Brasil se destaca na geopolítica dos minerais críticos com lítio e nióbio, mas ainda enfrenta desafios para agregar valor e garantir soberania e sustentabilidade
A corrida por energia limpa elevou a importância dos minerais críticos no mundo. Lítio, nióbio, cobre, grafite, níquel e terras raras são hoje recursos estratégicos para o século XXI. Eles são essenciais para baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, painéis solares e sistemas de armazenamento de energia. Neste novo cenário global, o Brasil surge como protagonista.
O país combina abundância de reservas com estabilidade política relativa e um histórico de exportador confiável. Essa combinação faz do Brasil um dos principais pontos de interesse na nova geopolítica dos minerais críticos.
Um dos destaques é o nióbio. O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desse mineral, usado em ligas metálicas de alto desempenho.
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Vale do Jequitinhonha e a “rota do lítio”
Outro destaque é o lítio. A produção brasileira cresceu bastante, especialmente no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A chamada “rota do lítio” virou alvo de empresas nacionais e estrangeiras. Investidores da China, dos Estados Unidos, da União Europeia e de países asiáticos disputam áreas de exploração na região.
Com essa demanda, o Brasil ganha força para negociar acordos estratégicos. A disputa entre China e EUA pelo controle das cadeias energéticas aumenta a relevância do país. O Brasil pode oferecer fontes alternativas de matérias-primas críticas com menos risco geopolítico.
Além disso, o interesse global por cadeias de fornecimento mais sustentáveis favorece nações que adotam normas ambientais e sociais mais rígidas.
Desafios para agregar valor e desenvolver tecnologia
Mas nem tudo são vantagens. Apesar do potencial, o setor ainda é subaproveitado no Brasil. A maioria dos minerais críticos exportados sai do país sem beneficiamento. Isso reduz o valor agregado e dificulta a criação de uma indústria nacional de alta tecnologia.
Especialistas defendem uma política industrial mais robusta. Seria necessário incentivar o refino, a produção de componentes e a criação de centros de pesquisa focados em tecnologias minerais.
Geopolítica, clima e soberania dos recursos
O papel do Brasil vai além da economia. Os minerais críticos também têm peso nas negociações ambientais internacionais. Países que dominam esses recursos ganham poder de barganha em acordos sobre financiamento climático e transferência de tecnologia.
Se alinhar sua política mineral com metas de descarbonização e inclusão social pode fortalecer o papel brasileiro em fóruns como o G20 e a COP.
Internamente, cresce o debate sobre a soberania desses recursos. A atuação de empresas estrangeiras em áreas sensíveis preocupa. Há tensão em locais com presença de comunidades tradicionais e povos indígenas.
Por isso, há uma cobrança por mais governança e transparência. O Brasil precisa equilibrar atração de investimentos com proteção ambiental e respeito aos direitos das populações locais.
Diante do avanço da energia limpa e da digitalização, o Brasil tem uma oportunidade histórica. Como vai administrar seus minerais críticos pode definir seu futuro econômico e ambiental. Também pode determinar seu lugar no novo tabuleiro geopolítico global.
Com informações de Economia SP.
