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Scott Nolan recebeu US$ 900 milhões do governo dos EUA para fabricar o urânio enriquecido dos reatores do futuro e tirar o país da dependência de Rússia e China no combustível nuclear

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 29/06/2026 às 21:22 Atualizado em 29/06/2026 às 21:27
US$ 900 mi à General Matter, de Scott Nolan, para o HALEU: o urânio para reatores avançados que recoloca os EUA na corrida do combustível nuclear.
US$ 900 mi à General Matter, de Scott Nolan, para o HALEU: o urânio para reatores avançados que recoloca os EUA na corrida do combustível nuclear.
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Nos Estados Unidos, o governo destinou US$ 900 milhões à General Matter, empresa cofundada por Scott Nolan, para produzir em casa o HALEU, o urânio para reatores avançados que move os reatores do futuro: a meta é recolocar os EUA na corrida do combustível nuclear, hoje dominada por Rússia e China.

Os reatores nucleares da próxima geração precisam de um combustível especial que os Estados Unidos quase não fabricam. Para mudar isso, o governo americano acaba de colocar US$ 900 milhões na mesa. O dinheiro foi destinado à General Matter, empresa cofundada por Scott Nolan, com uma missão clara: produzir em solo americano o urânio para reatores avançados. A aposta é tirar os EUA da dependência de Rússia e China e recolocar o país na corrida do combustível nuclear do futuro.

O contrato foi anunciado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, o DOE, segundo a PR Newswire. O alvo é o HALEU, um tipo de urânio enriquecido que os reatores avançados precisam e que hoje só é fabricado em escala comercial por russos e chineses. Não é curiosidade de laboratório: é suprimento industrial estratégico para a energia do país.

US$ 900 milhões para um combustível raro

US$ 900 mi à General Matter, de Scott Nolan, para o HALEU: o urânio para reatores avançados que recoloca os EUA na corrida do combustível nuclear.
O número impressiona pelo tamanho e pelo destino.

O DOE destinou US$ 900 milhões à General Matter para fortalecer a produção doméstica de combustível nuclear avançado nos Estados Unidos.

Esse valor faz parte de um programa maior, de US$ 2,7 bilhões, em que o governo americano também premiou outras duas empresas do setor de enriquecimento. Ou seja, os EUA estão jogando pesado para reconstruir uma cadeia que tinham deixado de lado.

A General Matter ficou com uma das maiores fatias. É dinheiro público apostando que a indústria privada vai dar conta de um problema de segurança nacional.

O que é o HALEU e por que os reatores do futuro precisam dele

O combustível no centro de tudo tem um nome técnico: HALEU. A sigla, em inglês, significa urânio pouco enriquecido de alto teor, um tipo de urânio enriquecido a um nível mais alto que o dos reatores comuns, mas ainda abaixo do grau militar.

A maioria dos reatores avançados, como os pequenos reatores modulares, foi projetada para rodar com HALEU, e não com o combustível das usinas tradicionais. Sem esse urânio para reatores avançados, boa parte da nova geração nuclear simplesmente não sai do papel.

É por isso que o HALEU virou peça-chave. Garantir urânio para reatores avançados é garantir o futuro da energia nuclear.

Só Rússia e China fabricam hoje

Aqui está o problema que assusta os americanos. Atualmente, apenas a Rússia e a China produzem HALEU em escala comercial, o que coloca a energia e a segurança nacional dos EUA nas mãos de rivais.

Depender de adversários geopolíticos para o combustível nuclear dos próprios reatores é um risco que Washington quer eliminar. Foi essa fragilidade que motivou o investimento bilionário.

Reconstruir a capacidade de enriquecimento dentro de casa reduz a dependência estrangeira e fortalece a indústria nuclear americana. O combustível nuclear virou também questão de soberania.

Quem é Scott Nolan e a General Matter

Por trás da empreitada há um nome do mundo da tecnologia e do investimento. Scott Nolan é um dos fundadores da General Matter, empresa criada justamente para devolver aos EUA a capacidade de enriquecer urânio.

Para Scott Nolan, o contrato é, nas palavras dele, um momento decisivo para a segurança energética e a liderança americana. A General Matter não é uma estatal, e sim uma empresa privada apostando num mercado que o governo quer ver crescer.

Juntar capital privado com dinheiro e urgência do Estado é a fórmula da vez no setor. E Scott Nolan está no centro dessa aposta.

A fábrica em Paducah e a meta dos anos 2030

O projeto já tem endereço e cronograma. A General Matter vai cumprir o contrato numa usina de enriquecimento comercial em Paducah, no estado de Kentucky, no terreno de uma antiga planta de difusão gasosa.

A obra começou em agosto, e os US$ 900 milhões vão acelerar a construção e a partida da fábrica, segundo a Power Magazine. A meta é ambiciosa: a empresa acredita que poderá suprir toda a demanda doméstica de HALEU dos EUA já no começo da década de 2030.

Reaproveitar uma planta nuclear antiga para fabricar o combustível do futuro tem um simbolismo forte. De terreno histórico a fábrica estratégica, o salto está traçado.

Por que isso recoloca os EUA na corrida nuclear

A jogada vai muito além de uma fábrica. A energia nuclear voltou ao centro do debate como fonte limpa e constante, e os reatores avançados são a grande aposta para a próxima onda.

Sem combustível nuclear próprio, os EUA ficariam para trás justamente quando o setor promete crescer. Garantir HALEU em casa destrava projetos de reatores que estavam parados esperando combustível.

Também ajuda a baixar custos para concessionárias e consumidores no longo prazo. É a peça que faltava para os EUA disputarem de igual para igual a corrida nuclear global.

O que o caso da General Matter mostra

A maior lição é que combustível é tão estratégico quanto o reator. Scott Nolan e a General Matter mostram que de nada adianta projetar reatores avançados se não houver urânio para reatores avançados disponível em casa.

Vale, claro, manter o pé no chão. Os US$ 900 milhões aceleram a obra, mas a fábrica ainda precisa ser construída e provar que entrega o HALEU prometido, e a meta de suprir todo o país é para o começo dos anos 2030, não para amanhã.

Ainda assim, ver o governo americano injetar quase um bilhão de dólares para reconstruir a produção de combustível nuclear é o tipo de movimento que redesenha o mapa da energia. Do urânio à usina, os EUA querem voltar a controlar a própria cadeia nuclear, e provam que, na corrida da energia do futuro, quem domina o combustível larga na frente.

E você, sabia que os reatores nucleares do futuro dependem de um urânio que poucos países fabricam? Conta pra gente nos comentários o que acha do retorno da energia nuclear como aposta estratégica.

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Bruno Teles

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