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Depois de atravessar bilhões de anos pelo espaço profundo, partícula fantasma chega ao gelo da Antártida, é captada pelo observatório IceCube e leva cientistas até uma galáxia invisível, escondida por poeira cósmica, localizada a cerca de 11 bilhões de anos-luz da Terra

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 30/06/2026 às 14:59 Atualizado em 30/06/2026 às 15:01
Neutrino de alta energia atravessa o espaço e atinge o gelo da Antártida, onde sensores do IceCube detectam a partícula vinda de uma galáxia distante.
Ilustração mostra o neutrino chegando à Antártida, os sensores do IceCube sob o gelo e a galáxia Shadow Blaster no espaço profundo.
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Detectada pelo IceCube, a partícula IC 210922A levou astrônomos até a Shadow Blaster, uma galáxia compacta escondida por poeira e marcada pela intensa formação de estrelas

Para uma partícula capaz de atravessar planetas, estrelas e nuvens cósmicas, o gelo da Antártida finalmente revelou uma pista.

Em 22 de setembro de 2021, o Observatório de Neutrinos IceCube registrou o evento IC 210922A nas profundezas congeladas do Polo Sul.

A trajetória da partícula conduziu os cientistas até uma possível fonte situada a cerca de 11 bilhões de anos-luz da Terra.

Os pesquisadores apontam a galáxia JCMT0402−0424, apelidada de Shadow Blaster, como a principal candidata.

Uma enorme concentração de poeira ao redor do objeto impede que telescópios ópticos enxerguem a galáxia com clareza.

Como o IceCube encontrou o neutrino na Antártida

Os cientistas chamam o neutrino de “partícula fantasma” porque ele atravessa a matéria quase sem interagir com ela.

Essa característica permite que a partícula escape de regiões extremamente densas, mesmo quando nuvens de poeira bloqueiam a luz.

O IceCube usa milhares de sensores instalados sob o gelo antártico.

Esses equipamentos identificam pequenos sinais luminosos quando uma partícula interage raramente com o material congelado.

A equipe responsável pelo observatório classificou o evento como IC 210922A.

Os principais dados da investigação incluem:

  • Data da detecção: 22 de setembro de 2021;
  • Observatório responsável: IceCube, na Antártida;
  • Partícula registrada: neutrino de alta energia;
  • Galáxia candidata: JCMT0402−0424;
  • Distância estimada: 11 bilhões de anos-luz;
  • Apelido da galáxia: Shadow Blaster.
Radiotelescópios ajudam astrônomos a investigar a possível origem do neutrino IC 210922A, detectado pelo IceCube sob o gelo da Antártida.
Radiotelescópios instalados em região montanhosa observam o espaço em busca de sinais ligados ao neutrino IC 210922A e à galáxia Shadow Blaster – Imagem: IA

A galáxia escondida por uma enorme camada de poeira

A Shadow Blaster quase desaparece nas imagens ópticas porque uma espessa camada de poeira cósmica envolve toda a região.

Mesmo assim, a galáxia emite radiação em comprimentos de onda submilimétricos.

Instrumentos especializados captaram esse brilho oculto e revelaram a presença do objeto.

A galáxia existia durante o chamado meio-dia cósmico, período marcado por um dos maiores picos de formação estelar do Universo.

No início, os pesquisadores analisaram se um buraco negro supermassivo poderia explicar a grande quantidade de energia.

As observações, porém, não mostraram sinais convincentes de um núcleo galáctico ativo.

Os dados favorecem, portanto, a hipótese de uma região dominada pela intensa formação de estrelas.

Os telescópios que ajudaram a localizar a Shadow Blaster

O IceCube registrou o sinal original, mas outros observatórios ajudaram a rastrear sua possível origem.

O James Clerk Maxwell Telescope e o Submillimeter Array localizaram uma fonte brilhante dentro da região indicada pelo neutrino.

Na sequência, o ALMA, instalado no Chile, produziu imagens mais detalhadas da galáxia.

Uma galáxia posicionada à frente ampliou a radiação da Shadow Blaster por meio de uma lente gravitacional.

Esse fenômeno funcionou como uma lupa natural e aumentou a visibilidade do objeto distante.

O Gemini North também forneceu dados para a análise do campo celeste relacionado ao neutrino.

O que a Nature Astronomy apresentou em junho de 2026

Em 17 de junho de 2026, a revista científica Nature Astronomy publicou os resultados da investigação.

O estudo classificou a Shadow Blaster como a candidata eletromagnética mais plausível na região associada ao IC 210922A.

Os pesquisadores, entretanto, ainda não comprovaram definitivamente a origem do neutrino.

A descoberta fortalece a chamada astronomia multimensageira, que combina partículas, ondas e diferentes faixas de radiação.

Com essa abordagem, os cientistas conseguem investigar galáxias escondidas sem depender apenas da luz visível.

A Nature Astronomy, o Observatório ALMA, o NSF NOIRLab, o IceCube e o Observatório Astronômico Nacional do Japão divulgaram as informações.

A descoberta mostra como uma partícula extremamente difícil de capturar pode revelar regiões ocultas do Universo distante.

E você, acredita que os neutrinos poderão ajudar os cientistas a localizar outras galáxias invisíveis? Conte sua opinião nos comentários.

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Caio Aviz

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