Na Holanda, o CEO Mattijs Slee comanda a Battolyser, uma máquina que é bateria e eletrolisador ao mesmo tempo: faz o armazenamento de energia solar e eólica de dia e, quando enche, vira uma bateria que faz hidrogênio. Captou 30 milhões de euros e, após o piloto de 1 MW na RWE, prepara módulos maiores.
E se uma única máquina pudesse guardar a energia do sol e do vento e, quando estivesse cheia, começar a fabricar hidrogênio? Foi exatamente isso que a empresa holandesa Battolyser Systems, liderada pelo CEO Mattijs Slee, colocou de pé. O aparelho funciona como bateria e como eletrolisador ao mesmo tempo, dois equipamentos num só. Na prática, é uma bateria que faz hidrogênio: armazena energia renovável durante o dia e, ao encher, passa a quebrar a água e produzir hidrogênio.
A empresa acaba de captar 30 milhões de euros para acelerar a tecnologia, segundo o Hydrogen Tech World. Depois de um piloto industrial de 1 MW numa usina da gigante de energia RWE, na Holanda, a Battolyser prepara módulos maiores, de 2,5 e 5 MW, para chegar à escala de fábricas e da rede elétrica. Não é protótipo de laboratório: é armazenamento de energia e hidrogênio mirando a indústria pesada.
Uma máquina que é bateria e fábrica de hidrogênio

A ideia é unir num só equipamento duas funções que normalmente exigem máquinas separadas.
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De um lado, ele guarda eletricidade como uma bateria comum; de outro, funciona como eletrolisador, quebrando a água para liberar hidrogênio. Quando a bateria interna está cheia e ainda sobra energia, em vez de desperdiçar, o sistema usa esse excedente para fazer hidrogênio.
É aí que ele vira, literalmente, uma bateria que faz hidrogênio. Dois problemas da transição energética resolvidos pela mesma caixa.
De dia guarda energia, depois faz hidrogênio
O funcionamento acompanha o ritmo das energias limpas. Durante o dia, quando sol e vento produzem de sobra, a Battolyser faz o armazenamento de energia, guardando o excedente como qualquer bateria.
Quando a carga chega ao limite e a energia continua entrando, o aparelho não para: ele aciona o modo eletrolisador e começa a produzir hidrogênio. Assim, nada se perde, porque a energia que sobraria vira combustível guardável em forma de hidrogênio.
É essa flexibilidade que faz a bateria que faz hidrogênio ser tão interessante para quem depende de fontes que variam ao longo do dia.
Feita de níquel e ferro, sem materiais raros
Um detalhe técnico explica boa parte do apelo. A Battolyser é construída sobre uma química de níquel e ferro, materiais baratos e abundantes, e não depende de metais raros e caros como o lítio.
Essa é uma vantagem enorme num mundo que disputa materiais críticos para baterias e eletrolisadores. A base é uma química antiga, do tipo de bateria que o próprio Thomas Edison ajudou a popularizar, agora reinventada.
Usar ferro e níquel deixa o sistema mais barato e mais fácil de escalar. É tecnologia robusta com matéria-prima que não falta.
Quem é Mattijs Slee e a Battolyser Systems
Por trás da empresa há um time apostando em indústria pesada. Mattijs Slee é o CEO da Battolyser Systems, scale-up de tecnologia profunda com sede em Rotterdam, na Holanda.
Sob o comando de Mattijs Slee, a empresa saiu do laboratório para um piloto industrial de verdade em poucos anos. A Battolyser Systems nasceu para atacar de uma vez dois gargalos das energias limpas: como guardar o excedente e como produzir hidrogênio verde em escala.
Não é uma startup de aplicativo, e sim de equipamento físico pesado. E Mattijs Slee está à frente dessa virada.
€30 milhões e o piloto de 1 MW na RWE
A tecnologia já passou pelo teste mais difícil: rodar fora do laboratório. A Battolyser captou 30 milhões de euros numa rodada de investimento para acelerar a produção.
O grande marco foi o piloto industrial de 1 MW instalado na usina Magnum, da gigante alemã de energia RWE, em Eemshaven, na Holanda, segundo a Offshore Energy. Provar o sistema numa usina de verdade é o que abre a porta para a escala.
Agora a empresa prepara módulos maiores, de 2,5 e 5 MW. De 1 MW para 5 MW, o salto mira o tamanho que a indústria precisa.
Por que isso importa para fábricas e rede
O alcance da ideia vai além de uma boa máquina. A rede elétrica sofre quando sol e vento produzem demais num momento e de menos em outro, e o armazenamento de energia é a peça que falta para equilibrar isso.
Ter um equipamento que guarda energia e ainda fabrica hidrogênio dá às fábricas e à rede duas soluções num só investimento. Muitas indústrias precisam de hidrogênio como insumo e de eletricidade estável ao mesmo tempo.
A Battolyser promete entregar os dois, aproveitando a energia renovável que hoje muitas vezes é desperdiçada. É flexibilidade valiosa num sistema cada vez mais dependente de fontes limpas.
O que a Battolyser mostra
A maior lição é que armazenar energia e produzir hidrogênio podem ser o mesmo gesto. Mattijs Slee e a Battolyser mostram que uma bateria que faz hidrogênio pode resolver dois problemas da transição energética de uma vez.
Vale, claro, manter o pé no chão. A tecnologia ainda está saindo do piloto de 1 MW para módulos maiores, e provar desempenho e custo em escala industrial é o desafio que falta, então é uma promessa avançada, não uma solução já espalhada.
Ainda assim, ver um eletrolisador que também é bateria, feito de níquel e ferro e testado numa usina da RWE, é o tipo de inovação que pode mudar como guardamos energia limpa. Do excedente do sol e do vento ao hidrogênio para a indústria, a Battolyser tenta fechar essa conta, e prova que, às vezes, a melhor solução é juntar duas máquinas numa só.
E você, sabia que já existe uma bateria capaz de fabricar hidrogênio quando enche? Conta pra gente nos comentários o que acha desse tipo de armazenamento de energia limpa.
