Cometa 3I/ATLAS pode ter vulcões de gelo: nova hipótese explica jatos de gelo e gases detectados em 2025, sugerindo estrutura interna complexa e origem interestelar.
Observações recentes indicam que o 3I/ATLAS — objeto interestelar detectado em 1º de julho de 2025 — poderia abrigar criovulcões ativos, disparando jatos de gelo e gases à medida que se aproxima do Sol.
Astrônomos de diferentes observatórios combinam dados visuais e espectroscópicos para sustentar essa hipótese que surpreende a comunidade científica.
A nova interpretação do comportamento de 3I/ATLAS pode oferecer pistas inéditas sobre a natureza de cometas vindos de fora do nosso sistema solar — e, por isso, ganha atenção especial.
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O que já se sabia sobre 3I/ATLAS?
Origem e descoberta
O cometa 3I/ATLAS foi identificado no dia 1º de julho de 2025, pelo telescópio do projeto ATLAS, instalado no Chile — e desde então despertou grande interesse por se tratar apenas do terceiro objeto interestelar confirmado a cruzar o Sistema Solar.
Estrutura básica e composição
Desde o início, observações de diversos instrumentos — incluindo o Hubble Space Telescope — mostraram que 3I/ATLAS possui um núcleo gelado e está envolto por uma coma brilhante de gás e poeira, característica típica de cometas ativos.
Estimativas indicam que seu núcleo pode ter entre cerca de 440 metros e até 5,6 quilômetros de diâmetro.
Composição incomum
Estudos realizados pelo James Webb Space Telescope (JWST) e por outros instrumentos aponta para uma coma dominada por dióxido de carbono (CO₂), com detecção de água (H₂O), monóxido de carbono (CO), gelo de água e poeira.
Essa proporção de CO₂ em relação à água é uma das maiores já observadas em cometas — o que sugere que 3I/ATLAS poderia ter se formado em condições diferentes das dos cometas tradicionais do Sistema Solar.

Por que a hipótese de vulcões de gelo muda nossa visão?
Diferença entre sublimação e criovulcanismo
Até então, acreditava-se que a atividade do cometa vinha majoritariamente da sublimação — processo no qual o gelo converge diretamente ao estado gasoso à medida que o cometa se aquece.
Porém, os novos dados sugerem que a liberação de material pode ocorrer em episódios pontuais e intensos, como os de um criovulcão — uma erupção geológica de gelo e gases.
Indícios de estrutura interna complexa
Se 3I/ATLAS abriga criovulcões, isso indica que seu interior pode conter bolsões de gelo e compostos voláteis que permaneceram congelados por bilhões de anos — e que agora reagem de forma ativa a estímulos como o aquecimento solar.
Tais características aproximam 3I/ATLAS de corpos distantes do nosso Sistema Solar (como os do cinturão de Kuiper), embora sua origem seja interestelar.
Reescrevendo o que consideramos “normal” em cometas
A hipótese de vulcões de gelo amplia a definição de cometa: 3I/ATLAS mostra que nem todos se comportam igual.
Isso reforça que cometas vindos de outros sistemas estelares podem ter trajetórias, composições e mecanismos de atividade muito diferentes dos cometas tradicionais — o que enriquece nossa compreensão sobre a diversidade de corpos celestes no universo.

Evidências recentes
- Imagens obtidas por sondas da NASA e por telescópios terrestres mostraram jatos de gás e gelo direcionados em regiões específicas do cometa — algo compatível com criovulcanismo.
- Análises espectroscópicas detectaram a presença de água, CO₂, CO e gelo de água — uma combinação que sugere regiões internas ricas em voláteis.
- Comparações com meteoritos primitivos mostram semelhanças com materiais condensados nos primórdios de sistemas planetários, o que reforça a ideia de que 3I/ATLAS conserva gelo primordial de outro sistema estelar.
O que ainda precisa ser confirmado?
Apesar das evidências, a hipótese de vulcões de gelo ainda não é definitiva. Cientistas alertam que:
- A atividade poderia, alternativamente, ser explicada por sublimação localizada ou por exposição pontual de gelo — não necessariamente por criovulcanismo.
- São necessárias mais observações ao longo do tempo, especialmente espectrofotometria e imagens detalhadas da evolução da coma e dos jatos, para confirmar se os surtos são periódicos ou resultado de fenômenos internos.
Por que a descoberta importa — e o que ela revela sobre o cosmos?
A possibilidade de que 3I/ATLAS apresente criovulcões muda nossa percepção sobre cometas interestelares.
Ela sugere que corpos vindos de sistemas distantes podem carregar gelo e compostos voláteis preservados por bilhões de anos — oferecendo uma janela para estudar a formação de planetas fora do nosso Sistema Solar.
Além disso, revela a diversidade cósmica: cometas não são todos iguais — mesmo vindos de fora, podem ter histórias e composições variadas. Isso reforça a noção de que o universo tem muitas formas de dar origem a corpos gelados e ativos.
Por fim, estudar objetos como 3I/ATLAS ajuda a ampliar nosso entendimento sobre química cósmica, origem de ices, e até sobre os ingredientes que favorecem vida — já que muitos dos compostos detectados são considerados pré-biológicos.
Fonte: Olhar Digital e Arxiv

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