Uma torre eólica de 257 metros será construída no Ceará e pode mudar o padrão da energia renovável no país. Entenda como funciona o projeto e por que ele chama tanta atenção.
O Brasil pode estar prestes a entrar em uma nova era da energia renovável. No litoral do Ceará, uma empresa planeja erguer a maior torre eólica já vista no país.
A estrutura promete alcançar ventos mais fortes, gerar mais eletricidade e, ao mesmo tempo, colocar o estado no centro das atenções do setor energético mundial.
A iniciativa é da Casa dos Ventos, uma das maiores companhias de energia renovável do Brasil. O projeto, batizado de Projeto Everest, prevê a construção de uma torre eólica com 257 metros de altura do solo até a ponta da pá — o equivalente a quase sete estátuas do Cristo Redentor empilhadas.
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Onde a megatorre será instalada e quando as obras começam
De acordo com informações obtidas com exclusividade, a torre será instalada no município de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza. A área é estratégica, pois concentra parte da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, próxima ao Porto do Pecém.
As obras estão previstas para começar no segundo semestre de 2027. Até lá, a empresa deve concluir as etapas de engenharia, licenciamento e testes estruturais.
Atualmente, as torres eólicas no Brasil têm entre 80 e 120 metros de altura, segundo dados do Ministério de Minas e Energia. A nova estrutura vai mais que dobrar esse padrão.
Sem contar a pá, a torre terá 166 metros de altura. Quando somada à extensão das hélices, o total chega a 257 metros. Essa diferença não é apenas estética. Quanto mais alta a torre, maiores são as chances de captar ventos mais fortes e constantes, o que aumenta a capacidade de geração de energia.

Assim, a torre eólica passa a acessar camadas da atmosfera onde o vento é mais estável, reduzindo variações e aumentando a eficiência do sistema.
Como funciona uma torre eólica na prática
O funcionamento é simples, mas altamente tecnológico. As pás são movimentadas pela força do vento. Esse giro aciona as turbinas, que transformam a energia mecânica em energia elétrica por meio de um gerador.
Quanto mais constante for o vento, mais previsível será a produção. Por isso, torres mais altas representam uma vantagem estratégica para o setor.
O protótipo da megatorre será desenvolvido em parceria com a Goldwind, responsável pelas turbinas e aerogeradores, e com a Cortez Engenharia, que ficará encarregada da construção.
O custo estimado da torre eólica é de R$ 94,4 milhões. Parte do valor virá de um fundo para inovação da Finep, empresa pública ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
A expectativa é que o projeto funcione como um modelo para uma nova geração de torres eólicas no Brasil.
Tecnologia inédita reduz custos e elimina guindastes gigantes
A megatorre será construída com concreto pré-moldado autoiçável. Esse sistema permite que a própria estrutura “suba” durante a montagem, dispensando guindastes de grande porte — equipamentos que não existem no Brasil para alturas acima de 135 metros.
A torre será pré-montada em duas semi-torres de aproximadamente 80 metros cada. Depois do içamento, elas serão unidas com cabos de protensão. Em seguida, os espaços internos receberão graute, uma argamassa de alta resistência que garante a estabilidade da estrutura.
São Gonçalo do Amarante também está ligado a outro projeto bilionário: a construção de um complexo de cinco data centers da gigante chinesa ByteDance, controladora do TikTok, em área próxima, no município de Caucaia.
O investimento previsto supera R$ 580 bilhões. Para que o projeto fosse aprovado, o governo federal exigiu que os data centers utilizassem energia renovável.
A Casa dos Ventos também participa desse plano, sendo responsável por desenvolver parques de energia limpa para abastecer o complexo.
No entanto, a empresa esclareceu que a torre eólica do Projeto Everest não faz parte do data center, pois o objetivo principal é testar a viabilidade técnica e econômica dessa nova tecnologia.
Para você, quais são os principais benefícios e malefícios envolvidos na construção de um projeto desse porte?


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