Com apoio da Emater-MG, duas irmãs obtêm registro do Mapa para o Alambique Durvalina e profissionalizam a tradicional cachaça artesanal da família em Igarapé.
O Alambique Durvalina, localizado na área rural de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, conquistou sua regularização oficial perante o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e expandiu suas vendas para três municípios da região após passar por uma reestruturação completa. A mudança aconteceu quando as irmãs Aline e Renata Alves Pereira assumiram o controle administrativo da empresa, sucedendo o pai, João Alves Pereira, de 74 anos, que fundou o negócio há 43 anos.
Com o auxílio técnico da Emater-MG, a propriedade passou por reformas estruturais para se adequar às exigências legais, garantindo também a emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Esse novo arranjo gerencial uniu a tradição da cachaça artesanal com a gestão modernizada, permitindo que o patriarca se concentre exclusivamente no processo de destilação.
Certificação legal e a conquista do selo federal
O processo de adequação às normas sanitárias e governamentais foi o passo decisivo para o novo posicionamento da marca no mercado. Sob a coordenação da extensionista Carolina Vilela Moreira, as unidades local e central da Emater-MG orientaram os proprietários na execução de obras na infraestrutura do Sítio João Durval.
-
Moradores se juntam, tiram dinheiro do próprio bolso e constroem ponte de R$ 162 mil em Khost após pedidos ignorados às autoridades locais
-
Com apenas 12 anos, filho assume volante após mãe desmaiar, evita tragédia em rodovia e impressiona socorristas
-
Casal plantava comida no jardim de casa há 17 anos, até a prefeitura aparecer, mandar arrancar tudo e ameaçar multa
-
Cansados de esperar a prefeitura agir, moradores de Pancas juntam R$ 3.950 e constroem ponte de madeira para escoar café sem atravessar córrego
A obtenção da documentação exigida pelo governo federal representou o ponto alto do esforço familiar. Sobre a conclusão dessa etapa burocrática e a conquista do registro, a administradora Aline Alves Pereira declarou:
“A regularização é a concretização de todo o esforço dedicado. Seria impossível sem a dedicação de todos. É um mix de emoções: alívio, alegria e sensação de dever cumprido.”
A origem histórica e as variedades da bebida
A criação da destilaria ocorreu há mais de quatro décadas por necessidade financeira. Após enfrentar perdas severas no cultivo e comércio de hortaliças, João Alves Pereira decidiu mudar de ramo e apostar na produção de destilados.
Ele contou com o suporte técnico e o paladar apurado de seu pai, Durval, que atuava como degustador de cachaça. Para homenagear o avô de Aline e parceiro na fundação da empresa, o produto foi batizado com o nome de Durvalina.
Atualmente, o portfólio do alambique conta com dois tipos de bebidas destiladas bem definidos:
- Cachaça branca: Produto mantido em descanso e armazenado em tonéis de madeira de amendoim.
- Cachaça amarela: Versão que passa por processo de envelhecimento em barris de amburana.

Nova divisão de tarefas e expansão comercial
A sobrevivência do patrimônio familiar foi consolidada quando Aline Alves Pereira, tecnóloga em Gestão Ambiental, decidiu abdicar de sua carreira corporativa para retornar ao campo. Ela se uniu à irmã, Renata Alves Pereira, dividindo as funções de escritório, finanças e logística de distribuição.
Essa organização administrativa permitiu que o trabalho de campo ficasse sob a responsabilidade de uma equipe focada na produção. O fundador João monitora diariamente as etapas da destilação, contando com o apoio operacional de um primo da família e de um funcionário contratado, que gerenciam as lavouras de cana-de-açúcar.
Essa engrenagem comercial abastece pontos de venda em três cidades integradas:
- Igarapé
- São Joaquim de Bicas
- Juatuba
A integração entre as diferentes gerações da família trouxe impactos diretos para o negócio.
Segundo a avaliação da extensionista Carolina Vilela Moreira, o entendimento mútuo entre o pai e suas filhas gerou transformações profundas na rotina do alambique, otimizando a organização dos processos de trabalho e elevando o padrão de qualidade da cachaça artesanal.
A técnica reforça que o sucesso do empreendimento comprova a consolidação do espaço feminino nas cadeias produtivas do meio rural, trazendo novas perspectivas e dinamismo para o setor.
Fonte: Agro em Campo
