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Para armazenar petróleo e cargas perigosas, a Coreia do Sul construiu cavernas industriais subterrâneas capazes de guardar 146 milhões de barris, conectadas a portos e refinarias por túneis em Ulsan

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 13/01/2026 às 17:41
Para armazenar petróleo e cargas perigosas, a Coreia do Sul construiu cavernas industriais subterrâneas capazes de guardar 146 milhões de barris, conectadas a portos e refinarias por túneis em Ulsan
Para armazenar petróleo e cargas perigosas, a Coreia do Sul construiu cavernas industriais subterrâneas capazes de guardar 146 milhões de barris, conectadas a portos e refinarias por túneis em Ulsan
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Coreia do Sul usa cavernas industriais subterrâneas para armazenar 146 milhões de barris de petróleo e cargas perigosas ligadas a portos e refinarias em Ulsan.

Segundo documentos da Korea National Oil Corporation (KNOC), responsável pela estratégia energética do país, o sistema de cavernas industriais subterrâneas para armazenamento de petróleo e cargas perigosas começou a ser construído no início dos anos 1980, em plena reestruturação logística da Coreia do Sul. O objetivo era triplo: aumentar o estoque estratégico nacional, proteger substâncias inflamáveis e liberar o limitado espaço urbano e portuário para indústrias e moradia.

A primeira fase entrou em operação em 1986, e desde então novas cavernas e corredores foram escavados, ampliando a capacidade total para aproximadamente 146 milhões de barris de petróleo cru, derivados e gás liquefeito de petróleo (GLP). Para efeito de comparação, esse volume equivaleria a mais de 7 meses de consumo interno coreano nos anos 1980 ou a mais de dois superpetroleiros VLCC completamente carregados.

Por que colocar petróleo dentro de uma montanha?

Ao contrário de outros países, como Estados Unidos e China, que armazenam petróleo em cavernas salinas profundas ou tanques de superfície, a Coreia do Sul possui geologia favorável a cavernas escavadas em rocha cristalina, especialmente na região de Ulsan.

Isso permitiu que engenheiros coreanos convertessem maciços rochosos próximos ao litoral em verdadeiros terminais subterrâneos, conectados diretamente ao mar e às refinarias da região. Armazenar petróleo dentro da rocha oferece vantagens claras:

  1. Segurança contra explosões
    Em caso de acidente, a montanha funciona como barreira física.
  2. Proteção contra ataques militares
    Os tanques subterrâneos resistem a bombardeios muito melhor que tanques expostos.
  3. Desafogo urbano e portuário
    Ulsan é um dos maiores polos petroquímicos da Ásia e já sofre com falta de espaço.
  4. Ausência de impacto visual
    A infraestrutura energética desaparece do topo, liberando a paisagem para cidades e indústrias limpas.

Cavernas escavadas com engenharia de mineração e infraestrutura de portos

O coração do sistema é o conjunto de cavernas que abriga o petróleo em salas subterrâneas gigantes, algumas com mais de 100 metros de comprimento e dezenas de metros de largura, todas conectadas por túneis de acesso, corredores técnicos e dutos industriais. Essas cavernas não são depósitos improvisados, mas estruturas planejadas seguindo padrões de engenharia de mineração:

  • Revestimento interno para evitar infiltrações
  • Controle de pressão e ventilação
  • Sistema de tubulação segregado
  • Sensores de gás, temperatura e umidade
  • Salas de válvulas e bombeamento

A proximidade com o mar permite que navios-tanque abasteçam e descarreguem diretamente, utilizando oleodutos submarinos que chegam ao terminal subterrâneo. Do outro lado, a conexão terrestre leva o petróleo para as refinarias de Ulsan, Onsan e Yeosu, consolidando um corredor petroquímico integrado à escala continental.

Um dos maiores estoques estratégicos subterrâneos do planeta

O número de 146 milhões de barris não é arbitrário. Ele faz parte de uma estratégia nacional que saltou aos olhos de países aliados e rivais. Do total:

  • uma parte é estoque nacional, para emergências de abastecimento
  • outra parte é estoque comercial, alugado a compradores como Japão, EUA e membros da AIE
  • e o restante serve para trânsito petroquímico, abastecendo refinarias e exportações

Esse arranjo híbrido transformou Ulsan num hub energético: petróleo chega, é armazenado, refinado e reexportado. Tudo isso sob uma camada de rocha sólida, invisível para quem passa pela cidade.

Cargas perigosas e o problema da densidade urbana

Com o crescimento das cidades coreanas e o avanço da industrialização a partir dos anos 1970, surgiu um dilema: onde colocar instalações altamente perigosas quando o país é pequeno, densamente povoado e com área costeira limitada? sob as cidades, a Coreia encontrou a resposta. Além de Ulsan, o país construiu:

  • postos subterrâneos de GLP
  • depósitos pressurizados
  • armazéns químicos blindados

Tudo para reduzir riscos urbanos e acidentes industriais em áreas densamente povoadas. Segundo a própria KNOC, esse tipo de infraestrutura subterrânea reduz drasticamente o risco de incêndios urbanos e elimina a necessidade de zonas de exclusão acima do solo.

Geopolítica e energia: um país sem petróleo virou potência petroquímica

A Coreia do Sul não tem petróleo e depende quase 100% das importações. Mesmo assim, se tornou um dos maiores produtores mundiais de:

  • resinas petroquímicas
  • combustíveis marítimos
  • fertilizantes industriais
  • polímeros técnicos

Como? Com logística integrada, refinarias gigantes e terminais subterrâneos como os de Ulsan. Hoje, o país é sede de gigantes como:

  • SK Energy
  • Hyundai Oilbank
  • S-OIL
  • LG Chem

O resultado é um paradoxo fascinante: um país sem petróleo que abastece o mundo com petroquímica. Os terminais subterrâneos são uma peça-chave desse quebra-cabeça.

Por que quase ninguém conhece esse tipo de infraestrutura?

Existem três motivos principais:

  1. É subterrâneo Não há “foto bonita” como plataformas offshore ou refinarias iluminadas.
  2. Não foi criado para ser turístico A função é técnica, defensiva e industrial.
  3. O mundo presta atenção em petróleo no Oriente Médio, não na Coreia

Enquanto o foco global está em Arábia Saudita, Iraque e Irã, poucos percebem que a Coreia construiu um modelo silencioso de segurança energética.

Do subterrâneo para o futuro da energia

Com a transição energética em andamento, estruturas como as cavernas de Ulsan podem ganhar novos usos. Especialistas sul-coreanos já estudam a possibilidade de converter cavernas de hidrocarbonetos em:

  • depósitos de hidrogênio
  • reservatórios de ar comprimido
  • armazenamento estratégico de CO₂

Ou seja, aquilo que começou para petróleo pode virar uma infraestrutura da descarbonização. Isso coloca o país na mesa da próxima década: o subsolo como ativo logístico.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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