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De complexo residencial dos sonhos com 274 edifícios, hotel gigante e praias, a cidade fantasma, marcada por abandono, ruínas e praias selvagens

Publicado em 19/12/2025 às 09:19
Atualizado em 19/12/2025 às 09:24
Assista o vídeoPerlora, Cidade fantasma, Cidade
Imagem: Wikimedea Commons / velisj2
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Cidade Residencial Perlora nas Astúrias criada em 1952 com 20 hectares junto ao mar Cantábrico, hotel de 90 quartos inaugurado em 1954 e 274 edifícios devolutos após 2006 sintetiza ascensão e queda do turismo social espanhol

Criada na década de 1950 como destino estatal de férias na costa norte de Espanha, a Cidade Residencial Perlora, nas Astúrias, passou de polo turístico organizado a área abandonada, com edifícios vazios, após decisões administrativas e falta de investimentos, mantendo debates sobre reabilitação.

Origem estatal e abertura oficial do complexo

Criada em plena ditadura franquista, em 1952, Perlora integrou um plano estatal de lazer subsidiado, destinado a organizar férias populares em ambientes controlados, acessíveis e próximos ao litoral cantábrico.

Em 1954, a inauguração do hotel Jacobo Campuzano, com 90 quartos, marcou a abertura oficial do espaço, consolidando o projeto como referência institucional de turismo social no norte espanhol.

Configuração urbana e dimensão territorial

Ao longo dos anos, o conjunto ganhou vivendas, apartamentos e residências de estilos variados, formando um microcosmo turístico integrado, com alojamento, serviços e praias concentrados em cerca de 20 hectares.

A proximidade direta com o mar Cantábrico e a organização espacial compacta permitiam deslocamentos curtos entre moradia, lazer e serviços, reforçando a lógica de cidade-resort planificada.

Infraestruturas que sustentaram a atratividade

Perlora reunia equipamentos voltados ao lazer, convivência e cultura, indo além de casas de praia, com campos desportivos, parque infantil, capela, teatro ao ar livre e biblioteca comunitária.

Com bares, restaurantes, mercearias e amplas zonas verdes, a rede de alojamentos oferecia tipologias diversas, sustentando um modelo autossuficiente de veraneio coletivo e organizado.

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Pico de atividade turística e emprego na cidade

No auge, o complexo empregava cerca de 200 pessoas e recebia mais de dois mil veraneantes por ano, atraídos também pelas praias vizinhas de Huelgues, Carranques e Madrebona.

Esse fluxo regular consolidou Perlora como referência regional de turismo social, associando férias acessíveis à convivência comunitária e ao uso intensivo das infraestruturas disponíveis.

Transição administrativa e início da decadência

A decadência foi gradual e associada a mudanças políticas após a transição democrática, quando, em 1982, a gestão passou do Estado central ao Governo do Principado das Astúrias.

A alteração administrativa modificou financiamento e manutenção, sem investimentos consistentes ou adaptação às novas normas turísticas, acelerando a deterioração progressiva dos edifícios.

Encerramento, demolições e cenário atual da cidade fantasma

Projetos de privatização não avançaram, o hotel Jacobo Campuzano foi demolido em 2005 e, em 2006, os alojamentos encerraram, deixando 274 edifícios devolutos expostos ao vandalismo.

Apesar do abandono, Perlora ainda atrai curiosos e fotógrafos, mantendo valor simbólico para famílias que recordam temporadas de praia, enquanto planos de reabilitação seguem em estudo, mesmo com debates sobre proteção costeira e uso público futuro.

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Com informações de O Antagonista.

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Romário Pereira de Carvalho

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