomear o CEO da companhia (no caso, Tianshu Xin). Além disso, pode fabricar, exportar e vender os produtos da Leapmotor globalmente, exceto na China.

Ou seja, o destino do ‘E-Car’ e seu possível – apesar de muito improvável – desembarque no Brasil está nas mãos da Stellantis – vulgo, da Fiat.

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02/06/2026 12:05

É isso que queremos ver, carros elétricos e uma competição acirrada pelos preços para que o consumidor saia ganhando

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HOMERO GOTTARDELLO

Jornalista com três décadas de experiência na cobertura do setor automotivo, Homero Gottardello também é advogado, atuando com Direito Societário e Concorrencial. É especialista em eletromobilidade, novas tecnologias, indústria, minerais críticos e de terras raras, além de regulação, legislação, relações institucionais e análise de mercado, com ênfase nas estratégias e na capitalização das montadoras. Com mais de 5.000 mil artigos publicados em portais, revistas e jornais, em mídia impressa, rádio, vídeo e redes, tem uma carreira no Jornalismo que percorre reportagem, edição e chefia de redação.

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