Processo detalhado mostra como um produtor rural transformou solo arenoso em reservatório funcional, usando materiais acessíveis, técnica de impermeabilização enterrada e mão de obra própria, com foco em baixo custo, durabilidade e uso múltiplo da água na propriedade.
O produtor rural Hamilton Miranda decidiu tornar público um processo que, segundo ele, costuma ser tratado como caro ou inacessível.
A construção de um lago em terreno arenoso, distante de rios, nascentes ou áreas úmidas, foi registrada do início ao fim e publicada em seu canal no YouTube, Sítio Paraíso.
Ao longo dos vídeos, ele detalha cada etapa da obra, sempre com foco em redução de custos, execução prática e uso de materiais comuns no meio rural.
-
Edital de R$ 370 milhões para construir 4 presídios em SC sai do bloqueio após correção de falhas, destrava obras em Chapecó, Lages e Xanxerê e reacende debate sobre a urgência do sistema penitenciário catarinense
-
Mãe e filha constroem casa de 70 m² com mais de 8 mil garrafas de vidro descartadas e impressionam pela criatividade; conhecida como a Casa de Sal, o imóvel está localizado na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco
-
Loja de material de construção começa a vender módulos desmontáveis que parecem pequenas casas, montados em poucos dias no quintal, enquanto a crise imobiliária empurra famílias para soluções fora do padrão na Austrália
-
A Índia aprovou o primeiro túnel rodoferroviário submerso do país, 15,8 quilômetros cavados sob o leito do rio Brahmaputra
Desde o início, a proposta era objetiva.
Hamilton pretendia construir um lago funcional, capaz de armazenar água e atender diferentes usos dentro da propriedade, mantendo o orçamento entre R$ 2.000 e R$ 2.500 apenas com materiais, sem considerar mão de obra.
Ao final do processo, porém, o valor chegou a R$ 2.800, incluindo lona, cola e horas de pá-carregadeira.
O principal obstáculo estava no solo.
O sítio fica no interior de São Paulo, em uma região de terra arenosa, onde qualquer escavação aberta perde água rapidamente por infiltração.
Sem nascente próxima e a quilômetros de rios, o lago não teria como se sustentar sem um sistema de impermeabilização eficiente.
Terreno arenoso e o desafio da infiltração
Logo nos primeiros registros, Hamilton explica que o problema não estava no tamanho do lago, mas na incapacidade do terreno de reter água.
Enquanto solos argilosos criam uma barreira natural após compactação, ali essa condição não existia.
“Se eu fizer uma escavação aqui e encher, essa água vai embora imediatamente”.
A partir dessa constatação, ele passou a tratar o lago como uma grande caixa d’água enterrada, pensada para armazenar principalmente água da chuva e pequenos aportes disponíveis no sítio.
A solução escolhida foi o uso de lona de silo de dupla face, com 200 micras, um material amplamente utilizado na agricultura.
Segundo ele, além de acessível, o custo é muito inferior ao de mantas específicas para lagos artificiais.
Formato da escavação influencia a durabilidade
A abertura do lago foi feita com pá-carregadeira, etapa que não chegou a ser gravada.
Mesmo assim, Hamilton detalha o que considerou essencial ao orientar o operador da máquina.
As laterais não poderiam ser verticais nem excessivamente íngremes.
Era fundamental manter inclinações suaves, permitindo que a própria máquina saísse por qualquer ponto da cava.
Esse formato, segundo ele, evita deslizamentos e garante que a terra colocada posteriormente sobre a lona permaneça estável.
O lago acabou ficando com cerca de 25 metros de largura.
O ideal, de acordo com o produtor, seria um pouco menos, o que reduziria a necessidade de emendas.
Ainda assim, o formato final exigiu ajustes no projeto.
Lona de silo de 200 micras e critério de qualidade
O material utilizado foi uma lona de silo preta e branca, com 12 metros de largura e 50 metros de comprimento.
Como o lago era mais largo do que uma única faixa permitiria, foi necessário cortar e emendar partes da lona.
Hamilton chama atenção para a qualidade do material.
Segundo ele, a lona precisa resistir à tração, esticando levemente quando puxada, sem rasgar.
Na avaliação do produtor, muitos projetos falham não pelo tipo de lona escolhido, mas pela forma incorreta de instalação.
Ele afirma ter um lago construído com o mesmo método há mais de 10 anos.
Também diz conhecer outros exemplos semelhantes com décadas de uso, desde que a lona permaneça protegida do sol e de danos mecânicos.
Emenda com cola e pressão da terra
A emenda entre as lonas foi feita com cola de contato multiuso, encontrada em lojas de ferragens.
Hamilton mostra a aplicação generosa do produto e reforça que não economizou na quantidade.
Logo após unir as partes, ele colocou terra por cima ainda com a cola fresca.
Essa etapa garante que a emenda não se mova durante a secagem e já inicia a camada de proteção da lona.
Durante todo o processo, evitou pisar diretamente sobre o plástico.
Para reduzir o risco de perfuração, trabalhou de meia, sem botina, enquanto a carriola circulava sempre sobre faixas de terra já espalhadas.
Camada de terra garante proteção e aparência natural
O ponto central do método é enterrar completamente a lona sob 25 a 30 centímetros de terra.
Hamilton explica que o sol é um dos principais responsáveis pela degradação do plástico e que, enterrada em solo úmido, a lona deixa de sofrer esse desgaste.
Além disso, a terra protege contra perfurações causadas por peixes, ferramentas ou circulação nas bordas.
Visualmente, a lona desaparece, fazendo com que o lago tenha aparência natural.
A colocação da terra foi feita em etapas.
A lona era enrolada, a pá-carregadeira despejava montes de terra sem tocar o plástico, e o material era espalhado manualmente com enxada.
Segundo Hamilton, essa é a fase mais pesada do trabalho e foi justamente a que consumiu mais tempo do que o previsto.
Riscos com animais durante e após a obra
Durante a construção, o produtor alerta para a presença de animais.
Cachorros, por exemplo, podem perfurar a lona ao escorregar e cravar as unhas para subir, enquanto galinhas e outros bichos também foram mantidos afastados da área.
Depois de pronto, o cuidado passa a ser com animais maiores.
Vacas e cavalos podem afundar o solo e danificar a lona por baixo da camada de terra.
Por isso, Hamilton recomenda o uso de cerca elétrica ao redor do lago.
Quanto aos peixes, ele afirma que várias espécies podem ser criadas sem problemas.
A ressalva fica para patos e uma variedade específica de carpa que cava buracos, o que poderia comprometer a impermeabilização.
Assentamento do solo antes do enchimento
Hamilton orienta não ter pressa para encher o lago.
A recomendação é deixar a terra assentar naturalmente com chuvas ou, se necessário, molhar aos poucos com mangueira.
O objetivo é compactar bem a camada superior antes de receber grande volume de água.
Segundo ele, o enchimento depende basicamente da chuva e de pequenas entradas disponíveis na propriedade.
Por isso, ele mostra um lago mais antigo, construído da mesma forma, para ilustrar o resultado final esperado após o enchimento completo.
Custos detalhados e motivo do valor final
Ao detalhar os gastos, Hamilton afirma que negociou o preço da lona.
Segundo ele, o metro quadrado custava R$ 3 na região, mas conseguiu pagar R$ 2,65 por metro quadrado.
O rolo utilizado saiu por R$ 1.590.
Somando cola e horas de pá-carregadeira, o custo final chegou a R$ 2.800.
A meta inicial de R$ 2.000 não foi atingida principalmente porque a etapa de espalhar a terra demorou mais do que o previsto.
Ele reforça que não contabilizou a própria mão de obra nem a de um ajudante que já realizava outras tarefas no sítio.
Lago multiuso e impacto na propriedade
Hamilton define o lago como multiuso.
Segundo ele, o reservatório pode servir para criação de peixes, irrigação e melhoria do ambiente ao redor.
Ele relata aumento de pássaros e mudanças perceptíveis no microclima da propriedade após a implantação do lago.
Sobre circulação e filtragem da água, faz questão de separar essa etapa da construção, afirmando que cada propriedade tem uma realidade diferente.
Em alguns casos, pode ser necessário usar uma bomba de baixo consumo para movimentar a água e passar por um filtro natural.
Ao mostrar o lago mais antigo, ele destaca que, depois do plantio da grama, o reservatório passa a parecer totalmente natural, sem sinais visíveis da lona enterrada.
Para Hamilton, o esforço físico é compensado pelo uso cotidiano do espaço.
O que leva alguém a escolher um método trabalhoso, mas barato, para transformar um terreno seco em um lago funcional dentro da própria propriedade?


Essa iniciativa com certeza o meio ambiente agredesse, é trabalhoso mas a recompensa é grande! Parabens seu Hamilton!
Muito boa reportagem e acredito que o IBAMA só tem a agradecer e incentivar novas iniciativas.
Agora vai conhecer Ibama, Fema,Meio Ambiente e outros. Vai aterrar tudo novamente.