1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Holandês criou uma máquina que é bateria e eletrolisador ao mesmo tempo, guarda energia solar e eólica de dia e fabrica hidrogênio quando enche, e já captou 30 milhões de euros após piloto de 1 MW
Faça um comentário 5 min de leitura

Holandês criou uma máquina que é bateria e eletrolisador ao mesmo tempo, guarda energia solar e eólica de dia e fabrica hidrogênio quando enche, e já captou 30 milhões de euros após piloto de 1 MW

Imagem de perfil do autor Bruno Teles
Escrito por Bruno Teles Publicado em 29/06/2026 às 21:27 Atualizado em 29/06/2026 às 21:29
A Battolyser, de Mattijs Slee, é um eletrolisador e bateria que faz hidrogênio: armazenamento de energia solar e eólica, €30 mi e piloto de 1 MW na RWE.
A Battolyser, de Mattijs Slee, é um eletrolisador e bateria que faz hidrogênio: armazenamento de energia solar e eólica, €30 mi e piloto de 1 MW na RWE.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Na Holanda, o CEO Mattijs Slee comanda a Battolyser, uma máquina que é bateria e eletrolisador ao mesmo tempo: faz o armazenamento de energia solar e eólica de dia e, quando enche, vira uma bateria que faz hidrogênio. Captou 30 milhões de euros e, após o piloto de 1 MW na RWE, prepara módulos maiores.

E se uma única máquina pudesse guardar a energia do sol e do vento e, quando estivesse cheia, começar a fabricar hidrogênio? Foi exatamente isso que a empresa holandesa Battolyser Systems, liderada pelo CEO Mattijs Slee, colocou de pé. O aparelho funciona como bateria e como eletrolisador ao mesmo tempo, dois equipamentos num só. Na prática, é uma bateria que faz hidrogênio: armazena energia renovável durante o dia e, ao encher, passa a quebrar a água e produzir hidrogênio.

A empresa acaba de captar 30 milhões de euros para acelerar a tecnologia, segundo o Hydrogen Tech World. Depois de um piloto industrial de 1 MW numa usina da gigante de energia RWE, na Holanda, a Battolyser prepara módulos maiores, de 2,5 e 5 MW, para chegar à escala de fábricas e da rede elétrica. Não é protótipo de laboratório: é armazenamento de energia e hidrogênio mirando a indústria pesada.

Uma máquina que é bateria e fábrica de hidrogênio

 A Battolyser, de Mattijs Slee, é um eletrolisador e bateria que faz hidrogênio: armazenamento de energia solar e eólica, €30 mi e piloto de 1 MW na RWE.
O nome do aparelho já entrega a sacada: Battolyser, a junção de bateria com eletrolisador.

A ideia é unir num só equipamento duas funções que normalmente exigem máquinas separadas.

De um lado, ele guarda eletricidade como uma bateria comum; de outro, funciona como eletrolisador, quebrando a água para liberar hidrogênio. Quando a bateria interna está cheia e ainda sobra energia, em vez de desperdiçar, o sistema usa esse excedente para fazer hidrogênio.

É aí que ele vira, literalmente, uma bateria que faz hidrogênio. Dois problemas da transição energética resolvidos pela mesma caixa.

De dia guarda energia, depois faz hidrogênio

O funcionamento acompanha o ritmo das energias limpas. Durante o dia, quando sol e vento produzem de sobra, a Battolyser faz o armazenamento de energia, guardando o excedente como qualquer bateria.

Quando a carga chega ao limite e a energia continua entrando, o aparelho não para: ele aciona o modo eletrolisador e começa a produzir hidrogênio. Assim, nada se perde, porque a energia que sobraria vira combustível guardável em forma de hidrogênio.

É essa flexibilidade que faz a bateria que faz hidrogênio ser tão interessante para quem depende de fontes que variam ao longo do dia.

Feita de níquel e ferro, sem materiais raros

Um detalhe técnico explica boa parte do apelo. A Battolyser é construída sobre uma química de níquel e ferro, materiais baratos e abundantes, e não depende de metais raros e caros como o lítio.

Essa é uma vantagem enorme num mundo que disputa materiais críticos para baterias e eletrolisadores. A base é uma química antiga, do tipo de bateria que o próprio Thomas Edison ajudou a popularizar, agora reinventada.

Usar ferro e níquel deixa o sistema mais barato e mais fácil de escalar. É tecnologia robusta com matéria-prima que não falta.

Quem é Mattijs Slee e a Battolyser Systems

Por trás da empresa há um time apostando em indústria pesada. Mattijs Slee é o CEO da Battolyser Systems, scale-up de tecnologia profunda com sede em Rotterdam, na Holanda.

Sob o comando de Mattijs Slee, a empresa saiu do laboratório para um piloto industrial de verdade em poucos anos. A Battolyser Systems nasceu para atacar de uma vez dois gargalos das energias limpas: como guardar o excedente e como produzir hidrogênio verde em escala.

Não é uma startup de aplicativo, e sim de equipamento físico pesado. E Mattijs Slee está à frente dessa virada.

€30 milhões e o piloto de 1 MW na RWE

A tecnologia já passou pelo teste mais difícil: rodar fora do laboratório. A Battolyser captou 30 milhões de euros numa rodada de investimento para acelerar a produção.

O grande marco foi o piloto industrial de 1 MW instalado na usina Magnum, da gigante alemã de energia RWE, em Eemshaven, na Holanda, segundo a Offshore Energy. Provar o sistema numa usina de verdade é o que abre a porta para a escala.

Agora a empresa prepara módulos maiores, de 2,5 e 5 MW. De 1 MW para 5 MW, o salto mira o tamanho que a indústria precisa.

Por que isso importa para fábricas e rede

O alcance da ideia vai além de uma boa máquina. A rede elétrica sofre quando sol e vento produzem demais num momento e de menos em outro, e o armazenamento de energia é a peça que falta para equilibrar isso.

Ter um equipamento que guarda energia e ainda fabrica hidrogênio dá às fábricas e à rede duas soluções num só investimento. Muitas indústrias precisam de hidrogênio como insumo e de eletricidade estável ao mesmo tempo.

A Battolyser promete entregar os dois, aproveitando a energia renovável que hoje muitas vezes é desperdiçada. É flexibilidade valiosa num sistema cada vez mais dependente de fontes limpas.

O que a Battolyser mostra

A maior lição é que armazenar energia e produzir hidrogênio podem ser o mesmo gesto. Mattijs Slee e a Battolyser mostram que uma bateria que faz hidrogênio pode resolver dois problemas da transição energética de uma vez.

Vale, claro, manter o pé no chão. A tecnologia ainda está saindo do piloto de 1 MW para módulos maiores, e provar desempenho e custo em escala industrial é o desafio que falta, então é uma promessa avançada, não uma solução já espalhada.

Ainda assim, ver um eletrolisador que também é bateria, feito de níquel e ferro e testado numa usina da RWE, é o tipo de inovação que pode mudar como guardamos energia limpa. Do excedente do sol e do vento ao hidrogênio para a indústria, a Battolyser tenta fechar essa conta, e prova que, às vezes, a melhor solução é juntar duas máquinas numa só.

E você, sabia que já existe uma bateria capaz de fabricar hidrogênio quando enche? Conta pra gente nos comentários o que acha desse tipo de armazenamento de energia limpa.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x