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Cansada de ver a banana dar prejuízo, ela largou a vida na capital, foi para a roça na serra do Espírito Santo e transformou o excedente que apodrecia em geleia e num inusitado “barbecue de banana” defumada, virando uma indústria rural premiada pelo Sebrae

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 12/07/2026 às 16:18 Atualizado em 12/07/2026 às 16:20
ela largou a vida na capital, foi para a roça na serra do Espírito Santo e transformou o excedente que apodrecia em geleia
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Em Laranja da Terra, na serra capixaba, Daniela Gurgel trocou Vitória pela roça e transformou a banana que dava prejuízo em geleias e num “barbecue de banana” defumada. Da frustração com o preço da Ceasa, nasceu uma pequena indústria rural que virou marca conhecida no Espírito Santo.

Há quem enxergue no interior não uma limitação, mas uma oportunidade. Segundo o jornal A Gazeta, foi essa a aposta de Daniela Gurgel, que deixou a vida na capital e foi para a roça, na região serrana do Espírito Santo, onde transformou uma frustração com a lavoura de banana em um negócio inovador de geleias e molhos artesanais.

De acordo com A Gazeta, a virada começou com um prejuízo. Ao lado do marido, Thiago Delbone, Daniela plantou banana e viu a primeira colheita valer bem menos do que o esperado. Em vez de desistir, decidiu agregar valor à produção e foi assim que a roça deixou de ser só plantio para se tornar uma pequena agroindústria.

Da capital para a roça, atrás de uma vida mais tranquila

ela largou a vida na capital, foi para a roça na serra do Espírito Santo e transformou o excedente que apodrecia em geleia
ela largou a vida na capital, foi para a roça na serra do Espírito Santo e transformou o excedente que apodrecia em geleia

A história do casal une dois mundos. Thiago herdou a terra do avô e, ao decidir se casar, disse que queria morar no campo. Já Daniela, natural de São Gabriel da Palha, vivia em Vitória desde criança, era formada em Serviço Social e Gastronomia e atuava nas duas áreas.

Em 2018, eles se mudaram para o sítio, construíram a casa do zero e apostaram em viver da própria propriedade um caminho que hoje empolga cada vez mais gente e que instituições como o Sebrae costumam estimular.

O sonho da vida tranquila, porém, esbarrou logo na realidade do mercado. Plantaram banana e, na primeira colheita, tiveram prejuízo: o valor pago pela safra foi muito menor do que imaginavam.

Foi o suficiente para Daniela perceber que não dava para viver à mercê do preço pago pela Ceasa e que era preciso encontrar outra saída para não ver a produção virar prejuízo.

Do prejuízo da banana à cozinha

Cansada de ver a banana dar prejuízo, ela largou a vida na capital
imagem: A Gazeta
Cansada de ver a banana dar prejuízo, ela largou a vida na capital
imagem: A Gazeta

A solução veio do talento que ela já tinha. Daniela foi para a cozinha e começou a produzir banana-passa, geleia de banana e outros doces do fruto.

O problema é que a ideia era boa demais para ser só dela: como a região já tinha muita banana e várias propriedades faziam exatamente os mesmos doces, faltava um diferencial.

Foi então que a empreendedora inverteu a lógica. Em vez de repetir o que todos faziam, passou a procurar o que ninguém fazia, começando pelo quiabo, também plantado no sítio.

Criou um quiabo em conserva difícil de achar naquele formato, que caiu no gosto de todo mundo e a partir dali definiu sua estratégia: investir em produtos que não se encontram nas prateleiras dos supermercados.

O “barbecue de banana” e as geleias que ninguém esperava

Com a receita da diferenciação em mãos, os produtos foram ganhando ousadia. Vieram o ketchup de goiaba, a geleia de alho negro, a geleia de cebola com bacon e o tal “barbecue de banana”, feito com o fruto defumado, que se tornou o item mais vendido da marca Da Terra Produtos Caseiros.

Para dar o próximo passo, Daniela procurou o Incaper e transformou a propriedade em uma indústria rural familiar, com quase toda a produção saindo do que é plantado ali mesmo. O diferencial dos produtos fez a marca ficar conhecida em todo o Espírito Santo, e o caráter artesanal ainda garante preços que não brigam de igual para igual com os das grandes indústrias.

Empreender na roça não é “bico”

O sucesso, no entanto, convive com o preconceito. Daniela conta que muita gente ainda enxerga a agricultura familiar como um passatempo, e não como trabalho de verdade.

“As pessoas não conseguem ver o empreendedor como uma forma de progresso. A gente ouve muito que só queremos aparecer. Só eu sei como é difícil”, desabafa. Para ela, empreender na roça é, antes de tudo, olhar para o próprio entorno e enxergar o que dá para transformar em renda.

As dificuldades práticas também pesam. Quando chove, as estradas ficam ruins e ela às vezes não consegue nem participar de feiras, além de ter que dar conta sozinha da produção, da logística e do administrativo. Ainda assim, é o resultado que a move:

“O mais bonito do empreender é a finalização do meu produto, a realização de produzir algo com qualidade, com a matéria-prima que plantei.”

Não é caso único: morango com lavanda e sushi no interior

A trajetória de Daniela se repete, com outros ingredientes, pelo interior capixaba. Em Marechal Floriano, Tatiane Gilles apostou no morango que não é tradicional da região e passou a transformá-lo em geleias com combinações inusitadas, de manjericão e limão-siciliano à lavanda, a mais famosa delas.

“Quando as pessoas experimentam a geleia de morango com lavanda, se espantam, pois achavam que o ingrediente é usado apenas em produtos de limpeza”, conta, resumindo a mesma receita de Daniela: fazer algo diferente e com qualidade.

Já em Jaguaré, o casal Anthony Pirola e Lívia Lima Alves apostou em um nicho improvável para uma cidade pequena: a comida japonesa. Cansados de ter que viajar para comer sushi, abriram o restaurante Villa 09 e hoje recebem clientes de vários municípios vizinhos.

“Mesmo escondidos no interior, apostamos em um cardápio temático e estamos difundindo a culinária oriental”, diz Pirola, para quem empreender longe dos grandes centros é uma forma de movimentar o comércio local.

O que faz um negócio na roça dar certo

Para os especialistas, essas histórias têm explicação. Segundo Alberto Gavini, diretor da Aderes, um dos maiores problemas das cidades do interior é a oferta restrita de emprego, o que torna a abertura de novos negócios uma estratégia valiosa.

“A agricultura familiar é forte do interior e as pequenas agroindústrias têm se destacado”, afirma, lembrando que boa parte das ideias bem-sucedidas nasce justamente do aproveitamento de nichos de mercado.

Ele alerta, porém, que empolgação não basta. Para um negócio se consolidar, é preciso que a receita supere a despesa, além de inovação, redução de custos e bom gerenciamento.

Na avaliação de Gavini, o maior obstáculo do empreendedor do interior é a falta de qualificação por isso, recomenda desenvolver o perfil empreendedor, buscar preparação e montar um plano de negócios antes de investir.

E você, largaria a cidade para empreender na roça?

De uma banana que dava prejuízo a um “barbecue” defumado premiado pelo paladar, a história de Daniela mostra que a roça pode ser palco de reinvenção e renda desde que haja criatividade e trabalho.

Você teria coragem de trocar a cidade grande pela roça para tocar o próprio negócio? E qual produto inusitado desses te deu mais vontade de experimentar? Conta pra gente aqui nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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