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Halo fantasmagórico gigante aparece ao redor de ilhas remotas no Pacífico e a NASA revela que tudo foi criado por minúsculos organismos marinhos

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 08/07/2026 às 09:09 Atualizado em 08/07/2026 às 09:11
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© Um estranho anel turquesa circunda ilhas remotas. Crédito: Observatório da Terra da NASA/NOAA/Lauren Dauphin
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Imagem capturada pelo satélite NOAA-20 mostra uma grande floração de fitoplâncton ao redor das Ilhas Chatham, na Nova Zelândia, moldada pela Elevação de Chatham e visível da órbita terrestre

Uma grande floração de fitoplâncton formou um anel turquesa e verde ao redor das Ilhas Chatham, a cerca de 800 quilômetros da Ilha Sul da Nova Zelândia. A imagem foi capturada em 10 de janeiro de 2026 pelo satélite NOAA-20 e divulgada pela NASA em 16 de janeiro, mostrando um fenômeno visível da órbita.

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Satélite da NASA registrou anel brilhante em área remota do Pacífico Sul

O registro foi feito pelo instrumento VIIRS, instalado no satélite NOAA-20. A imagem chamou atenção porque a floração desenhou o contorno da Elevação de Chatham, um platô subaquático raso que se estende para leste a partir da Ilha Sul da Nova Zelândia.

As Ilhas Chatham ficam em uma região isolada do oceano. A maior delas, a Ilha Chatham, tem cerca de 58 quilômetros de diâmetro. A vizinha Ilha Pitt tem aproximadamente 15 quilômetros.

Por causa dessa localização remota, imagens de satélite são uma das principais formas de observar eventos oceânicos de grande escala nessa parte do Pacífico Sul.

Segundo o Observatório da Terra da NASA, a proliferação era grande o suficiente para ser vista a olho nu da órbita.

Elevação de Chatham ajudou a moldar a floração de fitoplâncton

A Elevação de Chatham funciona como uma estrutura submarina capaz de influenciar o movimento da água. O platô fica entre águas mais profundas ao norte e ao sul, criando uma espécie de rampa no fundo do mar.

Correntes frias e ricas em nutrientes, vindas da Antártida, encontram essa elevação e são empurradas para a superfície.

Ao chegar às camadas superiores, essa água se mistura com água mais quente e pobre em nutrientes vinda dos subtrópicos.

No verão austral, as longas horas de luz do dia completam as condições necessárias para o crescimento rápido do fitoplâncton. A combinação de nutrientes, luz e circulação oceânica favorece florações amplas na região.

Depois de formada, a floração foi puxada pelas correntes superficiais e por redemoinhos. Esse movimento espalhou os organismos em filamentos, espirais e no formato de anel visto na imagem.

A NASA observa que florações são comuns ao longo da Elevação de Chatham. O Observatório da Terra já havia documentado fenômenos semelhantes na região, incluindo um evento registrado em dezembro de 2009.

O diferencial do registro de janeiro de 2026 foi a escala e o formato bastante definido do anel ao redor das ilhas.

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Cor turquesa indica possível presença de cocolitóforos

A tonalidade azul-esverdeada leitosa sugere a presença de cocolitóforos, um grupo de fitoplâncton que forma conchas microscópicas de carbonato de cálcio ao redor de suas células.

Essas pequenas estruturas refletem a luz solar e produzem a aparência turquesa calcária observada por satélites. Essa cor é diferente do verde mais escuro normalmente associado a outros tipos de algas.

A imagem foi processada com o uso de um filtro de infravermelho próximo. Esse recurso ajudou a destacar o contraste entre a floração e as águas mais escuras do oceano aberto.

Apesar da assinatura visual, não houve coleta direta de amostras por navios de pesquisa durante a proliferação.

A identificação dos cocolitóforos foi feita com base na assinatura óptica capturada pelos instrumentos de satélite.

Esse tipo de observação já tem respaldo em estudos anteriores. Um estudo publicado em 2001 no New Zealand Journal of Marine and Freshwater Research mapeou a distribuição do fitoplâncton ao redor da Nova Zelândia usando dados de cor do oceano obtidos por satélite.

Esse trabalho encontrou a mesma assinatura turquesa associada a florações de cocolitóforos, que aparecem repetidamente nas águas da Elevação de Chatham ao longo do tempo.

Halo fantasmagórico gigante aparece ao redor de ilhas remotas no Pacífico e a NASA revela que tudo foi criado por minúsculos organismos marinhos
© Um estranho anel turquesa circunda ilhas remotas. Crédito: Observatório da Terra da NASA/NOAA/Lauren Dauphin

Floração sustenta cadeia alimentar e pescarias locais

O fitoplâncton está na base da cadeia alimentar oceânica. Quando ocorre uma proliferação desse tamanho, há um pulso de energia disponível para organismos que dependem dele, como pequenos peixes e crustáceos.

Essa base alimentar também sustenta animais maiores e ajuda a explicar a produtividade das águas ao redor das Ilhas Chatham. A região abriga pescarias de abalone, lagosta e bacalhau azul.

O oceano no entorno das ilhas também é habitat de cinco espécies de focas e cerca de 25 espécies de baleias e golfinhos. A região ainda reúne pinguins, albatrozes e leões-marinhos.

A mesma estrutura submarina que favorece a floração também mantém o fornecimento regular de nutrientes.

Ao empurrar água profunda para a superfície, a Elevação de Chatham sustenta um ambiente biologicamente ativo no Pacífico Sul.

Águas rasas também estão ligadas a encalhes de baleias

As águas ao redor das Ilhas Chatham também são conhecidas por um histórico de encalhes de baleias e golfinhos. O padrão se repete há mais de um século na região.

As baleias-piloto estão entre as mais vulneráveis porque se deslocam em grupos muito unidos. Quando um animal se desorienta ou se fere em águas rasas, outros podem segui-lo em direção à costa.

Em outubro de 2022, quase 500 baleias-piloto encalharam na Ilha Chatham ao longo de cerca de quatro dias.

Segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia, os animais foram submetidos à eutanásia porque o resgate não era possível diante do número de baleias e da localização remota.

O caso não foi o maior já registrado no local. Em 1918, mais de 1.000 baleias-piloto morreram após encalharem na mesma ilha, no encalhe de baleias mais mortal já documentado.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do Observatório da Terra da NASA, do Departamento de Conservação da Nova Zelândia e de estudo publicado no New Zealand Journal of Marine and Freshwater Research, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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