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Como este país sem rios permanentes usa 31 usinas, 14.217 km de dutos subterrâneos e 47 estações de bombeamento para levar água do mar tratada até cidades no deserto com milhões pessoas

Publicado em 29/05/2026 às 14:32
Atualizado em 29/05/2026 às 14:35
Assista o vídeoÁgua do mar em abastecimento com 9,4 milhões de m³ por dia, dutos de 2,25 metros e túneis escavados em montanhas de granito
Imagem: Ilustração artistica
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Com 31 usinas de dessalinização, 14.217 quilômetros de dutos subterrâneos e 47 estações de bombeamento, a Arábia Saudita transforma água do mar em abastecimento para cidades no deserto, incluindo Riade, distante cerca de 400 quilômetros do litoral

A Arábia Saudita usa água do mar dessalinizada, 31 usinas e cerca de 14.217 quilômetros de dutos subterrâneos para abastecer cidades distantes do litoral, como Riade, que fica a aproximadamente 400 quilômetros da costa e reúne mais de 8 milhões de habitantes em pleno deserto.

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Água do mar virou peça central do abastecimento saudita através de dutos subterrâneos

Em um país sem rios permanentes, a água do mar passou a ter papel estratégico no abastecimento urbano e industrial.

O sistema começa em áreas costeiras do Mar Vermelho e do Golfo Arábico, onde ocorre a captação para tratamento.

A água captada passa por dessalinização, principalmente por osmose reversa, processo usado para remover sais e atingir padrão de potabilidade.

Depois dessa etapa, o recurso deixa de ser apenas água marinha tratada e entra na rede nacional de distribuição.

Segundo a Saudi Water Authority, o setor hídrico saudita é organizado para garantir segurança de abastecimento, eficiência operacional e gestão sustentável. Nesse modelo, a água dessalinizada se tornou uma das bases do fornecimento nacional.

Riade mostra por que a água do mar se tornou estratégica

O caso de Riade ajuda a explicar a escala do desafio. A capital saudita fica a cerca de 400 quilômetros do litoral mais próximo e abriga mais de 8 milhões de habitantes, em uma região sem rios permanentes.

A pressão sobre aquíferos fósseis também tornou necessário ampliar a produção de água a partir do oceano.

Por isso, a dessalinização deixou de ser uma solução apenas costeira e passou a sustentar cidades inteiras em áreas áridas.

A estrutura atual reúne cerca de 31 usinas de dessalinização, com capacidade diária aproximada de 9,4 milhões de metros cúbicos.

Esse volume mostra a dimensão do sistema necessário para transformar o mar em fonte contínua de abastecimento.

Água do mar percorre 14.217 quilômetros de dutos

Depois de tratada, a água entra em uma rede subterrânea de transmissão com cerca de 14.217 quilômetros.

Essa malha leva o recurso para cidades, polos industriais e áreas interiores que não teriam abastecimento suficiente apenas com fontes locais.

Os dutos principais podem ter 2,25 metros de diâmetro, o que permite o transporte contínuo de grandes vazões.

A estrutura usa aço de alta resistência mecânica, preparado para suportar pressão hidráulica e longos percursos.

O sistema também precisa enfrentar calor extremo e risco de corrosão. Por isso, as tubulações recebem revestimento anticorrosivo e são instaladas no subsolo, medida que ajuda a protegê-las de temperaturas acima de 50 °C.

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Bombeamento vence montanhas entre o litoral e o interior

O transporte da água dessalinizada não depende apenas de dutos. Em áreas como Taif, o trajeto encontra as Montanhas Sarawat, com picos próximos a 3.000 metros de altitude entre a costa e o interior habitado.

Para superar esse relevo, o sistema inclui um túnel de adutora com cerca de 12,5 quilômetros escavado em granito.

A operação também conta com 47 estações de bombeamento, responsáveis por empurrar a água por trechos elevados e longos corredores subterrâneos.

Essas estruturas mostram que o abastecimento envolve mais do que produzir água potável. É necessário transportar o recurso por grandes distâncias, controlar pressão, vencer desníveis e manter a operação em ambiente desértico.

Salmoura exige controle na devolução ao mar

A dessalinização também gera salmoura, subproduto com alta concentração de sais. Esse material precisa de planejamento, porque o descarte direto e mal distribuído pode afetar recifes, fauna costeira e o equilíbrio local de salinidade.

Na operação saudita, a gestão da salmoura inclui devolução gradual ao mar, uso de rede própria de dutos para separar o rejeito da água tratada e monitoramento costeiro para reduzir riscos em áreas sensíveis.

O sistema saudita mostra como o oceano passou a funcionar como infraestrutura de sobrevivência em regiões áridas.

No deserto, a água do mar depende de tecnologia, energia, engenharia e controle ambiental para chegar às cidades.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da Saudi Water Authority e no material-base fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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