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Com pouco mais de 14 mil habitantes, cidade produz cerca de 200 mil toneladas de melancia por ano e responde por 10% de toda a fruta colhida no Brasil, o que lhe rendeu o apelido de capital da melancia

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/05/2026 às 11:35
Atualizado em 28/05/2026 às 11:38
Assista o vídeoUruana, em Goiás, produz cerca de 200 mil toneladas de melancia por ano, 10% do total do Brasil, e virou a capital da melancia pela fama e tradição da fruta.
Uruana, em Goiás, produz cerca de 200 mil toneladas de melancia por ano, 10% do total do Brasil, e virou a capital da melancia pela fama e tradição da fruta.
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A vocação nasceu em 1968, quando um agrônomo da Emater enxergou no solo rico em potássio e na água do Rio Uru o cenário ideal para a fruta. Hoje a colheita equivale a cerca de 16 toneladas por morador e abastece meio Brasil, além de cruzar a fronteira rumo a Argentina, Paraguai e Uruguai.

Com pouco mais de 14 mil habitantes, a pequena Uruana, no interior de Goiás, produz cerca de 200 mil toneladas de melancia por ano e responde por aproximadamente 10% de toda a fruta colhida no Brasil. Esse desempenho impressionante, especialmente para uma cidade tão pequena, lhe rendeu o apelido nacional de capital da melancia, título que carrega com orgulho há décadas.

Localizada no centro goiano, a cerca de 140 a 170 quilômetros de Goiânia, a cidade transformou a fruta em sua principal identidade econômica e cultural. Vale, no entanto, um esclarecimento importante: Uruana é reconhecida como capital da melancia pela fama, pela tradição e pela qualidade do que produz, e não por ser a maior em volume absoluto. Em número de toneladas, há municípios que produzem mais, como veremos adiante, mas nenhum tem o prestígio que Uruana construiu em torno da fruta.

De onde vem a fama de capital da melancia

Uruana, em Goiás, produz cerca de 200 mil toneladas de melancia por ano, 10% do total do Brasil, e virou a capital da melancia pela fama e tradição da fruta.
A história começou em 1968, quando o engenheiro agrônomo da Emater Arsênio da Silveira fez um diagnóstico que mudaria os rumos do município. 

Ele concluiu que a região tinha solo e clima ideais para o cultivo da melancia, além da vantagem da proximidade com grandes mercados consumidores em ascensão, como o eixo Goiânia, Anápolis e Brasília, e também o mercado paulista.

A partir daí, a produção cresceu e se enraizou na vida da cidade. A melancia deixou de ser apenas uma lavoura para se tornar símbolo de Uruana, a ponto de o município ser saudado nacionalmente como sua capital. Logo na entrada da cidade, um monumento em formato de melancia recepciona os visitantes, reforçando uma identidade construída ao longo de mais de meio século de tradição agrícola.

Os números que impressionam

Uruana, em Goiás, produz cerca de 200 mil toneladas de melancia por ano, 10% do total do Brasil, e virou a capital da melancia pela fama e tradição da fruta.
A escala da produção chama a atenção justamente pelo contraste com o tamanho da cidade. 

São cerca de 200 a 220 mil toneladas de melancia por ano, o que equivale, em média, a impressionantes 16 toneladas da fruta para cada morador de Uruana, se considerada apenas a população local de pouco mais de 14 mil pessoas.

Esse volume coloca o município entre os principais polos produtores do país e responde por cerca de 10% de toda a melancia colhida no Brasil, que produz aproximadamente 2,24 milhões de toneladas por ano em uma área de quase 102 mil hectares, segundo dados do IBGE. A fruta, aliás, é uma das mais consumidas no país, especialmente no verão, o que garante demanda constante para os produtores goianos.

Capital pela fama, não pelo volume

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Aqui entra um ponto que merece precisão, para não cair em exageros comuns. Apesar do apelido, Uruana não é a maior produtora de melancia do Brasil em volume absoluto. Segundo dados do IBGE citados pela Assembleia Legislativa de Goiás, o município goiano aparece como o segundo maior produtor nacional, atrás de Baraúna, no Rio Grande do Norte.

Reportagens como a do jornal O Povo também são claras ao apontar que existem municípios de outras regiões, especialmente no Sul do país, com produção absoluta maior. O que faz de Uruana a capital da melancia é o reconhecimento nacional, o envolvimento da população e a identidade cultural construída em torno da fruta, e não necessariamente o primeiro lugar no ranking de toneladas. A própria legislação estadual a reconhece formalmente como capital goiana da melancia.

O segredo da produtividade

Vários fatores explicam por que a melancia se dá tão bem em Uruana. Do ponto de vista natural, o solo da região é rico em potássio, nutriente essencial para o desenvolvimento da fruta, e há boa disponibilidade de água, com destaque para o Rio Uru, que favorece sistemas de irrigação contínuos ao longo do ano e garante regularidade na produção.

A esses fatores ambientais somam-se os tecnológicos. Produtores locais investem em manejo de solo, controle de pragas, sementes selecionadas e pesquisas de melhoramento genético, o que eleva a produtividade e a qualidade do fruto. Essa combinação de natureza e tecnologia é o que permite a Uruana manter colheitas em larga escala e abastecer mercados exigentes dentro e fora do Brasil.

Da roça goiana para o exterior

A melancia de Uruana não fica só em Goiás. A produção abastece diversos estados brasileiros, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pará e o Distrito Federal, e ainda atravessa fronteiras, sendo exportada para países do Mercosul como Argentina, Paraguai e Uruguai. A boa malha rodoviária da região facilita o escoamento rápido da safra para os centros de distribuição.

Esse alcance mostra como uma cultura agrícola bem estruturada pode transformar a economia de um pequeno município do interior. Para o agronegócio brasileiro, Uruana é um exemplo de como a combinação de vocação regional, assistência técnica e organização produtiva pode gerar renda, empregos e reconhecimento muito além do tamanho da cidade no mapa.

A Festa da Melancia

Toda essa força produtiva tem seu auge em uma celebração. A Festa da Melancia de Uruana existe há mais de 40 anos, acontece tradicionalmente em setembro e reúne, em média, cerca de 80 mil visitantes, número quase seis vezes maior que a população da cidade. A festa virou marca do calendário cultural goiano e atrai gente de várias partes do país.

A programação inclui shows musicais, desfiles temáticos, feiras de produtos locais, exposições, competições e até disputas de quem come mais melancia, além da tradicional eleição da Rainha da Melancia. Mais do que uma festa, o evento valoriza a agricultura familiar e o agronegócio regional, reforçando o vínculo afetivo dos moradores com a fruta que deu fama à cidade. Em edições recentes, autoridades como o governador Ronaldo Caiado destacaram a relevância econômica do setor para a região.

Uruana é a prova de que tamanho não é documento quando se fala em vocação agrícola. Com pouco mais de 14 mil habitantes, a cidade goiana construiu, ao longo de mais de cinquenta anos, uma identidade tão forte em torno da melancia que se tornou conhecida como a capital nacional da fruta, mesmo sem ser a maior em volume. É um retrato bonito de como tradição, condições naturais e trabalho podem colocar um pequeno município do interior no mapa do agronegócio brasileiro e até no mercado internacional.

E você, já tinha ouvido falar de Uruana, a capital da melancia no coração de Goiás? Já provou ou conhece alguém que visita a famosa Festa da Melancia? Deixe seu comentário, conte sua relação com essa fruta tão querida do verão e compartilhe a matéria com quem ama o agronegócio, as curiosidades do Brasil e, claro, uma boa melancia.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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