Detectada pelo IceCube, a partícula IC 210922A levou astrônomos até a Shadow Blaster, uma galáxia compacta escondida por poeira e marcada pela intensa formação de estrelas
Para uma partícula capaz de atravessar planetas, estrelas e nuvens cósmicas, o gelo da Antártida finalmente revelou uma pista.
Em 22 de setembro de 2021, o Observatório de Neutrinos IceCube registrou o evento IC 210922A nas profundezas congeladas do Polo Sul.
A trajetória da partícula conduziu os cientistas até uma possível fonte situada a cerca de 11 bilhões de anos-luz da Terra.
-
Pesquisadores desenvolvem “nariz eletrônico” para identificar comida estragada e até vestígios de alergênicos
-
Vazamento gigantesco coloca o iPhone 18 Pro no centro das atenções meses antes da estreia, após hackers divulgarem mais de 200 mil documentos confidenciais com imagens, peças, câmeras, bateria, chips e segredos industriais da Apple
-
Você não consegue mudar a idade nem a genética, mas pesquisadores descobriram que existe outro fator capaz de continuar influenciando o risco de demência mesmo após alterações cerebrais
-
Máquina de lavar roupas movida a pedal, feita com peças de bicicleta, lava a roupa em três minutos sem gastar uma gota de eletricidade, e a engenhoca que parece uma bicicleta de academia ainda devolve as roupas 80% secas.
Os pesquisadores apontam a galáxia JCMT0402−0424, apelidada de Shadow Blaster, como a principal candidata.
Uma enorme concentração de poeira ao redor do objeto impede que telescópios ópticos enxerguem a galáxia com clareza.
Como o IceCube encontrou o neutrino na Antártida
Os cientistas chamam o neutrino de “partícula fantasma” porque ele atravessa a matéria quase sem interagir com ela.
Essa característica permite que a partícula escape de regiões extremamente densas, mesmo quando nuvens de poeira bloqueiam a luz.
O IceCube usa milhares de sensores instalados sob o gelo antártico.
Esses equipamentos identificam pequenos sinais luminosos quando uma partícula interage raramente com o material congelado.
A equipe responsável pelo observatório classificou o evento como IC 210922A.
Os principais dados da investigação incluem:
- Data da detecção: 22 de setembro de 2021;
- Observatório responsável: IceCube, na Antártida;
- Partícula registrada: neutrino de alta energia;
- Galáxia candidata: JCMT0402−0424;
- Distância estimada: 11 bilhões de anos-luz;
- Apelido da galáxia: Shadow Blaster.

A galáxia escondida por uma enorme camada de poeira
A Shadow Blaster quase desaparece nas imagens ópticas porque uma espessa camada de poeira cósmica envolve toda a região.
Mesmo assim, a galáxia emite radiação em comprimentos de onda submilimétricos.
Instrumentos especializados captaram esse brilho oculto e revelaram a presença do objeto.
A galáxia existia durante o chamado meio-dia cósmico, período marcado por um dos maiores picos de formação estelar do Universo.
No início, os pesquisadores analisaram se um buraco negro supermassivo poderia explicar a grande quantidade de energia.
As observações, porém, não mostraram sinais convincentes de um núcleo galáctico ativo.
Os dados favorecem, portanto, a hipótese de uma região dominada pela intensa formação de estrelas.
Os telescópios que ajudaram a localizar a Shadow Blaster
O IceCube registrou o sinal original, mas outros observatórios ajudaram a rastrear sua possível origem.
O James Clerk Maxwell Telescope e o Submillimeter Array localizaram uma fonte brilhante dentro da região indicada pelo neutrino.
Na sequência, o ALMA, instalado no Chile, produziu imagens mais detalhadas da galáxia.
Uma galáxia posicionada à frente ampliou a radiação da Shadow Blaster por meio de uma lente gravitacional.
Esse fenômeno funcionou como uma lupa natural e aumentou a visibilidade do objeto distante.
O Gemini North também forneceu dados para a análise do campo celeste relacionado ao neutrino.
O que a Nature Astronomy apresentou em junho de 2026
Em 17 de junho de 2026, a revista científica Nature Astronomy publicou os resultados da investigação.
O estudo classificou a Shadow Blaster como a candidata eletromagnética mais plausível na região associada ao IC 210922A.
Os pesquisadores, entretanto, ainda não comprovaram definitivamente a origem do neutrino.
A descoberta fortalece a chamada astronomia multimensageira, que combina partículas, ondas e diferentes faixas de radiação.
Com essa abordagem, os cientistas conseguem investigar galáxias escondidas sem depender apenas da luz visível.
A Nature Astronomy, o Observatório ALMA, o NSF NOIRLab, o IceCube e o Observatório Astronômico Nacional do Japão divulgaram as informações.
A descoberta mostra como uma partícula extremamente difícil de capturar pode revelar regiões ocultas do Universo distante.
E você, acredita que os neutrinos poderão ajudar os cientistas a localizar outras galáxias invisíveis? Conte sua opinião nos comentários.
