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3I/ATLAS: Novas imagens do cometa revelam erupções de gelo e gás, levantando a hipótese de criovulcões ativos

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 03/12/2025 às 09:39
Cometa 3I/ATLAS pode ter vulcões de gelo: nova hipótese explica jatos de gelo e gases detectados em 2025, sugerindo estrutura interna complexa e origem interestelar.
Cometa 3I/ATLAS pode ter vulcões de gelo: nova hipótese explica jatos de gelo e gases detectados em 2025, sugerindo estrutura interna complexa e origem interestelar. Imagem: IA
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Cometa 3I/ATLAS pode ter vulcões de gelo: nova hipótese explica jatos de gelo e gases detectados em 2025, sugerindo estrutura interna complexa e origem interestelar.

Observações recentes indicam que o 3I/ATLAS — objeto interestelar detectado em 1º de julho de 2025 — poderia abrigar criovulcões ativos, disparando jatos de gelo e gases à medida que se aproxima do Sol.

Astrônomos de diferentes observatórios combinam dados visuais e espectroscópicos para sustentar essa hipótese que surpreende a comunidade científica.

A nova interpretação do comportamento de 3I/ATLAS pode oferecer pistas inéditas sobre a natureza de cometas vindos de fora do nosso sistema solar — e, por isso, ganha atenção especial.

O que já se sabia sobre 3I/ATLAS?

Origem e descoberta

O cometa 3I/ATLAS foi identificado no dia 1º de julho de 2025, pelo telescópio do projeto ATLAS, instalado no Chile — e desde então despertou grande interesse por se tratar apenas do terceiro objeto interestelar confirmado a cruzar o Sistema Solar.

Estrutura básica e composição

Desde o início, observações de diversos instrumentos — incluindo o Hubble Space Telescope — mostraram que 3I/ATLAS possui um núcleo gelado e está envolto por uma coma brilhante de gás e poeira, característica típica de cometas ativos.

Estimativas indicam que seu núcleo pode ter entre cerca de 440 metros e até 5,6 quilômetros de diâmetro.

Composição incomum

Estudos realizados pelo James Webb Space Telescope (JWST) e por outros instrumentos aponta para uma coma dominada por dióxido de carbono (CO₂), com detecção de água (H₂O), monóxido de carbono (CO), gelo de água e poeira.

Essa proporção de CO₂ em relação à água é uma das maiores já observadas em cometas — o que sugere que 3I/ATLAS poderia ter se formado em condições diferentes das dos cometas tradicionais do Sistema Solar.

Foto: Josep M. Trigo-Rodríguez/Observatório B06 Montseny

Por que a hipótese de vulcões de gelo muda nossa visão?

Diferença entre sublimação e criovulcanismo

Até então, acreditava-se que a atividade do cometa vinha majoritariamente da sublimação — processo no qual o gelo converge diretamente ao estado gasoso à medida que o cometa se aquece.

Porém, os novos dados sugerem que a liberação de material pode ocorrer em episódios pontuais e intensos, como os de um criovulcão — uma erupção geológica de gelo e gases.

Indícios de estrutura interna complexa

Se 3I/ATLAS abriga criovulcões, isso indica que seu interior pode conter bolsões de gelo e compostos voláteis que permaneceram congelados por bilhões de anos — e que agora reagem de forma ativa a estímulos como o aquecimento solar.

Tais características aproximam 3I/ATLAS de corpos distantes do nosso Sistema Solar (como os do cinturão de Kuiper), embora sua origem seja interestelar.

Reescrevendo o que consideramos “normal” em cometas

A hipótese de vulcões de gelo amplia a definição de cometa: 3I/ATLAS mostra que nem todos se comportam igual.

Isso reforça que cometas vindos de outros sistemas estelares podem ter trajetórias, composições e mecanismos de atividade muito diferentes dos cometas tradicionais — o que enriquece nossa compreensão sobre a diversidade de corpos celestes no universo.

Foto: Josep M. Trigo-Rodríguez/Observatório B06 Montseny

Evidências recentes

  • Imagens obtidas por sondas da NASA e por telescópios terrestres mostraram jatos de gás e gelo direcionados em regiões específicas do cometa — algo compatível com criovulcanismo.
  • Análises espectroscópicas detectaram a presença de água, CO₂, CO e gelo de água — uma combinação que sugere regiões internas ricas em voláteis.
  • Comparações com meteoritos primitivos mostram semelhanças com materiais condensados nos primórdios de sistemas planetários, o que reforça a ideia de que 3I/ATLAS conserva gelo primordial de outro sistema estelar.

O que ainda precisa ser confirmado?

Apesar das evidências, a hipótese de vulcões de gelo ainda não é definitiva. Cientistas alertam que:

  • A atividade poderia, alternativamente, ser explicada por sublimação localizada ou por exposição pontual de gelo — não necessariamente por criovulcanismo.
  • São necessárias mais observações ao longo do tempo, especialmente espectrofotometria e imagens detalhadas da evolução da coma e dos jatos, para confirmar se os surtos são periódicos ou resultado de fenômenos internos.

Por que a descoberta importa — e o que ela revela sobre o cosmos?

A possibilidade de que 3I/ATLAS apresente criovulcões muda nossa percepção sobre cometas interestelares.

Ela sugere que corpos vindos de sistemas distantes podem carregar gelo e compostos voláteis preservados por bilhões de anos — oferecendo uma janela para estudar a formação de planetas fora do nosso Sistema Solar.

Além disso, revela a diversidade cósmica: cometas não são todos iguais — mesmo vindos de fora, podem ter histórias e composições variadas. Isso reforça a noção de que o universo tem muitas formas de dar origem a corpos gelados e ativos.

Por fim, estudar objetos como 3I/ATLAS ajuda a ampliar nosso entendimento sobre química cósmica, origem de ices, e até sobre os ingredientes que favorecem vida — já que muitos dos compostos detectados são considerados pré-biológicos.

Fonte: Olhar Digital e Arxiv

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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