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Com ventos acima de 400 km/h e tamanho superior ao da Terra, a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é a tempestade mais longa já observada no Sistema Solar

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 21/02/2026 às 14:21
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Com ventos acima de 400 km/h e tamanho superior ao da Terra, a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é a tempestade mais longa já observada no Sistema Solar
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Maior que a Terra e com ventos acima de 400 km/h, a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é a tempestade mais duradoura já registrada.

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é observada continuamente desde pelo menos 1831, com registros históricos que podem remontar ao século XVII. Dados recentes das missões Juno, da NASA, confirmam que essa estrutura atmosférica mantém ventos que ultrapassam 400 km/h, podendo chegar a aproximadamente 430 km/h nas bordas externas. Com dimensões atuais de cerca de 16.000 quilômetros de largura, ainda é grande o suficiente para engolir a Terra inteira, embora esteja encolhendo ao longo das últimas décadas. As medições são monitoradas por observatórios terrestres e pela NASA, que publica atualizações periódicas com base em dados espectroscópicos e imagens de alta resolução.

O que torna o fenômeno extraordinário não é apenas o tamanho, mas a sua longevidade. Trata-se da tempestade mais duradoura já observada em qualquer planeta do Sistema Solar.

A tempestade gigante em Júpiter que ultrapassa a escala terrestre

A Grande Mancha Vermelha é um anticiclone, ou seja, um sistema de alta pressão atmosférica que gira no sentido anti-horário no hemisfério sul de Júpiter. Diferente dos furacões na Terra, que duram dias ou semanas, essa tempestade existe há séculos.

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No final do século XIX, a mancha media aproximadamente 40.000 quilômetros de largura. Hoje, segundo medições recentes da NASA, ela possui cerca de 16.000 quilômetros. Isso indica que o sistema está encolhendo gradualmente, mas permanece colossal.

A título de comparação, o diâmetro da Terra é de aproximadamente 12.742 quilômetros. Ou seja, mesmo reduzida, a Grande Mancha Vermelha ainda supera o tamanho do nosso planeta.

Como funcionam os ventos extremos que ultrapassam 400 km/h

Os ventos da tempestade atingem velocidades superiores a 400 km/h nas camadas superiores da atmosfera. Dados da missão Juno indicam que a tempestade se estende verticalmente por centenas de quilômetros abaixo das nuvens visíveis.

Júpiter é composto majoritariamente por hidrogênio e hélio. Não há superfície sólida como na Terra. A atmosfera do planeta é marcada por bandas de nuvens em constante movimento, impulsionadas por diferenças de temperatura e rotação extremamente rápida.

Júpiter completa uma rotação em cerca de 10 horas, o que gera intensa força de Coriolis. Essa rotação rápida contribui para a formação de correntes atmosféricas extremamente estáveis.

Diferentemente da Terra, onde a fricção com a superfície reduz a energia das tempestades, em Júpiter não existe essa dissipação. Isso permite que sistemas como a Grande Mancha Vermelha persistam por séculos.

Por que a Grande Mancha Vermelha dura tanto tempo

Na Terra, furacões dependem de água quente como fonte de energia. Quando atingem o continente, perdem força. Em Júpiter, a tempestade é alimentada por energia interna do planeta.

Júpiter emite mais energia do que recebe do Sol. Parte dessa energia vem da compressão gravitacional contínua do planeta, fenômeno conhecido como mecanismo de Kelvin-Helmholtz.

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Essa energia térmica interna alimenta as correntes atmosféricas e ajuda a sustentar a estabilidade da Grande Mancha Vermelha.

Além disso, observações mostram que a tempestade absorve sistemas menores ao seu redor. Pequenos vórtices são capturados e incorporados, reforçando temporariamente sua intensidade.

A cor avermelhada e os mistérios químicos da atmosfera

A coloração avermelhada da tempestade ainda não é completamente compreendida. Estudos espectroscópicos indicam que compostos de fósforo, enxofre ou moléculas orgânicas complexas podem reagir com radiação ultravioleta solar, produzindo tons avermelhados.

A intensidade da cor varia ao longo dos anos. Em alguns períodos, a mancha apresenta tonalidade mais intensa; em outros, torna-se mais pálida.

A NASA monitora essas variações por meio da missão Juno e de telescópios terrestres equipados com filtros específicos para análise química.

A tempestade está desaparecendo?

Nas últimas décadas, observações indicam redução no diâmetro da Grande Mancha Vermelha. No final do século XIX, ela tinha largura três vezes maior que a atual.

Embora esteja encolhendo, medições recentes mostram que a taxa de redução desacelerou. Alguns pesquisadores sugerem que a tempestade pode eventualmente se dissipar ou transformar-se em um vórtice menor, mas não há consenso científico sobre quando isso poderia ocorrer.

A missão Juno revelou que a estrutura se estende profundamente abaixo das nuvens, o que sugere que sua base é mais robusta do que se imaginava.

Impacto científico e importância para a física atmosférica

A Grande Mancha Vermelha é um laboratório natural para estudar dinâmica de fluidos em escala planetária.

Modelos atmosféricos desenvolvidos a partir de dados de Júpiter ajudam cientistas a compreender melhor:

A estabilidade de vórtices gigantes
A interação entre camadas atmosféricas profundas
A dinâmica de planetas gasosos
A formação de sistemas atmosféricos em exoplanetas

O estudo dessa tempestade também contribui para avanços na modelagem de clima extremo na Terra, ainda que em contextos físicos muito diferentes.

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O que a missão Juno revelou sobre a estrutura interna da tempestade

Lançada em 2011 e inserida na órbita de Júpiter em 2016, a sonda Juno permitiu medições gravitacionais precisas.

Os dados indicam que a Grande Mancha Vermelha possui profundidade estimada em cerca de 300 a 500 quilômetros abaixo das nuvens visíveis.

Isso significa que o sistema não é apenas superficial, mas tem estrutura tridimensional complexa.

A Juno também registrou variações no campo gravitacional local causadas pela massa concentrada na tempestade.

Um fenômeno que desafia a escala humana

Se a Grande Mancha Vermelha estivesse na Terra, cobriria praticamente toda a América do Norte. Seus ventos superam a velocidade de muitos furacões terrestres de categoria máxima.

E, diferente das tempestades terrestres, ela não depende de oceanos líquidos nem de evaporação de água.

É uma estrutura sustentada por física atmosférica em escala planetária.

Um sistema que permanece ativo após séculos de observação

Desde que telescópios começaram a registrar sua presença, a Grande Mancha Vermelha permanece como um dos fenômenos mais fascinantes do Sistema Solar.

Mesmo com redução gradual de tamanho, continua sendo a tempestade mais duradoura já observada.

A combinação de rotação acelerada, ausência de superfície sólida e energia interna intensa cria condições únicas para sua existência.

Enquanto telescópios e sondas continuam monitorando Júpiter, a Grande Mancha Vermelha permanece como um lembrete de que a física atmosférica pode operar em escalas muito além da experiência humana.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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