Jovem mineiro cria defensivo agrícola com água, sal e eletricidade, vence o Prêmio Jovens Cientistas 2025 e chama atenção da ciência brasileira.
Em fevereiro de 2025, um estudante de escola pública de Minas Gerais chamou atenção nacional ao vencer a categoria Ensino Médio do Prêmio Jovens Cientistas com um projeto que tenta reduzir dependência de agrotóxicos industriais usando apenas água, sal e eletricidade. O autor da invenção é Bernardo Souza Cordeiro, então com 19 anos, formado em Eletrônica pelo Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais, o Coltec-UFMG.
O dispositivo desenvolvido por Bernardo produz ácido hipocloroso por processo eletroquímico, criando um defensivo agrícola agroecológico com propriedades antimicrobianas sem utilizar produtos químicos industriais tradicionais. Segundo o estudante, a proposta foi pensada especialmente para pequenos produtores rurais que muitas vezes não conseguem acessar tecnologias agrícolas mais caras. Os detalhes da premiação foram divulgados pela Agência Brasil.
Projeto usa água, sal e eletricidade para gerar composto antimicrobiano
O funcionamento do dispositivo se baseia em um princípio relativamente conhecido da eletroquímica. Ao aplicar corrente elétrica em uma solução simples de água e sal, o sistema consegue produzir ácido hipocloroso, substância com propriedades antimicrobianas utilizadas em diferentes aplicações sanitárias e agrícolas.
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Segundo Bernardo Souza Cordeiro, a ideia surgiu da busca por uma alternativa de baixo custo que pudesse reduzir dependência de defensivos agrícolas convencionais. O diferencial do projeto está justamente na simplicidade dos insumos utilizados, dispensando formulações industriais complexas e utilizando materiais acessíveis para pequenos produtores.
Ácido hipocloroso vem sendo estudado em aplicações agrícolas e sanitárias
O ácido hipocloroso não é um composto novo na ciência, mas ganhou interesse crescente nos últimos anos devido ao seu potencial antimicrobiano. A substância pode atuar contra bactérias, fungos e outros microrganismos em determinadas aplicações controladas.
Além da agricultura, o composto também vem sendo estudado e utilizado em sanitização de superfícies, água e ambientes hospitalares. No caso do projeto premiado, o objetivo foi adaptar a produção do composto para uso agroecológico em pequena escala. Isso permitiu transformar um processo químico relativamente conhecido em uma solução portátil voltada à agricultura familiar.
Projeto nasceu dentro de curso técnico público da UFMG
Bernardo desenvolveu o projeto enquanto estudava no Coltec-UFMG, instituição técnica vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo a Agência Brasil, o trabalho foi orientado pelo professor Adriano Borges e surgiu dentro de um projeto agroecológico envolvendo IoT, sigla em inglês para “internet das coisas”.
A proposta inicial buscava alternativas tecnológicas que pudessem auxiliar pequenos agricultores sem elevar custos operacionais. O resultado foi um sistema que transforma eletricidade, água e sal em um agente antimicrobiano potencialmente aplicável no campo.
Pequenos produtores rurais eram alvo principal da invenção
Durante entrevistas após a premiação, Bernardo explicou que o foco principal do dispositivo era atender pequenos produtores rurais. Segundo ele, muitos agricultores familiares enfrentam dificuldades financeiras para acessar tecnologias agrícolas mais sofisticadas ou produtos de maior custo.
O estudante destacou que a intenção era criar uma solução acessível e relativamente simples de operar. Isso transformou o projeto em uma combinação de eletrônica, química e impacto social, fator que ajudou a destacar o trabalho dentro da premiação científica.
Prêmio Jovens Cientistas é uma das principais premiações científicas do país
O projeto venceu a categoria “Estudante do Ensino Médio” da 30ª edição do Prêmio Jovens Cientistas. A iniciativa é organizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em parceria com a Fundação Roberto Marinho.
A premiação busca incentivar produção científica entre jovens brasileiros e reconhecer projetos de impacto social, tecnológico e ambiental. Segundo a Agência Brasil, os vencedores receberam bolsas, computadores e premiações em dinheiro que variaram entre R$ 12 mil e R$ 40 mil.
Jovem foi aprovado em Engenharia de Controle e Automação na UFMG
Além da premiação científica, Bernardo também conquistou aprovação no curso de Engenharia de Controle e Automação da UFMG por meio do ENEM. Em entrevista reproduzida pela Agência Brasil, ele afirmou ter sido o primeiro da família a ingressar em uma universidade federal.
O estudante relatou que os pais ficaram orgulhosos da trajetória acadêmica, apesar de não terem ligação direta com a área tecnológica. A história acabou ganhando repercussão justamente pela combinação entre origem humilde, escola pública e inovação científica aplicada ao agro.
Processo eletroquímico transforma química invisível em tecnologia agrícola
O funcionamento do dispositivo depende diretamente de reações eletroquímicas. Quando a corrente elétrica atravessa a solução de água e sal, ocorre formação de compostos oxidantes, incluindo ácido hipocloroso.
Esse tipo de reação já é utilizado em diferentes sistemas industriais e laboratoriais, mas o projeto buscou adaptar o conceito para aplicação mais acessível e portátil. Na prática, o estudante transformou um princípio químico invisível em um equipamento voltado à realidade do campo brasileiro.
Agricultura busca alternativas mais sustentáveis e de menor impacto
O crescimento de projetos ligados a defensivos alternativos acompanha uma tendência maior no setor agrícola. Pesquisadores, startups e produtores vêm buscando métodos que reduzam impacto ambiental, dependência química e custos operacionais.
No entanto, especialistas destacam que tecnologias desse tipo precisam passar por validações técnicas, regulamentações e testes específicos antes de adoção ampla no mercado agrícola.
Isso significa que o projeto premiado deve ser visto como inovação experimental promissora, e não como substituição imediata de todos os defensivos agrícolas existentes.
Projeto mostra força crescente da ciência produzida em escolas públicas
A repercussão do trabalho de Bernardo também chamou atenção por outro motivo: o avanço da pesquisa aplicada em instituições públicas de ensino médio técnico. Nos últimos anos, estudantes brasileiros vêm conquistando espaço em olimpíadas científicas, feiras tecnológicas e premiações nacionais com projetos voltados a problemas reais.
O caso do defensivo eletroquímico se encaixa justamente nesse perfil de ciência prática conectada à realidade social e econômica do país. A combinação entre eletrônica, agroecologia e baixo custo transformou o projeto em um dos exemplos mais fortes da edição de 2025 do prêmio.
Você acredita que soluções agrícolas criadas por estudantes e pequenos inventores podem ganhar espaço real no campo brasileiro, ou tecnologias desenvolvidas por grandes indústrias ainda continuarão dominando quase todo o setor? Deixe sua opinião nos comentários.

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