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Com quase 1.300 km, a Karakoram Highway desafia a geografia ao atingir 4.714 metros de altitude, cortar geleiras e picos de 7.000 m, ligar China e Paquistão e operar como rota estratégica escavada na rocha.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/01/2026 às 17:12
Assista o vídeoKarakoram Highway liga China e Paquistão a quase 4.700 metros, cruza geleiras, picos de 7.000 m e funciona como rota estratégica escavada na rocha.
Karakoram Highway liga China e Paquistão a quase 4.700 metros, cruza geleiras, picos de 7.000 m e funciona como rota estratégica escavada na rocha.
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Considerada uma das estradas pavimentadas mais altas do planeta, a Karakoram Highway atravessa cadeias montanhosas extremas, conecta China e Paquistão por vales glaciais e rios de degelo e sustenta papel logístico, diplomático e turístico em uma das regiões mais instáveis e elevadas do mundo.

A Karakoram Highway, conhecida pela sigla KKH, cruza uma das regiões montanhosas mais altas e instáveis do planeta ao conectar o Paquistão à China por cerca de 1.300 quilômetros.

Considerada uma das estradas pavimentadas mais elevadas do mundo, a rodovia chega a aproximadamente 4.714 metros em seu ponto máximo, nas proximidades do Passo de Khunjerab, onde fica a passagem fronteiriça pavimentada mais alta, a 4.693 metros.

No trajeto, a estrada acompanha vales glaciais, rios de degelo e encostas abruptas, com trechos abertos diretamente na rocha.

Altitude extrema e geografia da Karakoram Highway

A rodovia sobe até a faixa dos 4.000 metros em segmentos do norte do Paquistão, já em Gilgit-Baltistan, antes de alcançar a zona do Passo de Khunjerab, na linha que separa os dois países.

Esse patamar coloca a KKH em um nível comparável ao de montanhas famosas e, na prática, impõe condições que raramente aparecem em vias internacionais pavimentadas: ar mais rarefeito, variação rápida de temperatura e mudanças bruscas de clima em poucos quilômetros.

Por outro lado, o recorde atribuído à Karakoram Highway costuma aparecer em duas medidas que circulam juntas.

A primeira é a altitude do posto e da travessia em Khunjerab, frequentemente citada por ser uma referência geográfica clara.

Karakoram Highway liga China e Paquistão a quase 4.700 metros, cruza geleiras, picos de 7.000 m e funciona como rota estratégica escavada na rocha.
Karakoram Highway liga China e Paquistão a quase 4.700 metros, cruza geleiras, picos de 7.000 m e funciona como rota estratégica escavada na rocha.

A segunda é o ponto máximo da estrada nas imediações, divulgado como cerca de 4.714 metros, valor que reforça a dimensão do desafio de pavimentar e manter uma via nesse ambiente.

Enquanto isso, o cenário ao redor ajuda a explicar por que a estrada ganhou apelidos como “a estrada que toca o céu”.

O caminho atravessa o sistema do Karakoram e áreas próximas ao Himalaia, onde picos acima de 7.000 metros podem ser vistos a partir de trechos específicos, dependendo do tempo e da visibilidade.

Em dias abertos, aparecem montanhas cobertas de neve, geleiras aparentes e rios com tons esverdeados ou azul-turquesa, alimentados pelo degelo.

Engenharia em alta montanha e riscos permanentes

A Karakoram Highway não nasceu como rota turística: ela foi pensada como ligação estratégica entre dois países com interesses de integração e logística.

A construção começou em 1962, avançou por quase duas décadas e terminou em 1979, antes de a estrada ser aberta ao público em 1986.

O período de obras é citado como um dos mais arriscados da engenharia viária moderna, justamente porque o terreno combina altitude extrema, avalanches, deslizamentos e quedas de barreira.

Em vários pontos, a sensação é de pista suspensa entre o vazio e a parede.

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Isso não é apenas figura de linguagem: segmentos foram escavados na encosta, com cortes profundos na rocha para criar espaço de passagem, em um tempo em que o maquinário era mais limitado do que o disponível hoje.

Ainda assim, a dificuldade não termina com a inauguração.

A manutenção continua sendo parte central da rotina, já que a estrada é vulnerável a instabilidade geológica, enxurradas e impactos do degelo.

A própria história recente do trajeto ilustra esse risco.

Em janeiro de 2010, um grande deslizamento no Vale de Hunza bloqueou o rio Hunza, formou o lago Attabad e inundou um trecho relevante da rodovia, interrompendo a ligação terrestre em parte do caminho.

Desde então, a região passou a conviver com soluções de contorno, realinhamentos e estruturas para restabelecer a continuidade do fluxo.

Importância estratégica para China e Paquistão

A KKH liga Hasan Abdal, no Paquistão, a Kashgar, na região chinesa de Xinjiang, conectando trechos que também se articulam com a malha rodoviária local dos dois lados da fronteira.

No Paquistão, a estrada é identificada como National Highway 35 (N-35) e funciona como espinha dorsal para comunidades montanhosas que dependem dela para transporte de pessoas, alimentos e mercadorias.

Além disso, a Karakoram Highway ganhou relevância adicional ao ser integrada a projetos de infraestrutura associados ao Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), frequentemente citado como parte da Belt and Road Initiative.

Na prática, isso significa que a rodovia não é apenas um caminho entre montanhas: ela serve de base para modernizações, ampliações e reorganização logística, em uma área sensível do ponto de vista geopolítico.

Karakoram Highway liga China e Paquistão a quase 4.700 metros, cruza geleiras, picos de 7.000 m e funciona como rota estratégica escavada na rocha.
Karakoram Highway liga China e Paquistão a quase 4.700 metros, cruza geleiras, picos de 7.000 m e funciona como rota estratégica escavada na rocha.

Na China, a estrada é chamada de “Estrada da Amizade”, expressão que reforça o componente diplomático do empreendimento.

Ainda assim, o uso cotidiano tem uma face concreta: caminhões de carga, ônibus e carros particulares dividem faixas estreitas em trechos onde, por longas distâncias, não há rotas alternativas rápidas.

Em alguns vales, a rodovia atua como acesso principal e, em certos períodos do ano, a única via funcional para abastecimento.

Turismo de aventura e paisagens de altitude

Com o tempo, a Karakoram Highway deixou de ser vista somente como corredor logístico e passou a atrair viajantes interessados em paisagens de altitude e deslocamentos longos por áreas remotas.

Ciclistas e motociclistas costumam escolher trechos do Vale de Hunza e do entorno de Passu, onde geleiras e paredes rochosas se aproximam da pista, criando pontos de observação muito próximos do gelo e das montanhas.

Entre as paradas mais conhecidas está o lago Attabad, que virou atração depois do deslizamento que o criou.

Outro local recorrente em roteiros é Karimabad, no Vale de Hunza, citada por servir de base para deslocamentos menores e por oferecer vista para cadeias montanhosas ao redor.

A experiência, no entanto, depende diretamente da estação e do clima.

Mudanças rápidas de tempo afetam visibilidade, temperatura e condições de rodagem.

Ainda assim, a estrada não opera como cartão-postal permanente.

Em vários pontos, neblina densa, vento forte e precipitação repentina mudam o trajeto em minutos, o que ajuda a explicar por que a KKH permanece associada tanto à beleza quanto ao risco.

Clima, altitude e cuidados ao longo do percurso

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Viajar pela KKH exige planejamento, porque a rodovia pode sofrer bloqueios por queda de rochas, neve e deslizamentos, sobretudo no inverno e em períodos de instabilidade.

Mesmo no verão, quando o fluxo turístico tende a crescer, o tempo em alta montanha segue imprevisível, e trechos longos podem ter poucos serviços de apoio, como oficinas e postos.

A altitude também pesa.

Ao ultrapassar a marca de 4.000 metros, o ar mais rarefeito pode provocar mal-estar em pessoas sensíveis, principalmente quando a subida acontece de forma rápida.

Por isso, viajantes costumam adotar estratégia de ascensão gradual, manter hidratação e evitar esforços intensos logo na chegada a pontos mais altos.

Além disso, é comum checar as condições do veículo antes de entrar em áreas mais remotas.

Com uma estrada que combina recordes de altitude, função estratégica e manutenção permanente contra forças naturais, a Karakoram Highway segue como símbolo de integração e de risco calculado em uma das fronteiras mais complexas do mundo.

Até que ponto uma rota desse tipo pode crescer sem esbarrar nos limites impostos pela própria montanha?

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Francisco Fortes Filho
Francisco Fortes Filho
23/01/2026 06:13

Se fosse no Brasill uma estrada dessa nunca seria feita. O Brasil é um dos países c/ maiores perspectivas de se tornar um dos mais ricos e desenvolvidos do mundo,mas a corrupção nunca o transforma.

O rombo do Maste/BRB é um exemplo. Vai ser outro Anão do Orçamento, Mensalão, Petrolão, Lava Jato, Dinheiro nas Cuecas, Aeronaves, Emendas PIX/Secretas, ****, Barras de Ouro, Dinheiro nos Apartamentos e todos os tipos de corrupção possível, etc, etc…

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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