Maior fábrica da BYD reúne automação extrema, produção em larga escala e integração vertical inédita, criando um complexo industrial que atrai atenção global pela capacidade tecnológica e pelos efeitos sobre o mercado automotivo.
O maior complexo industrial da BYD para carros de passeio na China funciona como uma cidade voltada à mobilidade elétrica.
A área cobre 10,67 km², emprega cerca de 57 mil pessoas e opera com níveis de automação próximos de 100%.
Segundo reportagem publicada pelo UOL, o complexo utiliza quase 2 mil robôs em linhas capazes de montar até 12 modelos distintos ao mesmo tempo, alcançando automação superior a 98%.
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Cidade industrial e operação em larga escala
A visita ao complexo de Zhengzhou reúne mais de 250 jornalistas e influenciadores das Américas, Europa e África.
A estratégia é confirmada pela direção da empresa.
Stella Li, vice-presidente executiva da BYD e responsável pelos negócios internacionais, afirmou que o objetivo ao abrir as portas da planta era mostrar a escala e o funcionamento do centro produtivo.
O complexo abriga linhas de montagem, estamparia, soldagem, pintura, usinagem de componentes e produção de peças estratégicas.
A organização interna inclui dormitórios, áreas de teste e estruturas de apoio ao trabalho, o que reforça a comparação frequente feita por visitantes com uma “cidade industrial”.
De acordo com apuração do UOL, essa integração logística interna é um dos pontos mais destacados durante as visitas guiadas.
Automação, robôs e verticalização da BYD
O complexo de Zhengzhou é considerado o principal polo produtivo da BYD voltado ao mercado chinês.

Especialistas do setor afirmam que o tamanho está ligado ao modelo de integração vertical, no qual a empresa fabrica internamente cerca de 70% dos componentes de um veículo.
Nas áreas de soldagem, a presença humana é reduzida.
Robôs executam quase todas as etapas, permitindo que a mesma linha fabril ajuste software e equipamentos para montar, em sequência, modelos como Song Pro, Seal 07, Shark e Denza B8.
Segundo a empresa, a arquitetura das linhas e o uso de sistemas desenvolvidos internamente possibilitam alternância rápida entre modelos.
O silêncio é um dos pontos que chamam atenção na visita.
As prensas da estamparia atuam isoladas em cabines acústicas, e o número de operadores visíveis é pequeno.
Para analistas, esse cenário demonstra a etapa atual da indústria automotiva chinesa, baseada em automação intensiva e processos padronizados.
O UOL também apontou que a baixa presença de trabalhadores no chão de fábrica se tornou uma marca recorrente dos centros industriais mais modernos do país.
A unidade abriga ainda o Power Battery Park, responsável pela produção da Blade Battery, tecnologia de lítio ferro-fosfato desenvolvida pela BYD.
Segundo a empresa, o design busca melhorar segurança térmica e densidade energética em comparação a modelos anteriores.
Subsídios chineses e impacto global
A expansão desses complexos está inserida na política industrial chinesa.

Entre 2009 e 2023, o governo destinou ao menos US$ 230,8 bilhões ao setor de veículos elétricos, segundo dados do CSIS.
Os incentivos incluem subsídios a compradores, isenções fiscais, investimentos em infraestrutura de recarga, programas de P&D e compras públicas.
Como resultado, o país registrou forte crescimento no mercado doméstico e consolidou uma cadeia robusta de baterias e eletrônica de potência.
Em 2023, a China superou o Japão e se tornou o maior exportador mundial de veículos.
Em 2024, registrou aproximadamente 31,4 milhões de veículos produzidos, com elétricos e híbridos plug-in representando cerca de 40% das vendas e licenciamento.
Pesquisadores afirmam que o objetivo estratégico é ampliar a presença chinesa nos mercados globais de eletrificação.
Eles destacam que o governo aceita margens menores no mercado interno para fortalecer setores considerados essenciais, ampliando a competitividade em mercados internacionais.
BYD e liderança na eletromobilidade
A BYD ocupa papel relevante nesse cenário.
Fundada em 1994 como fabricante de baterias, migrou para o setor automotivo no início dos anos 2000 e expandiu atuação para toda a cadeia de eletrificação.
A empresa está presente em mais de 100 países, com carros, ônibus, caminhões e soluções de energia.
Em 2024, relatórios de mercado mostram que a BYD superou a Tesla nas vendas globais de veículos elétricos a bateria (BEV).
A expansão internacional inclui fábricas em operação ou implantação em países como Brasil, Tailândia, Hungria e Turquia.
Flash Charging e recarga de 1 MW

A BYD apresentou a tecnologia Flash Charging, baseada em carregadores de 1 megawatt.
Segundo a empresa, o sistema pode adicionar cerca de 400 km de autonomia em cinco minutos, sob condições ideais.
O primeiro veículo compatível é o sedã Han L.
A recarga exige infraestrutura específica, com cabos e sistemas de resfriamento dedicados.
A BYD também anunciou planos de instalar mais de 4 mil estações de megacarga na China.
No Brasil, parcerias preveem a instalação de carregadores rápidos e ultrarrápidos, incluindo modelos de 1 MW.
Fábrica de Camaçari e expansão no Brasil
A expansão internacional também inclui a América do Sul.
Em outubro de 2025, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a BYD inaugurou a fábrica de veículos de passeio em Camaçari (BA).
O investimento é de R$ 5,5 bilhões, com estimativa de até 20 mil empregos diretos e indiretos, segundo a empresa e autoridades brasileiras.
O plano industrial prevê etapas de ampliação de produção.
Inicialmente, a unidade deve operar com capacidade próxima de 150 mil veículos por ano, podendo chegar a 300 mil unidades e atingir até 600 mil veículos em plena carga.
Em reportagem do UOL, executivos reforçaram que a fábrica foi projetada para atuar como hub de exportação para países da América Latina.
Especialistas destacam que a presença da BYD tende a ganhar relevância à medida que a demanda regional por veículos elétricos cresce e políticas de eletrificação se consolidam.
Com esse redesenho global da indústria e a ampliação de investimentos no Brasil, surge a questão central: como a presença da BYD poderá influenciar a inovação e a competitividade da cadeia automotiva brasileira nos próximos anos?
