Levantamento da SOS Mata Atlântica identificou herbicidas, fungicidas, inseticidas, microplásticos e outras substâncias em 14 pontos do principal rio paulista.
Um levantamento ambiental de grande relevância identificou 25 tipos de agrotóxicos no Rio Tietê, em São Paulo.
As substâncias foram encontradas ao menos uma vez em amostras de água coletadas em 14 pontos do rio, durante a Expedição Tietê 2025.
A ação ocorreu entre 9 e 14 de junho de 2025 e percorreu mais de 1.100 quilômetros, da nascente, em Salesópolis, até a foz no Rio Paraná, em Itapura.
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O estudo foi conduzido pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com universidades, o Instituto Itaúsa e o Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP.
Estudo revela contaminação por herbicidas, fungicidas e inseticidas
As análises identificaram herbicidas, fungicidas e inseticidas usados em lavouras comuns na bacia do Tietê.
Entre as culturas associadas à região estão cana-de-açúcar, soja, laranja e limão.
Parte dos agrotóxicos aplicados nas plantações atinge as pragas.
O restante pode ser levado pela chuva ou infiltrar no solo, chegando a rios, córregos e outras fontes de água.

Atrazina chama atenção por risco à saúde
A atrazina foi um dos principais alertas do estudo.
O herbicida é usado no Brasil para combater plantas daninhas.
A substância está proibida na União Europeia desde 2004, devido a riscos ambientais e à saúde humana.
A Organização Mundial da Saúde, por meio de sua agência especializada, classificou a atrazina como substância com potencial cancerígeno.
Em alguns trechos do Tietê, a concentração de atrazina superou o limite da Resolução Conama nº 357/2005.
Essa norma define padrões de qualidade da água em rios brasileiros.
Agrotóxicos aparecem até na nascente do Tietê
A região da nascente, em Salesópolis, é considerada relativamente preservada.
Mesmo nesse trecho, foram detectados herbicidas e inseticidas.
As maiores concentrações apareceram entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, área marcada por intensa atividade agrícola.
Dois herbicidas foram encontrados em todos os pontos analisados:
- Tebutiurom: 100%
- Clomazona: 100%
Outros compostos também tiveram alta presença nas amostras:
- Diurom: 92,86%
- Atrazina: 85,71%
- Hexazinona: 85,71%
- Ciproconazol: 85,71%
- Acetamiprido: 85,71%
- Azoxistrobina: 78,57%
- Ametrina: 78,57%
Riscos ambientais preocupam especialistas
Segundo o estudo, fungicidas e inseticidas podem prejudicar peixes e outros organismos aquáticos.
Entre os impactos possíveis estão mudanças no funcionamento do organismo, alterações de comportamento e desequilíbrios na cadeia alimentar.
O risco pode aumentar quando vários agrotóxicos aparecem juntos.
A combinação dessas substâncias pode potencializar seus efeitos no ambiente aquático.
O relatório também alerta para o uso da água do Médio e Baixo Tietê no abastecimento público.
Sistemas convencionais de tratamento nem sempre removem totalmente contaminantes orgânicos.
Expedição encontrou microplásticos e outras substâncias
A Expedição Tietê também identificou microplásticos em todos os pontos de coleta.
As análises encontraram ainda 16 substâncias, entre medicamentos e drogas ilícitas, incluindo cocaína.
O estudo reforça a importância do monitoramento contínuo da qualidade da água no Rio Tietê.
A pesquisa também evidencia a necessidade de atenção sobre os impactos da atividade agrícola, do descarte urbano e da contaminação química nos rios brasileiros.
O que esse alerta revela sobre o futuro do Tietê?
A presença de agrotóxicos, microplásticos e outras substâncias mostra que a recuperação do Rio Tietê ainda enfrenta grandes desafios.
Embora o rio passe por processos naturais de diluição e autodepuração, a contaminação detectada exige acompanhamento técnico, transparência e políticas ambientais eficazes.
Diante desse cenário, o que deve ser prioridade: ampliar a fiscalização sobre o uso de agrotóxicos ou investir em tecnologias mais eficientes de tratamento da água? Deixe sua opinião!
