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Com mais de 10 milhões de árvores plantadas com suas próprias mãos, Chami Murmu transformou sozinha uma das regiões mais secas da Índia em floresta e inspirou um movimento nacional de recuperação ambiental

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 13/11/2025 às 08:42
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Com mais de 10 milhões de árvores plantadas, Chami Murmu transformou uma das regiões mais secas da Índia em floresta e inspirou um movimento nacional de reflorestamento.

No leste da Índia, no estado de Jharkhand, uma mulher simples, nascida em uma comunidade rural pobre, realizou um feito que poucos governos conseguiram: reconstruir uma floresta inteira com as próprias mãos. O nome dela é Chami Murmu, fundadora da organização Sabuj Sena (Exército Verde) e responsável pelo plantio de mais de 10 milhões de árvores ao longo de três décadas. Sua história, confirmada por fontes oficiais indianas como o Times of India, o Hindustan Times e o Ministério do Meio Ambiente da Índia, é considerada uma das maiores mobilizações ambientais individuais do país.

De aldeia pobre a símbolo de resistência ambiental

Chami nasceu na pequena vila de Rajdhanwar, em uma região marcada pela seca e pela degradação florestal provocada pela exploração de madeira e pela expansão agrícola. A paisagem árida moldou sua infância. Ela viu as nascentes desaparecerem, os solos se tornarem inférteis e as comunidades locais perderem o sustento.

A motivação veio de uma tragédia pessoal: ainda jovem, Chami perdeu o marido em um acidente. A dor virou impulso. Sozinha, começou a plantar árvores nas margens de rios secos, acreditando que, com o tempo, elas trariam de volta a água e a vida ao lugar.

Com mais de 10 milhões de árvores plantadas com suas próprias mãos, Chami Murmu transformou sozinha uma das regiões mais secas da Índia em floresta e inspirou um movimento nacional de recuperação ambiental
Foto: Indi NEWS

A iniciativa chamou atenção de outros moradores, que começaram a ajudar. O que começou com algumas mudas espalhadas cresceu até se tornar uma força coletiva. Em 1991, nasceu a Sabuj Sena, organização comunitária que hoje conta com milhares de voluntários em sua maioria mulheres e jovens dedicados à restauração de ecossistemas e à educação ambiental.

O impacto do reflorestamento em Jharkhand

O trabalho de Chami e de sua equipe transformou partes inteiras de Jharkhand, um dos estados mais afetados pela desertificação no país. Segundo o governo local, a cobertura florestal da região aumentou cerca de 15% nos últimos 25 anos, resultado direto de iniciativas comunitárias lideradas por ela.

As árvores plantadas por seu grupo — entre elas mangueiras, nim, tamarindeiros, jacarandás e árvores de sândalo, reverteram processos de erosão e ajudaram a restaurar o curso natural de rios menores que haviam secado.

Estudos do Forest Survey of India mostram que áreas reflorestadas pela Sabuj Sena abrigam hoje centenas de espécies de pássaros e insetos, além de pequenos mamíferos que haviam desaparecido.

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O impacto social foi igualmente profundo. Em vilas onde antes predominava o desemprego e a migração, a reintrodução das árvores gerou novas fontes de renda por meio do cultivo sustentável de frutas, sementes e mel. Famílias voltaram a plantar, e escolas rurais começaram a receber materiais sobre preservação, inspiradas pela história de Chami.

Reconhecimento e prêmios nacionais

O governo indiano reconheceu oficialmente o trabalho de Chami Murmu em 2019, quando ela recebeu o Nari Shakti Puraskar, a mais alta honraria civil concedida a mulheres no país. O prêmio foi entregue pessoalmente pelo presidente da Índia, Ram Nath Kovind, em cerimônia realizada em Nova Délhi.

Na ocasião, o Ministério das Mulheres e do Desenvolvimento Infantil classificou o trabalho de Chami como “um exemplo excepcional de transformação ambiental comunitária liderada por uma mulher”. Desde então, ela passou a ser convidada para participar de conferências nacionais sobre mudanças climáticas e reflorestamento sustentável.

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Em entrevistas ao Times of India e à BBC Hindi, Chami costuma minimizar sua importância. “Não sou uma heroína. Só faço o que qualquer pessoa faria se visse a própria terra morrer”, disse. Essa simplicidade, somada à escala de seu impacto, fez com que sua história viralizasse em campanhas de educação ambiental e programas escolares em todo o país.

Educação e engajamento: o legado da Sabuj Sena

Além de plantar árvores, Chami Murmu concentra parte de seus esforços em educar jovens sobre o papel das florestas na vida cotidiana. A Sabuj Sena realiza oficinas em vilarejos para ensinar compostagem, aproveitamento de resíduos agrícolas e técnicas de replantio de mudas nativas.

Cada nova árvore é monitorada por membros da comunidade, que se revezam no cuidado com as plantações. Segundo a própria Chami, mais de 70% das árvores plantadas sobrevivem após os primeiros três anos, um índice considerado altíssimo em programas de reflorestamento em larga escala.

Em algumas vilas, a presença da floresta restaurada fez o lençol freático subir, reativando poços que estavam secos há décadas. Agricultores relatam aumento na produtividade de hortas e no retorno de espécies polinizadoras.

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Um exemplo mundial de transformação pelo esforço humano

A história de Chami Murmu ultrapassou as fronteiras da Índia. Organizações internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), já destacaram seu trabalho como um modelo de ação local com impacto global.

Revistas científicas indianas classificam o projeto Sabuj Sena como um caso de “reflorestamento de baixo custo baseado em mobilização comunitária”, conceito que vem sendo replicado em outras regiões do sul da Ásia.

Hoje, aos 60 anos, Chami continua em campo, acompanhando pessoalmente as novas áreas de plantio e incentivando jovens a seguir seu exemplo. Ela diz que ainda não pretende parar: “Enquanto eu tiver força nas mãos, continuarei plantando. O futuro depende do que fazemos agora.”

Um movimento que floresce da terra e da dor

A trajetória de Chami Murmu é, ao mesmo tempo, pessoal e coletiva. É a história de uma mulher que perdeu tudo, olhou para o chão e decidiu reconstruir o mundo a partir dele.

Seu legado mostra que a restauração ambiental pode nascer do sofrimento humano e que, quando a vontade supera a escassez, até uma região árida pode renascer em verde.

Em um planeta que enfrenta secas, incêndios e degradação ambiental, a lição deixada por Chami ecoa como um lembrete de esperança: não é o tamanho do projeto que transforma o mundo, mas a persistência de quem nunca para de plantar.

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Maria Helena
Maria Helena
18/11/2025 20:39

Maravilhoso…

Edela
Edela
15/11/2025 08:46

Lindo exemplo de superação e de persistência!!

Neivaldo
Neivaldo
14/11/2025 15:18

E incrível como e o Sr humano ao menos leiam há reportagem completa e va plantar uma árvore ao menos.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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