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Edital de R$ 370 milhões para construir 4 presídios em SC sai do bloqueio após correção de falhas, destrava obras em Chapecó, Lages e Xanxerê e reacende debate sobre a urgência do sistema penitenciário catarinense

Escrito por Carla Teles
Publicado em 11/06/2026 às 23:03
Atualizado em 11/06/2026 às 23:05
Edital de R$ 370 milhões para construir 4 presídios em SC sai do bloqueio após correção de falhas, destrava obras em Chapecó, Lages e Xanxerê e reacende debate sobre a urgência do (1)
Edital de R$ 370 milhões libera presídios em Santa Catarina e reacende debate sobre sistema penitenciário.
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O Tribunal de Contas de Santa Catarina revogou a medida cautelar que suspendia o processo licitatório para a construção de quatro novos presídios no estado, com valor estimado em R$ 370,13 milhões. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado na quarta-feira, 10 de junho de 2026, após correções feitas pela Secretaria de Infraestrutura.

Quase um ano depois de ter o processo travado por irregularidades, o governo de Santa Catarina voltou a ter caminho aberto para contratar a empresa que vai construir quatro novas penitenciárias no estado. O TCE/SC, Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, revogou a medida cautelar que suspendia a licitação, em decisão publicada no Diário Oficial do Estado na quarta-feira, 10 de junho de 2026. A reversão foi possível após a SIE — Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, atender aos pedidos do órgão fiscalizador e readequar os critérios de seletividade e as exigências técnicas do edital, conforme publicado pelo portal ND Mais em 11 de junho de 2026.

O valor total estimado para o projeto e a execução dos quatro presídios é de R$ 370.129.284,51. As unidades planejadas estão distribuídas entre três cidades do interior catarinense, Chapecó, no Oeste, Lages, na Serra, e Xanxerê, também no Oeste, regiões que concentram demandas significativas do sistema penitenciário do estado. O conselheiro do TCE/SC Wilson Rogério Wan-Dall, que também havia assinado o relatório de suspensão, foi o responsável pela revogação da cautelar, e destacou que a medida não tinha mais justificativas diante das correções adotadas pelo governo.

Por que o edital havia sido suspenso e o que precisou mudar

A suspensão do processo licitatório havia ocorrido ainda em 2025, quando o TCE/SC identificou incongruências no edital que, segundo o órgão, poderiam se tornar irregularidades no futuro e, potencialmente, favorecer o eventual contratado. A medida foi classificada como preventiva, uma forma de barrar um processo com problemas antes que eles se materializassem em prejuízo ao erário ou em questionamentos jurídicos posteriores.

Ao final de junho de 2025, o TCE/SC havia solicitado informações à SIE sobre o certame, identificando ao menos quatro indícios passíveis de ajustes e correções. A secretaria foi notificada e informou, à época, que a área técnica estava avaliando a situação, e que teria até o início de agosto de 2025 para responder. A suspensão formal ocorreu somente depois que o documento corrigido pela secretaria foi analisado pelo tribunal e considerado ainda insuficiente. Agora, com os critérios readequados e as exigências técnicas corrigidas, o caminho para a licitação foi reaberto.

Quais presídios serão construídos e como está dividida a licitação

Edital de R$ 370 milhões libera presídios em Santa Catarina e reacende debate sobre sistema penitenciário.
Imagem: Reprodução

A licitação prevê a contratação de uma única empresa especializada para elaborar os projetos e executar as obras das quatro unidades, organizadas em lotes separados. O Lote 1 corresponde ao Complexo Penitenciário Industrial de Chapecó 2; o Lote 2, à Penitenciária Industrial de Lages, Unidade 1; o Lote 3, à Penitenciária Industrial de Lages, Unidade 2; e o Lote 4, à Penitenciária Industrial de Xanxerê. Lages terá, portanto, duas novas unidades, concentrando parte significativa do investimento na região serrana.

O modelo adotado para a seleção da empresa vencedora não é baseado exclusivamente no menor preço. O governo do estado optou pela metodologia de técnica e preço, na qual a empresa vencedora é aquela que alcançar a melhor pontuação combinada entre os quesitos apresentados. Segundo a lógica do modelo, esse critério misto visa garantir eficiência na construção, priorizando a qualidade técnica da proposta em conjunto com o valor financeiro, em vez de premiar apenas quem cobrar menos.

A avaliação do conselheiro e o contexto do sistema penitenciário

Ao assinar a revogação da cautelar, o conselheiro Wilson Rogério Wan-Dall do TCE/SC foi além da descrição técnica do processo. Em seu texto, ele ressaltou a relevância das obras diante do cenário atual das prisões catarinenses. “Haja vista que o objeto trata da contratação de empresa para elaboração de projetos e execução das obras de quatro penitenciárias, portanto, de extrema relevância ante a precária situação do sistema penitenciário catarinense”, escreveu o conselheiro, conforme publicado pelo ND Mais.

A referência à “precária situação do sistema penitenciário catarinense” feita pelo próprio conselheiro do TCE/SC indica que o atraso causado pela suspensão do edital não foi neutro, ele ocorreu em um contexto de demanda reconhecida por novas vagas e estruturas adequadas. A construção dos quatro presídios representa uma tentativa de resposta estrutural a esse problema, embora a efetiva contratação, o início das obras e os prazos de conclusão ainda dependam dos próximos passos do processo licitatório, que a reportagem do ND Mais não detalhou.

O que vem a seguir e o que ainda está indefinido

Com a cautelar revogada, o processo licitatório pode seguir em frente. O próximo passo é a abertura formal do certame para que empresas interessadas apresentem suas propostas técnicas e financeiras. A empresa vencedora será responsável tanto pelos projetos quanto pela execução das obras nas quatro unidades, um contrato de alta complexidade que envolve planejamento, engenharia especializada e cronograma de entrega.

Não há, nas informações publicadas pelo ND Mais, dados sobre o prazo previsto para a abertura do certame, o tempo estimado para a conclusão do processo licitatório ou as datas projetadas para o início e o término das obras. Esses elementos dependem da publicação do edital definitivo e da sequência do processo administrativo. O que a revogação da cautelar garante, por enquanto, é que o bloqueio foi removido, e que o caminho para contratar e construir os quatro presídios voltou a estar aberto após quase um ano de paralisia.

A construção de presídios resolve ou apenas adia os problemas do sistema penitenciário? Você acha que o investimento de R$ 370 milhões em novas unidades é o caminho certo para Santa Catarina, ou faltam outras prioridades antes dessa? Deixe sua opinião nos comentários, essa é uma discussão que vai além das grades.

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Carla Teles

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