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Dando vida aos subsolos ao redor do mundo, máquina ‘monstro’ capaz de avançar 15 metros por dia no subsolo instala sozinha anéis de concreto e escava túneis com braços robóticos e lâminas que trituram rochas.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/01/2026 às 18:31
Atualizado em 19/01/2026 às 18:32
Assista o vídeoMáquinas conhecidas como tatuzões escavam túneis de metrô com precisão, instalam anéis de concreto e avançam até 15 metros por dia no subsolo.
Máquinas conhecidas como tatuzões escavam túneis de metrô com precisão, instalam anéis de concreto e avançam até 15 metros por dia no subsolo.
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Linha de produção subterrânea avança sob cidades sem interromper a superfície, combinando escavação, transporte de material e montagem do túnel definitivo em um único processo contínuo, com tecnologia capaz de operar em diferentes tipos de solo e rocha e reduzir riscos estruturais em grandes centros urbanos.

As máquinas perfuradoras de túneis, chamadas no Brasil de tatuzões e conhecidas internacionalmente como TBMs, funcionam como uma linha de produção subterrânea integrada.

Ao mesmo tempo em que escavam, retiram o material e avançam, elas deixam o túnel praticamente pronto atrás de si, em um processo contínuo que reduz interferências na superfície.

Em obras de metrô, esse método permite abrir passagem sem interromper o funcionamento da cidade.

O avanço diário pode chegar a 10 a 15 metros, dependendo das características do terreno, do tipo de máquina empregada e das exigências técnicas do projeto.

O porte ajuda a explicar o apelido de “monstro”.

O equipamento ocupa dezenas de metros de comprimento e concentra sistemas de corte, transporte, propulsão e montagem do revestimento em um único conjunto industrial.

Para funcionar de forma segura, a operação exige controle constante de pressão e estabilidade do solo, além de planejamento logístico rigoroso.

Esse planejamento envolve baixar, montar e manter a máquina em poços de partida que podem ultrapassar dezenas de metros de profundidade.

Fábrica subterrânea que avança sob a cidade

Máquinas conhecidas como tatuzões escavam túneis de metrô com precisão, instalam anéis de concreto e avançam até 15 metros por dia no subsolo.

Ao acompanhar um tatuzão em operação, é possível observar um ciclo contínuo e sincronizado de atividades.

Na parte frontal, a cabeça de corte gira com lâminas e ferramentas metálicas responsáveis por desagregar o solo ou a rocha à frente da máquina.

O material escavado entra no sistema interno e, em seguida, é transportado por esteiras ou correias até a retaguarda.

Nesse ponto, o solo ou a rocha triturados deixam a máquina para serem encaminhados conforme o plano de descarte da obra.

Enquanto esse fluxo ocorre, a estrutura inteira avança graças aos macacos hidráulicos, que empurram o equipamento para a frente.

Esses macacos se apoiam no próprio trecho de túnel recém-revestido, permitindo que a máquina progrida com precisão e estabilidade.

O princípio é simples, mas exige controle rigoroso para manter a frente de escavação sob equilíbrio constante.

Essa lógica explica por que as TBMs são consideradas uma alternativa mais segura em trechos urbanos sensíveis.

O trabalho avança com apoio de instrumentação e monitoramento técnico permanente, sem a necessidade de grandes escavações abertas na superfície.

Ainda assim, o ritmo efetivo depende de fatores como geologia local, interferências existentes e condições específicas de cada projeto.

Cabeça de corte, escudo e revestimento definitivo

Máquinas conhecidas como tatuzões escavam túneis de metrô com precisão, instalam anéis de concreto e avançam até 15 metros por dia no subsolo.
Máquinas conhecidas como tatuzões escavam túneis de metrô com precisão, instalam anéis de concreto e avançam até 15 metros por dia no subsolo.

A maior concentração de esforço ocorre na parte frontal da máquina.

Em solos mais macios, as ferramentas de corte são desenhadas para penetrar e conduzir o material de forma controlada para dentro do sistema.

Já em terrenos rochosos, entram em ação discos e componentes mais robustos, capazes de fraturar a pedra por impacto e pressão.

Esse processo exige maior potência e resulta em desgaste elevado das ferramentas, o que demanda acompanhamento constante.

Logo atrás da cabeça de corte, o conjunto segue protegido por um escudo metálico, uma carcaça cilíndrica que sustenta a escavação.

Esse escudo ajuda a manter a estabilidade do túnel e separa a área de trabalho das pressões exercidas pelo terreno ao redor.

Dentro desse ambiente, operam de forma integrada equipamentos mecânicos, sensores e sistemas de controle.

O objetivo é garantir um avanço regular e previsível ao longo de todo o trajeto.

A transformação da escavação em túnel definitivo acontece na parte traseira da TBM.

Ali, um braço robótico, conhecido como eretor, posiciona as aduelas, segmentos de concreto pré-moldado.

Essas peças formam anéis estruturais que, montados em sequência, constituem as paredes do túnel.

Dessa forma, o revestimento definitivo é instalado enquanto a perfuração continua, reduzindo paradas e evitando a exposição prolongada do solo.

Tecnologia EPB e máquinas para rocha

Máquinas conhecidas como tatuzões escavam túneis de metrô com precisão, instalam anéis de concreto e avançam até 15 metros por dia no subsolo.
Máquinas conhecidas como tatuzões escavam túneis de metrô com precisão, instalam anéis de concreto e avançam até 15 metros por dia no subsolo.

Apesar do apelido sugerir um equipamento padronizado, não existe uma TBM universal.

A escolha do modelo depende do tipo de solo, da presença de água subterrânea, da profundidade do túnel e das condições existentes na superfície.

Em áreas com terrenos instáveis, é comum o uso da tecnologia EPB (Earth Pressure Balance).

Nesse sistema, parte do material escavado é transformada em uma pasta controlada dentro da câmara de pressão.

Esse equilíbrio ajuda a reduzir recalques e movimentos do solo, fator decisivo quando há edifícios e redes subterrâneas nas proximidades.

Em maciços rochosos mais competentes, adota-se outro desenho de máquina, com ferramentas adequadas ao esforço de fraturar a pedra.

A estabilidade natural da rocha influencia diretamente o método construtivo e o ritmo de avanço.

Em alguns projetos, são empregadas soluções híbridas, que permitem alternar modos de operação conforme o trecho escavado.

Essa flexibilidade reduz improvisos e diminui o risco de paralisações prolongadas por incompatibilidade entre máquina e geologia.

Máquinas gigantes que marcaram grandes obras

A dimensão dessas perfuradoras costuma chamar atenção mesmo fora do ambiente técnico.

Nos Estados Unidos, a TBM “Bertha” foi utilizada no túnel da SR 99, em Seattle, com 17,5 metros de diâmetro.

Ela figurou entre as maiores máquinas do tipo já empregadas em obras urbanas.

Com o avanço da engenharia, outros projetos passaram a disputar esse patamar de escala.

No Brasil, a tuneladora Cora Coralina ganhou destaque ao atuar na expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo.

A máquina possui 100 metros de comprimento, pesa 2.500 toneladas e opera com uma roda de corte de 11,66 metros de diâmetro.

O trecho exige controle rigoroso do solo e execução contínua do revestimento, em ambiente urbano complexo.

A ampliação do projeto prevê o uso de uma segunda tuneladora ainda maior, apresentada em 2025.

Esse equipamento tem 133 metros de comprimento, 11,67 metros de diâmetro e peso total de 2.600 toneladas.

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A operação ocorre em modo dual, combinando tecnologia EPB e modo aberto.

Nessas condições, a capacidade estimada chega a 15 metros por dia em solo e até 10 metros por dia em rocha, conforme o trecho.

Automação e eficiência como próximos desafios

A evolução recente das TBMs aponta para níveis crescentes de automação e controle operacional.

Sensores monitoram continuamente pressão, torque, vibração e alinhamento ao longo da escavação.

Esses dados alimentam sistemas que ajustam parâmetros em tempo real, reduzindo variações bruscas e aumentando a previsibilidade do avanço.

Paralelamente, fabricantes e operadores buscam ganhos de eficiência energética e redução de desperdícios.

Entre as estratégias estão a otimização do consumo de energia e a adoção de rotinas de manutenção mais inteligentes.

A segurança operacional segue como prioridade central nesses projetos.

Mesmo com automação crescente, as obras exigem responsabilidade técnica, inspeções regulares e gestão rigorosa de riscos.

Em cidades densamente ocupadas, o desafio é equilibrar velocidade de execução e controle de impactos.

Com a pressão por mais mobilidade urbana, até onde essas fábricas subterrâneas poderão avançar para acelerar obras sem ampliar riscos e transtornos nas cidades?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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