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De ex-PagBank ao “fala comigo, Jota”: o brasileiro que quer aposentar a maquininha, criar o pagamento por voz, transformar o celular em terminal de cartão e mirar bilhões em transações sem o cliente nem abrir o app do banco

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Escrito por Ana Alice Publicado em 10/04/2026 às 23:57
Assista o vídeoStartup criada por ex-executivo do PagBank lança pagamento por voz no celular e aposta em cobrança sem maquininha para lojistas. (Imagem: Divulgação/Exame)
Startup criada por ex-executivo do PagBank lança pagamento por voz no celular e aposta em cobrança sem maquininha para lojistas. (Imagem: Divulgação/Exame)
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Nova aposta da Jota leva cobrança por aproximação com comando de voz ao celular e amplia a disputa entre fintechs por soluções que prometem reduzir etapas operacionais na rotina de autônomos, lojistas e pequenos empreendedores.

A Jota, startup criada pelo cearense Davi Holanda, lançou um aplicativo que transforma o celular em terminal de pagamento por aproximação e acrescenta comando por voz ao processo de cobrança.

O recurso, chamado Fala Tap, combina a tecnologia de tap to phone com uma interface de inteligência artificial conversacional.

Segundo a empresa, a proposta é reduzir etapas operacionais na rotina de autônomos, lojistas e pequenos empreendedores na hora de cobrar, receber e organizar o caixa.

O lançamento ocorre em um momento em que parte das fintechs passou a mirar não apenas o meio de pagamento, mas também a operação financeira do dia a dia.

Depois da popularização dos cartões, da digitalização da carteira no celular e do avanço do Pix, empresas do setor começaram a direcionar produtos para tarefas como cobrança, conciliação e gestão de recebíveis.

Nesse contexto, a Jota tenta se posicionar com uma oferta baseada em conversas por voz, texto e envio de arquivos.

WhatsApp, celular e pagamento por aproximação

A empresa iniciou a operação com foco no WhatsApp, plataforma que, segundo Davi Holanda, ocupa um espaço central na comunicação entre pequenos negócios e clientes no Brasil.

A partir dessa leitura, a startup estruturou serviços voltados a tarefas como pagar boletos, fazer Pix, gerar cobranças e consultar movimentações financeiras dentro de uma interface conversacional.

Com o novo aplicativo, a companhia amplia a atuação para além do mensageiro, mas mantém a mesma lógica de uso.

No Fala Tap, a cobrança pode começar por voz.

Em vez de preencher manualmente cada campo, o vendedor informa o valor e a modalidade de pagamento, e o sistema organiza a transação para o pagamento por aproximação.

A base técnica usada pela empresa não é nova no mercado.

O tap to phone, também chamado de tap on phone, já permite que smartphones com tecnologia NFC operem como terminais de pagamento sem a necessidade de maquininha.

O diferencial apresentado pela Jota está na camada conversacional aplicada a esse processo.

A startup afirma que se trata da primeira solução desse tipo com comando de voz no celular.

Esse ponto, no entanto, aparece como informação da própria empresa e não teve confirmação independente em bases públicas consultadas.

A trajetória de Davi Holanda e a proposta da Jota

A trajetória de Davi Holanda no setor ajuda a explicar a tese da empresa.

Antes de fundar a Jota, ele passou pelo PagBank e pela Bankly.

Em entrevistas e materiais institucionais, o executivo afirma que a experiência anterior mostrou que produtos como conta digital, crédito e recebimento eletrônico não eliminaram o trabalho administrativo que continua concentrado, em muitos casos, no dono do negócio.

Entram nesse grupo atividades como fechar caixa, conferir extratos, cobrar clientes, pagar fornecedores, acompanhar despesas e organizar a operação financeira da empresa.

Para Holanda, a inteligência artificial pode assumir parte dessa execução.

Em entrevista à Exame, ele afirmou que, até aqui, o ônus operacional era do cliente e que, com a inteligência artificial, esse peso passa a ser da empresa.

A construção da marca acompanha esse posicionamento.

Em vez de se apresentar apenas como uma instituição financeira, a Jota passou a se descrever como uma plataforma de apoio à rotina financeira.

Dentro desse modelo, o usuário pode enviar boleto, nota fiscal, planilha, texto ou áudio para acionar tarefas como pagamentos, consolidação de saldos, geração de cobranças e consultas sobre despesas.

A empresa também divulga funções descritas como “extrato inteligente”, voltadas à leitura de movimentações e repasses.

Crescimento da startup e meta de escala

No primeiro ano de operação, a Jota informou ter alcançado 150 mil clientes e um run rate de R$ 2,2 bilhões em TPV, sigla usada pelo mercado para volume total processado.

A meta divulgada pela startup é encerrar o ano com run rate de R$ 10 bilhões e, idealmente, se aproximar de 1 milhão de usuários.

Para ampliar a distribuição, a empresa combina aquisição digital com produção de conteúdo voltado a empreendedores.

Essa estratégia inclui vídeos curtos, demonstrações de uso, relatos de clientes e um podcast próprio.

Segundo a companhia, esse material funciona como canal de divulgação do produto e também de educação sobre a rotina financeira dos pequenos negócios.

O crescimento projetado pela Jota foi apresentado após a rodada seed anunciada em 2025.

Na ocasião, a empresa informou ter captado US$ 8,9 milhões, em rodada liderada pela Maya Capital e acompanhada por outros investidores.

O aporte foi divulgado como parte do plano de expansão da operação baseada em WhatsApp e de desenvolvimento de novas frentes de produto.

Novo aplicativo amplia operação da fintech

O lançamento do aplicativo próprio indica que a Jota pretende ampliar seus canais de operação.

Além da cobrança por aproximação, o app inclui o recurso Meu Time, que permite cadastrar vendedores, liberar cobranças diretamente pelo celular e acompanhar tudo em uma conta central.

Segundo Holanda, a referência para esse desenho está em modelos de varejo nos quais a etapa final da compra acontece no próprio atendimento, sem a necessidade de encaminhar o cliente a um caixa separado.

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A intenção declarada pela empresa é adaptar essa lógica ao pequeno empreendedor brasileiro com apoio de recursos de automação.

Mais do que substituir a maquininha pelo celular, a Jota afirma que busca simplificar a execução de tarefas financeiras.

Pela proposta apresentada, o usuário deixa de percorrer etapas manuais dentro de um aplicativo bancário tradicional e passa a acionar o sistema por comandos diretos.

A empresa sustenta que essa interface pode reduzir o tempo gasto com operações rotineiras e tornar a gestão mais integrada ao ambiente já usado por empreendedores no dia a dia.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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